Por Flora Victoria e Villela da Matta

ENGAJANDO COM O TRABALHO

Por que vale a pena engajar-se?

Diz a história que, ao lhe perguntarem quantas pessoas trabalhavam em sua empresa, um CEO respondeu: “Metade”. Gracejos à parte, se o critério usado para definir quem de fato “trabalha” na empresa for o engajamento, então o CEO dessa anedota, recorrente no meio empresarial, poderia se considerar um sujeito de sorte. Sua organização estaria muito acima da média planetária de engajamento com o trabalho, que, de acordo com pesquisa feita pelo Instituto Gallup com 225 mil pessoas em 142 países, resume-se a meros 13% da força de trabalho mundial. Isso significa que apenas um em cada oito trabalhadores está engajado, ou seja, está profundamente envolvido com seu trabalho e empenha esforços voluntários para contribuir positivamente com sua organização.

Considerando que a força de trabalho no mundo está em torno de 1,4 bilhão de pessoas, os desengajados – caracterizados pela baixa motivação, performance mediana e menor disposição para contribuir – representam 63%, algo em torno de 900 milhões de trabalhadores (sim, você leu corretamente, 900 milhões!). E os ativamente desengajados – insatisfeitos, improdutivos e que tendem a contaminar os colegas com sua negatividade – somam 24%, ou 340 milhões de pessoas. Não é, pois, sem motivos, que o Gallup nos alerta para uma crise de engajamento, que pode trazer em seu bojo repercussões potencialmente sérias para a economia global.

Quanto maior a escassez, maior a demanda. Profissionais engajados são, hoje, o sonho de toda empresa. E há boas razões para isso.

Análises de pesquisas feitas pelo Gallup com mais de 1,3 milhão de trabalhadores em 192 organizações descobriu que aquelas nas quais o engajamento é maior são 22% mais lucrativas, 21% mais produtivas e possuem um índice de absenteísmo 37% menor do que as que apresentam menor porcentagem de funcionários engajados. Além disso, as campeãs de engajamento ostentam uma taxa de turnover 25% inferior (nas empresas de alta rotatividade) e 65% menor (nas de baixa rotatividade).

Com sete milhões de funcionários de diferentes países em seu banco de dados, a consultoria global Hay Group também foi a campo investigar as vantagens do engajamento. Algumas conclusões: empresas com uma força de trabalho altamente engajada possuem, em média, uma receita 4,5 superior à de organizações menos afortunadas nesse quesito. Funcionários engajados são 2,5 vezes mais propensos que seus colegas desengajados a apresentarem uma performance superior e – a cereja do bolo – podem elevar em 30% a performance do negócio.

Profissionais engajados apresentam uma performance mais elevada e demonstram mais paixão e interesse por seu trabalho. E como as atividades profissionais ocupam a maior parte de nosso dia, o engajamento profissional acaba afetando, também, outras áreas de nossa existência, contribuindo para gerar mais bem-estar e satisfação com a vida. Diversas pesquisas indicam que, se você estiver engajado com sua empresa, seu nível de satisfação com o trabalho irá aumentar. E quanto mais engajado você estiver, mais eficiente e direcionado para o sucesso você será.

Como diria Weber Shandwick, em The Science of Engagement, “As pessoas escolhem se engajar”. E você? O que tem escolhido?

“Engajando-se no trabalho” é um pequeno artigo e, também, um preview do capítulo que Flora Victoria e Villela da Matta escreveram para o livro “Engajamento Total”, em coautoria com Brian Tracy. O livro será lançado no Fórum Internacional de Negócios e Coaching, que acontecerá nos dias 18 e 19 de março deste ano, em São Paulo.