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O Que é Desenvolvimento Cognitivo: Guia Completo SBCoaching

É importante, para qualquer profissional, aprender desde cedo que cada pessoa tem o seu perfil cognitivo.

Ou seja, cada indivíduo possui seu próprio conjunto de padrões para captar e processar as informações que recebe.

Por isso que lidar com pessoas é um desafio tão grande, seja com a família em casa, na escola, na universidade ou no trabalho.

Hoje em dia, se fala muito na questão da diversidade, na importância de estimular a convivência entre pessoas de diferentes etnias, idades, gêneros, orientações sexuais, entre outros aspectos.

Mas pouco se fala em diversidade cognitiva, que é tão – ou mais – importante quanto.

No mundo corporativo, empresas que se dão conta disso e montam equipes multidisciplinares, com profissionais de diferentes backgrounds, geralmente obtém algumas vantagens.

Afinal, elas não se limitam a apenas uma maneira de enxergar as coisas.

Dessa forma, quando surge algum problema, ele é analisado por diversos ângulos, aumentando o leque de possíveis abordagens.

O resultado é maior eficiência na resolução do problema e a criação de uma cultura organizacional naturalmente voltada para a inovação.

Faz sentido para você?

Mas será que, para seguir essa ideia e levantar a bandeira da diversidade cognitiva, qualquer perfil cognitivo é bem-vindo?

A cognição engloba os processos mentais que resultam nos padrões de comportamento de uma pessoa. E é claro que nem todos esses comportamentos são desejáveis.

Aqui, entram em cena práticas como o coaching e a terapia cognitiva, que buscam estimular uma mudança ativa nos pensamentos de uma pessoa.

O objetivo é trabalhar o perfil cognitivo do indivíduo visando uma transformação positiva.

É importante deixar claro que o foco deve ser sempre a qualidade de vida e bem-estar da pessoa.

A melhora na produtividade e motivação e nos resultados da empresa são consequência disso.

Quer saber tudo sobre cognição e desenvolvimento cognitivo?

Então, leia este artigo até o fim e saiba como melhorar a sua própria maneira de processar os pensamentos.

O Que é Cognição na Psicologia? A Psicologia Cognitiva

Psicologia Cognitiva - o que e Cogniçao na Psicologia

Psicologia cognitiva é o ramo da psicologia que estuda a cognição dos seres humanos.

Essa área busca compreender a maneira que as pessoas percebem, aprendem, recordam e representam determinadas informações e como esses padrões impactam em seu comportamento.

Isso é cognição. O conceito parte do reconhecimento de que ninguém consegue capturar a realidade em sua essência.

Apenas ter uma interpretação dos fatos e informações de que tomou conhecimento e, a partir daí, raciocinar e construir seu entendimento do que acontece ao redor.

Essa construção acontece através de vários processos cognitivos, como percepção, atenção, memória, pensamento, linguagem e aprendizagem (mais adiante, falaremos mais sobre esses processos).

Como destacado na abertura deste artigo, as pessoas não têm todas o mesmo perfil cognitivo.

Mas os grandes pesquisadores da psicologia cognitiva estudam a essência dos processos cognitivos humanos, ou seja, quais padrões são comuns a todos nós.

Esse é o ponto de partida para que seja possível analisar o desenvolvimento cognitivo individual, buscando padrões que podem ser transformados para melhor.

É o que acontece com a terapia cognitiva, sobre a qual falaremos mais à frente.

Resumindo, a psicologia cognitiva busca construir uma narrativa (totalmente embasada cientificamente) sobre como os processos cognitivos influenciam o comportamento e a visão de mundo das pessoas.

Essa narrativa macro é confrontada, seja em um processo de coaching ou em sessões de terapia, com a realidade observada pelo cliente/paciente.

O objetivo final é sempre a evolução, promovendo mudanças que possam melhorar a maneira como a pessoa interage com o ambiente ao seu redor.

Em outras palavras, busca-se o desenvolvimento cognitivo, que é o assunto do tópico seguinte.

O Que é o Desenvolvimento Cognitivo? E Aprendizagem Cognitiva?

o que e o Desenvolvimento Cognitivo - o que e Aprendizagem Cognitiva

Já vimos que cognição é a maneira como uma pessoa absorve e processa o conhecimento, certo? Sendo assim, no que consiste o desenvolvimento cognitivo?

Segundo Ana Mercês Bahia Bock, no livro Psicologias: Uma introdução ao estudo de Psicologia, é o seguinte:

“O desenvolvimento cognitivo pode ser entendido como um processo pelo qual os indivíduos adquirem conhecimento sobre o mundo ao longo da vida.”

Esse processo de adquirir conhecimento, porém, vai muito além de entrar em contato com uma informação nova e armazená-la.

Por exemplo, “ventana” é a palavra da língua espanhola para janela. Caso essa seja uma informação nova, isso quer dizer que você acaba de adquirir conhecimento.

O que acontece é que o desenvolvimento cognitivo engloba mais do que isso. Ele diz respeito às mudanças de comportamento que ocorrem devido às experiências pelas quais uma pessoa passa.

O perfil cognitivo, portanto, pode ser modificado. E, ao contrário do que muitos pensam, isso pode acontecer também depois da vida adulta.

Na verdade, estamos evoluindo constantemente, embora às vezes seja difícil de perceber.

Para Jean Piaget (depois falaremos mais sobre ele), um dos mais importantes psicólogos e pensadores do século 20, a aprendizagem só acontece com a ordem e desordem daquilo que já existe dentro de cada um.

