Ao mestre com carinho

Mestre - Os professores tiveram impacto importante na minha vida.
Os professores tiveram impacto importante na minha vida.

(Por Sandra Rosenfeld)

Mestre – A importância dos professores para a transformação da sociedade

Nesta semana em que comemoramos o Dia do Professor é com imenso prazer que escrevo este artigo dedicado a eles. Os professores tiveram impacto importante na minha vida.

Durante o primário, hoje ensino fundamental, fui dedicada e excelente aluna. Estudei em escola pública, que na época eram boas, e fui bastante incentivada na matéria que sempre tive mais facilidade: português, com ênfase na leitura e redação. Já no ginásio e segundo grau, devido a problemas familiares, além de não ter sido boa aluna, fui bastante baderneira e, novamente, os professores foram fundamentais na minha vida. Eles, com compreensão muito além do que a sala de aula permite, me ajudaram muitíssimo a atravessar aquela fase, mantendo forte minha autoestima. Ao terminar o primário fiz o curso de admissão. Sim, naquela época era normal se fazer uma preparação para entrar no ginásio, onde tive a felicidade de ter uma professora com o nome bastante significativo de “Saudade”, que fez toda a diferença na minha vida. Gostaria de dedicar este artigo a todos os professores que passaram pela minha vida e que, de uma forma ou de outra, me ajudaram a ser quem sou hoje e, especialmente, aqueles que foram brilhantes comigo, como as professoras Saudade e Madre Martins.

O título deste artigo se refere ao filme de mesmo nome que fez grande sucesso em 1967. Estrelado pelo brilhante Sidney Poitier, a história é bem atual hoje quando vemos professores acuados nas salas de aulas e que, muitos deles, conseguem dar a volta por cima e fazer a diferença com adolescentes indisciplinados e desordeiros, e que estão determinados a destruir suas aulas.

Depois vieram muitos outros filmes enaltecendo, ao mesmo tempo em que mostravam as dificuldades que passam esses profissionais de valor imensurável: como Sociedade dos Poetas Mortos, Escritores da Liberdade e Entre os Muros da Escola.

Hoje, muito se discute a respeito do papel do professor. Aqui no Brasil, infelizmente, o professor não tem o reconhecimento que lhe é devido por parte do governo, pouco por parte dos pais e menos ainda pelos alunos. Temos sim algumas raras escolas e instituições, a maior parte particular, com excelente ensino e professores que fazem a diferença. No entanto, a quanto por cento da população essas escolas atingem?

Um professor bem preparado ensina muito mais do que as matérias curriculares, ele ensina os alunos a pensarem por meio de trocas de informações e interações. A escola, nesse contexto, tem papel fundamental tanto no ato de contratação quanto no incentivo e liberdade que dá aos seus professores para que possam cumprir o real papel da educação, que é formar pessoas com conhecimentos objetivos e subjetivos para lidar com a pluralidade que é o mundo.

Não há como pensar no professor sem pensar na escola e nos alunos. Mas para que esta interação funcione de forma positiva há necessidade de se criar um modelo atrativo de escola e, consequentemente, do ensinar. O professor e os alunos precisam se sentir estimulados, caso contrário, o que acontece com frequência, o professor torna-se um indivíduo frustrado e os alunos desmotivados, o que leva a falta de admiração e até respeito do estudante pelo mestre.

No entanto, sabemos que o professor tem função importantíssima e belíssima na vida de todos nós.  E não devemos esquecer que esta é umas das poucas profissões escolhidas de fato pela vontade de lecionar, pelo dom, e não pela possibilidade exclusiva de ganhos.

Sempre tive enorme respeito e carinho por essa classe.

Nosso contato com o professor inicia-se desde muito cedo, aos três, quatro anos de idade e, às vezes, muito antes, já estamos na creche ou escola. Esse primeiro contato pode ser extremamente motivador para a criança ou decepcionante. O bom professor percebe o aluno além do que ele demonstra em classe, criando vínculos e elos que podem ajudar o aluno a transpor dificuldades até familiares.

O papel do professor (o Mestre), com certeza, não se restringe a passar matérias, mas a estimular a curiosidade, desenvolver a criatividade e, sim, a cidadania.

Temos aqui no Brasil excelentes exemplos conhecidos de educadores e de muitos, muitos mesmo, desconhecidos que, com certeza, estão fazendo a diferença tanto em salas de aulas totalmente equipadas quanto numa sala de chão de terra.

Um dos maiores educadores brasileiros de todos os tempos foi Paulo Freire (1921-1997). Para ele, alfabetização servia como instrumento de libertação. Suas teorias foram utilizadas com êxito na alfabetização de jovens e adultos. Reconhecido no mundo todo, recebeu prêmios nas maiores e mais conceituadas universidades e seu nome virou premiação. Entre seus livros publicados cito Pedagogia do Oprimido, considerada a sua obra prima.

Outro grande educador foi Darcy Ribeiro (1922-1997). Iniciou sua carreira no Serviço de Proteção aos Índios.  Autor de obras de etnografia e defesa da causa indigenista, contribuiu com estudos para a UNESCO e a Organização Internacional do Trabalho. Organizou o primeiro curso de pós-graduação em antropologia, na Universidade do Brasil (Rio de Janeiro), onde também lecionou. Com Anísio Teixeira, também um grande educador, fundou a Universidade de Brasília. Entre suas obras, a de maior impacto são os estudos antropológicos da “Antropologia da Civilização”, em seis volumes. Foi um defensor em tempo integral da boa educação e formação.

Mestre - O professor e os alunos precisam se sentir estimulados.
O professor e os alunos precisam se sentir estimulados.

