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Antissocial: o que é, sintomas, causas e tratamentos

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Você se considera uma pessoa antissocial?

Se você prefere ficar sozinho no fim de semana assistindo a séries ao invés de sair com outras pessoas, talvez pense que se encaixa nesse perfil.

No entanto, o comportamento antissocial pode ter um significado diferente para a psicologia e a psiquiatria.

Na saúde mental, o Transtorno de Personalidade Antissocial é um assunto sério.

Trata-se de uma condição de indivíduos com traços de comportamento agressivo, desrespeito às leis e normas sociais e carência de empatia.

Percebe a diferença?

Por isso, ao utilizar esse termo, é importante ter cuidado.

Curtir a própria companhia, sem outros à sua volta, não indica necessariamente um comportamento antissocial para a medicina.

Para muitas pessoas, esse tipo de comportamento faz muito bem e, de acordo com alguns estudos que veremos ao longo deste texto, pode propiciar até um fortalecimento da criatividade.

Então, se você quer saber mais sobre o tema, navegue pelos seguintes tópicos:

  • O que é comportamento antissocial
  • Quando o comportamento se transforma em transtorno?
  • Sinais do comportamento antissocial
  • Como evitar
  • Exemplos desse tipo de comportamento
  • Coaching para o desenvolvimento humano.

Quer tirar todas as suas dúvidas sobre o assunto? Então siga a leitura.

O que é o comportamento antissocial?

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É provável que, ao pensar em comportamento antissocial, você automaticamente se lembre de pessoas que preferem ficar em casa sozinhas a sair com os amigos.

Ou talvez você se lembre de algum amigo tímido, que tem dificuldades para interagir em eventos sociais.

No entanto, isso reflete um comportamento antissocial apenas em termos populares.

Na psiquiatria, esse termo traz um significado diferente, marcado por agressividade, desprezo e transgressão de normas sociais.

Por isso, pessoas com esse tipo de comportamento geralmente praticam atos ilegais, como assaltos e depredações, por exemplo.

Dessa forma, quebram regras e desafiam normas vigentes na sociedade.

Assim, essas pessoas não agem conforme o esperado ao longo de suas interações sociais.

Indivíduos com comportamento antissocial prejudicam não apenas a si mesmos, mas a pessoas que estão em volta, assim como o meio ambiente e a sociedade.

De forma geral, essas pessoas demonstram agressividade, insensibilidade e desrespeito por regras, sem se arrepender por seus atos ou distinguir o certo e o errado.

Também são pessoas propensas à impulsividade e ao isolamento.

Justamente por isso, pessoas antissociais têm dificuldades para criar e seguir planos de vida.

No livro Terapia cognitiva dos transtornos de personalidade (Artmed, 2005), Aaron Beck, Denise Davis e Arthur Freeman apontam que esse tipo de comportamento, quando caracteriza-se como transtorno, possui como palavra-chave comum a “irresponsabilidade”.

“Elas são todas extrema e persistentemente irresponsáveis nas áreas do trabalho, finanças, família, propriedade ou comunidade e quanto ao impacto de suas ações sobre os outros”, explicam os autores.

Quando o comportamento se transforma em transtorno?

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O comportamento antissocial pode se transformar no transtorno de personalidade antissocial.

Esse transtorno é caracterizado quando a conduta antissocial ocorre com frequência e alta intensidade.

No livro Introdução à Psicologia (AMGH, 2015), Robert Feldman traz uma definição sobre o assunto.

“Transtorno no qual os indivíduos não apresentam consideração pelas regras morais e éticas da sociedade ou pelos direitos dos outros”, destaca o autor.

Para pessoas com esse transtorno, portanto, não existe diferença entre certo e errado, tampouco consideração a respeito dos sentimentos de outros indivíduos.

Dessa forma, o comportamento é marcado pelo desrespeito pelo espaço e pelos direitos de quem está à volta.

Em O exame psiquiátrico (Rubio, 2011), os autores Marcelo Caixeta, Leonardo Caixeta, Ciro Vargas, Victor Melo e Cedric Melo afirmam que o transtorno de personalidade antissocial, em maiores de idade, diz respeito a pacientes que apresentam padrão crônico de comportamento instável, delinquente e agressivo.

O diagnóstico do transtorno deve ser feito por psicólogos ou psiquiatras, a partir de conversas com o paciente.

Trata-se de um diagnóstico difícil, uma vez que o transtorno possui semelhanças com outros transtornos mentais, como a esquizofrenia, por exemplo.

Isso porque não existe um exame específico para diagnóstico de transtornos de personalidade, tampouco é possível diagnosticar o transtorno antes dos 18 anos.

A seguir, saiba quais são os sinais do comportamento antissocial.

Quais são os sinais do comportamento antissocial?

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Os primeiros sinais do comportamento antissocial aparecem já na infância ou no início da adolescência.

Crianças e adolescentes com comportamentos inadequados frequentes a partir da violação das regras sociais características da idade podem ser diagnosticadas com transtorno de conduta.

Em um artigo para a Revista Brasileira de Psiquiatria, Isabel Bordin e David Offord afirmam que, na base do transtorno da conduta, está a tendência para comportamentos perturbadores, assim como o envolvimento em atividades perigosas e ilegais.

“Esses jovens não aparentam sofrimento psíquico ou constrangimento com as próprias atitudes e não se importam em ferir os sentimentos das pessoas ou desrespeitar seus direitos”, dizem os autores.

Isso não significa que, necessariamente, elas desenvolverão o transtorno de personalidade antissocial na fase adulta, mas que estão propensas a ele.

Seja na infância ou na fase adulta, veja alguns sinais do comportamento antissocial:

  • Falta de distinção entre certo e errado
  • Isolamento
  • Transgressão de leis
  • Desrespeito a normas sociais
  • Falta de empatia em relação a outras pessoas
  • Comportamentos perigosos
  • Manipulação de outras pessoas para benefícios próprios.

Como saber se uma pessoa é antissocial?

Não é possível saber se uma pessoa é antissocial apenas pela observação de alguns sinais isolados do transtorno.

Vale ressaltar que o diagnóstico depende de uma série de fatores, incluindo a frequência com que esses comportamentos ocorrem e excluindo outras possibilidades, como o consumo de drogas, por exemplo.

Por isso, é essencial a consulta com um especialista que possa fazer o diagnóstico corretamente.

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da American Psychiatric Association (APA), os critérios para o diagnóstico incluem:

  • Desprezo e violação de direitos de outras pessoas desde os 15 anos
  • Diagnóstico a partir dos 18 anos
  • Comportamento antissocial que não ocorre exclusivamente durante a esquizofrenia ou transtorno bipolar.

Em entrevista para o jornal Diário do Nordeste, o médico psiquiatra Cláudio Duarte explica que o diagnóstico de transtornos de personalidade não é imediato e deve ser feito cuidadosamente.

“Os desvios do chamado padrão normal devem ser observados por um longo prazo e quase sempre só são percebidos ou postulados ao fim da adolescência e começo de vida adulta”, aponta o especialista.

Geralmente, segundo Duarte, esses desvios são percebidos no fim da adolescência e início da fase adulta.

Assim, de acordo com ele, são necessárias diversas consultas e avaliações com profissionais da saúde mental até que se chegue a um diagnóstico preciso.

Quais são as principais razões da antissocialidade?

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Há diferentes razões associadas ao desenvolvimento do transtorno de personalidade antissocial.

Isabel Bordin e David Offord destacam as principais razões para o transtorno em seu artigo.

“Fatores individuais, familiares e sociais estão implicados no desenvolvimento e na persistência do comportamento antissocial, interagindo de forma complexa e ainda pouco esclarecida”, dizem os autores.

Atualmente, a neurociência também pesquisa a possibilidade de as patologias, como o transtorno, de personalidade antissocial, possam ser causadas por razões genéticas.

Outra razão é o ambiente e as relações em que o indivíduo está inserido, sobretudo na infância.

Um ambiente familiar agressivo, com a presença de violência doméstica e o abuso físico são causas, assim como situações de discórdia conjugal e criação por pais violentos, por exemplo.

Assim, de modo geral, o desenvolvimento do comportamento antissocial está ligado a um conjunto de fatores.