E não podemos deixar de expressar nossos profundos agradecimentos àqueles professores que fizeram diferenças revolucionárias no mundo por meio de conceitos e fórmulas, como:

– O francês René Descarte, que criou a geometria analítica no século 17.  Responsável por representar os números naquele gráfico com eixos X e Y, batizado de cartesiano em sua homenagem. A geometria analítica revolucionou a matemática, tornando mais fácil “enxergar” relações entre números e compreender conceitos abstratos;

– O Grego Euclides, que fundamentou a geometria no século 3 a.C. Seu livro Elementos, com os fundamentos da geometria clássica, ainda é leitura obrigatória entre os matemáticos. Na obra de 23 séculos atrás estão compilados seus axiomas – verdades lógicas que valem até hoje. Um exemplo de axioma é “pode-se traçar uma única reta ligando quaisquer dois pontos”. A obra- prima de Euclides é o segundo livro mais traduzido da história, atrás apenas da Bíblia;

– O também grego Arquimedes, que aplicou a geometria na prática no século 3 a.C. O principal matemático da Antiguidade, é considerado pai da mecânica por estudar forças, alavancas e densidade de materiais. Foi o primeiro a notar a relação constante entre o diâmetro e o raio de qualquer circunferência: o número π (pi). Arquimedes também era inventor. Entre seus trabalhos estão o parafuso de Arquimedes, usado para tirar água de dentro de navios, e o aperfeiçoamento da catapulta.

– O inglês Isaac Newton, que criou o cálculo no século 17. Responsável por avanços científicos que mudaram a humanidade, como a lei da gravitação universal, Newton também era um matemático notável, considerado um dos inventores do cálculo – disciplina avançada da matemática, ensinada em cursos superiores específicos. Sem o cálculo seria impossível medir precisamente o volume de objetos curvos ou calcular a velocidade de objetos em aceleração.

Deixo aqui minha especial homenagem a educadora Marie Curie, a única mulher a ganhar dois prêmios Nobel. Realizou um trabalho totalmente diferenciado no ensino de ciências. Foi também a primeira mulher a participar do corpo docente da Sorbonne.

Para finalizar, o que na verdade não tem fim, certa de que deixei de mencionar nomes importantíssimos na evolução do mundo, cito como curiosidade alguns professores famosos como o presidente Barack Obama, foi professor de direito constitucional na Universidade de Chicago; J.K Rowling, autora da saga Harry Potter, foi professora de francês e de inglês quando morou em Portugal; nosso Renato Russo foi professor de inglês em curso particular; Oprah Winfrey, a apresentadora de TV mais famosa dos Estados Unidos, foi professora na escola que construiu e mantém na África do Sul para meninas carentes; o escritor curitibano Paulo Leminski foi professor de história e redação em cursos pré-vestibulares, o que o motivou a escrever seu primeiro romance, Catatau.

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Flora Victória

Flora Victoria é fundadora da Sociedade Brasileira de Coaching, presidente da SBCOACHING Training e Mestre em Psicologia Positiva Aplicada pela University of Pennsylvania. Diretora educacional das empresas do SBCOACHING Group e founding fellow do Institute of Coaching (IOC) – órgão afiliado à Harvard Medical School dedicado ao avanço do coaching, Flora é considerada a maior especialista em psicologia positiva aplicada ao coaching do país. Seu trabalho precursor resultou na criação do primeiro treinamento de positive coaching do Brasil. Pioneira na condução de projetos de pesquisa e comprovação científica do coaching no país, tem contribuído significativamente para consolidar a credibilidade desse processo e estimular seu desenvolvimento no Brasil e no mundo.

Como trainer e master coach, Flora já participou da formação de mais de 45 mil coaches no Brasil. Responsável pelas parcerias internacionais firmadas pela SBCOACHING com instituições globais, Flora tem trazido para o Brasil o que há de melhor e de mais atual no coaching internacional. Flora representa a Sociedade Brasileira de Coaching como membro da Graduate School Alliance for Executive Coaching (GSAEC), instituição especializada no ensino acadêmico do coaching, e da Association for Coaching (AC), credenciadora internacional presente em mais de 50 países.

Escritora de obras que são referência no coaching mundial, Flora é coautora dos livros Personal & Professional Coaching®, Executive & Business Coaching®, Positive Psychology Coaching® e Career Coaching®, entre outros. Em parceria com Brian Tracy e Villela da Matta, escreveu Estratégias Avançadas de Vendas e Engajamento Total. Como parte de sua contribuição para o coaching global, Flora foi convidada a integrar uma equipe internacional cujo objetivo foi discutir e compreender a diversidade do coaching no mundo. Esse trabalho resultou no livro Diversity in Coaching: Working with Gender, Culture, Race and Age, lançado pela Association for Coaching (AC). Como especialista em coaching, negócios, liderança e psicologia positiva, escreve artigos para a Revista SBCOACHING, para a Revista Científica Brasileira de Coaching e para diversos portais.

Com graduações acadêmicas e especializações nas áreas de Governança Corporativa pela Harvard Business School, MBA pela FGV, Marketing pela ESPM e Tecnologia pela USCS, a expert em ciências comportamentais, Flora, aplica seu sólido conhecimento teórico e prático para contribuir com diferentes públicos na conquista de resultados e aumento de realizações.

Com uma experiência organizacional consolidada ao longo de 30 anos, antes de fundar a SBCOACHING Flora foi executiva da Claro e atuou em grandes empresas como Volkswagen, Ford e Bell South, nas áreas de planejamento estratégico, gestão de mudanças, governança corporativa, tecnologia e finanças. À frente da SBCOACHING Training™, dedica-se continuamente a expandir o portfólio de serviços e a elevar cada vez mais a qualidade e a eficácia do coaching.