Em entrevista ao jornal El País, Marcelo Mendes, psicólogo clínico diretor da UNIPSI, centro de psicologia em Madri destaca que, como em todo transtorno, há uma interação complexa de fatores biológicos, psicológicos e sociais.

“Do meu ponto de vista, não se pode compreender um transtorno desses sem compreender, em muitos casos, de onde veio essa pessoa, de que família altamente disfuncional ou entorno desestruturado”, afirma.

Como evitar esse tipo de atitude?

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O comportamento antissocial pode ser evitado sobretudo a partir do suporte durante a infância e adolescência.

Isso porque é nesse período que se iniciam os comportamentos antissociais.

Um ambiente saudável e sem violência, assim como a abertura e o diálogo, são fatores que contribuem para evitar esse tipo de atitude, funcionando como um tipo de prevenção.

Em outras palavras: a prevenção já começa na infância, oferecendo à criança um ambiente e condições que permitam o seu desenvolvimento socioemocional.

Quando o comportamento antissocial já é identificado, o ideal é realizar o acompanhamento médico, em que o diálogo, a comunicação e a orientação ajudarão a evitar atitudes violentas e inadequadas.

Nesse caso, o apoio da família também é essencial para evitar o comportamento.

No livro Compêndio de Psiquiatria (Artmed, 2016), Benjamin Sadock, Virginia Sadock e Pedro Ruiz afirmam que, uma vez que o comportamento antissocial geralmente inicia na infância, o foco deve ser a prevenção de delinquência.

“Todo tipo de medida que melhore a saúde física e mental de crianças em situação de desvantagem socioeconômica e de suas famílias tem chances de reduzir a delinquência e os crimes violentos”, dizem os autores.

É possível tratar a antissocialidade?

O tratamento da antissocialidade pode ser feito por meio de psicoterapia, grupos de apoio e terapia familiar com o objetivo de adequar o comportamento.

Afinal, as mudanças comportamentais são um dos objetivos de tratar a antissocialidade.

Desse modo, o tratamento do comportamento antissocial envolve um conjunto de fatores e não ocorre da noite para o dia.

No curto prazo, podem ser utilizados terapia cognitivo-comportamental, estabilizadores do humor e antidepressivos.

Vale destacar que não existem medicamentos específicos para o comportamento antissocial.

No entanto, se esse quadro for acompanhado de outras doenças, como a depressão, medicamentos podem ser utilizados para ajudar no tratamento.

Apesar disso, as intervenções são complementares e devem ser trabalhadas em longo prazo.

Vale lembrar que, quanto mais jovem a pessoa iniciar o tratamento, maiores são as chances de obter resultados positivos.

Existem benefícios para a saúde em função do comportamento antissocial?

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O comportamento antissocial não traz benefícios, já que se trata de um transtorno de personalidade que traz danos tanto ao indivíduo quanto a quem convive com ele.

No entanto, se você está pensando no sentido comumente atrelado à palavra “antissocial” (ficar um tempo só, fazer atividades sozinho e passar horas assistindo a séries), o fato é que existem alguns benefícios.

Em um artigo para a BBC, Christine Ro aborda três vantagens de passar um tempo a sós.

Confira, na sequência, quais são elas:

Espaço criativo

O ganho de criatividade é um dos benefícios elencados pela autora.

Para defender a ideia, ela cita um estudo publicado por Julie Bowker, Miriam Stotsky e Rebecca Etkin, do departamento de psicologia da Universidade de Buffalo.

A pesquisa mostrou que algum tipo de distanciamento social pode ter efeito positivo para a criatividade e que a insociabilidade tinha a ver com timidez e fuga.

De acordo com Christine, o estudo foi relevante por ter sido o primeiro a mostrar os efeitos positivos desse tipo de comportamento.

Foco interno

Christine aponta que outro benefício da insociabilidade é o estado de repouso mental ativo do cérebro, que anda de mãos dadas com a condição de se estar sozinho.

“Quando outra pessoa está presente, seu cérebro não pode deixar de prestar atenção. Isso pode ser uma distração positiva. Mas ainda é uma distração”, pontua a autora.

Conforme ela explica, dar terreno livre para a mente ajuda a manter o foco em longo prazo e fortalecer a percepção de si mesmo e dos outros.

Saúde ermitã

No artigo, Christine destaca que existe uma linha tênue entre solidão útil e isolamento perigoso.

“Um distúrbio tem a ver com disfunção. Se alguém deixa de se importar com as pessoas e corta todo tipo de contato, isso pode apontar para uma negligência patológica das relações sociais. Mas a insociabilidade criativa está muito longe disso”, afirma.

Em outras palavras: o comportamento antissocial não representa o mesmo que desejar ficar um tempo a sós, desfrutando da própria companhia.

Exemplos de comportamento antissocial

Como você viu anteriormente, o comportamento antissocial é marcado por agressividade e desrespeito a normas sociais.

Assim, diversos tipos de comportamentos podem ser caracterizados como antissociais.

No entanto, lembre-se de que esses são apenas sinais e de que o diagnóstico deve ser feito por um especialista, que saiba identificar o conjunto de fatores, a frequência e a intensidade dos comportamentos.

Confira os principais exemplos de comportamento antissocial:

  • Roubo e furto
  • Assalto
  • Homicídio
  • Destruição de propriedade
  • Envolvimento frequente em lutas corporais e agressões verbais violentas   
  • Impulsividade e agressividade
  • Rebeldia
  • Envolvimento em atividades perigosas e ilícitas
  • Comportamento manipulativo
  • Falta de empatia, culpa e remorso
  • Praticar bullying e assédio
  • Invasão de privacidade alheia.

Como o coaching atua no desenvolvimento humano

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Agora, que tal conhecer uma metodologia que atua no desenvolvimento humano e dá suporte para que você alinhe seus comportamentos com seus objetivos de vida?

Essa metodologia se chama coaching.

Trata-se de um processo voltado ao desenvolvimento e aprimoramento de competências e habilidades comportamentais.

O coaching potencializa as virtudes do indivíduo e corrige as suas vulnerabilidades a partir de um plano de ação que tem, como ponto de partida, os objetivos definidos pelo coachee.

Ou seja, primeiro se define o estado desejado, onde se quer chegar, e depois o coaching ajuda a traçar o caminho até ele.

Assim, o coachee tem um ganho importante quanto ao seu desenvolvimento humano.

Isso porque o coaching auxilia o indivíduo na organização de suas metas, na estruturação de suas ações e nas suas tomadas de decisão.

Com o apoio do coach, também é possível identificar comportamentos indesejáveis e traçar um planejamento para alterá-los no cotidiano.

Por isso, o coaching é uma jornada rumo ao autoconhecimento.

Aqui estão alguns exemplos de competências comportamentais que podem ser desenvolvidas ou aprimoradas com a metodologia de coaching:

  • Autoconfiança
  • Autoestima
  • Empatia
  • Resiliência
  • Motivação
  • Foco
  • Comprometimento
  • Positividade
  • Autocontrole.

Ao adquirir essas competências, fica mais fácil lidar com o comportamento antissocial ou promover qualquer tipo de mudança positiva em sua vida.

Conclusão

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Depois de ler este texto, você sabe o que é comportamento antissocial e quando ele vira um transtorno.

Também aprendeu a diferença entre o significado popular do termo e o que ele designa como na psiquiatria.

Vale lembrar, nessa hora, que passar um tempo na própria companhia pode ser vantajoso para o indivíduo.

E curtir alguns momentos a sós, sem outras pessoas por perto, não é um comportamento necessariamente antissocial.

Pode, inclusive, propiciar muitos benefícios, como um afloramento da criatividade.

Mas, se você busca socializar um pouco mais, falar em público e se tornar mais desenvolto em meio a grupos de pessoas, é possível caminhar nessa direção.

Para isso, não se esqueça de que coaching é uma excelente alternativa.

Ele permite, por meio do autoconhecimento e técnicas com embasamento científico, mapear o que precisa ser mudado e traçar um plano para chegar até o seu objetivo.

Que tal recorrer ao coaching e ter acesso a todos os benefícios que ele proporciona?

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