Algumas crenças podem ser substituídas (desordem) quando a pessoa é confrontada com novas informações.

Paradoxalmente, esse processo de desenvolvimento cognitivo acontece levando em conta padrões cognitivos antigos, além das informações novas.

Piaget entendia que o desenvolvimento acontece em quatro estágios: o sensório motor (até os 24 meses de vida de uma pessoa); o pré-operatório (entre 2 e 6 anos); o operatório concreto (entre 7 e 11 anos); e o pensamento formal (após os 12 anos).

Após o quarto estágio de desenvolvimento cognitivo, o que ocorre, segundo o autor, é o aperfeiçoamento das fases anteriores.

O Que São Palavras Cognitivas?

o que sao Palavras Cognitivas

James W. Pennebaker é um psicólogo social americano cujas pesquisas investigam como a linguagem cotidiana das pessoas interfere na sua personalidade e nos processos básicos de sociabilidade.

Em meados dos anos 1990, ele criou, junto com colegas, o Linguistic Inquiry and Word Count (LIWC), um software de análise de textos.

A ideia do LIWC é ajudar a entender como as palavras que utilizamos em nosso dia a dia revelam nossos pensamentos, sentimentos, personalidade e motivação. Tudo baseado em anos de pesquisa científica.

O propósito inicial do programa era que ele fosse utilizado para descobrir a relação desses termos com melhorias na saúde dos pacientes.

O software classifica as palavras em várias categorias, sendo que as primárias são:

  • Palavras emocionais negativas (triste, irritado, raiva, choro, zangado, cabisbaixo, etc.)
  • Palavras emocionais positivas (feliz, risada, contente, gargalhada, etc.)
  • Palavras cognitivas causais (porque, razão, motivo, justificativa, etc.)
  • Palavras cognitivas de insight (compreender, perceber, entender, etc.).

Aplicando o programa a grupos de controle incentivados a escrever, e utilizando outras metodologias da psicologia social, Pennebaker tirou diversas conclusões.

Para a surpresa dos pesquisadores, a evolução na utilização das palavras emotivas não teve correlação com melhoras na saúde dos pacientes.

Já o uso das palavras cognitivas sim, conforme explica Ruth Folit em artigo no Life Journal (tradução livre):

“O maior indicador de melhoria na saúde foi o uso de palavras cognitivas – isto é, indivíduos que mostraram um aumento geral na utilização de palavras casuais e de insight melhoraram sua saúde.”

Não é novidade, na ciência, que o estado mental de uma pessoa tem grande influência na recuperação de diversas condições, mesmo aquelas que, a princípio, não possuem origem psicológica.

Os mecanismos por trás disso, porém, ainda não são totalmente conhecidos.

Por isso, é difícil ter uma interpretação conclusiva a respeito dos estudos de Pennebaker sobre as palavras cognitivas.

Por outro lado, não há como negar que a transformação nos padrões de escrita faz parte de um processo de desenvolvimento cognitivo.

Com base nessas informações, que tal começar a prestar mais atenção no tipo de palavras que usamos em nosso dia a dia?

Jean Piaget e o Desenvolvimento Cognitivo

Jean Piaget e o Desenvolvimento Cognitivo

O grande nome da psicologia cognitiva foi o já citado psicólogo (também biólogo e epistemólogo) Jean Piaget.

Piaget nasceu na Suíça em 1896 e faleceu em 1980, mas sua teoria do desenvolvimento cognitivo influencia as áreas da psicologia e educação até hoje.

Segundo ele, a investigação para compreender a inteligência de uma pessoa deveria levar em conta a observação de seu desempenho em testes, mas não só isso.

Também deve ser considerado os tipos de pensamento subjacentes às ações da pessoa, buscando encontrar as justificativas para o tal desempenho.

Seus estudos focavam principalmente na observação do desenvolvimento intelectual de crianças, para aprender quais sistemas lógicos fundamentavam seu pensamento.

O princípio da teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget é a crença que a inteligência humana tem o papel de auxiliar a adaptação do homem ao ambiente em que ele vive.

Segundo ele, durante a vida de uma pessoa, sua inteligência evolui, passando a preponderar pensamentos mais complexos.

Seria como reflexões que envolvem insights e representações mentais em vez de hábitos e reflexos.

Esse é o desenvolvimento cognitivo, a maturação e especialização da inteligência e de suas manifestações.

A teoria de Piaget inclui também a descrição dos quatro estágios de desenvolvimento cognitivo de uma criança, da qual falamos antes.

Entre cada estágio, ocorrem mudanças no desenvolvimento cognitivo, que provocam a ocorrência de processos equilibradores de assimilação e acomodação.

Porque as mudanças provocam desequilíbrios até que o novo conhecimento é totalmente assimilado, voltando à sensação de equilíbrio.

Eis o processo de evolução e desenvolvimento cognitivo proposto por Piaget.

Teoria Cognitiva

cognitivo - Teoria Cognitiva

Além de Piaget, compõem a turma da teoria cognitiva Henri Wallon e Lev Vygotsky.

Essa corrente do pensamento surgiu entre as décadas de 1950 e 1960, contrapondo ao comportamentalismo.

Os teóricos do comportamentalismo acreditavam que aprendizagem acontecida quando indivíduos eram expostos a situações de estímulo e resposta, o que gera um condicionamento que desenvolve seus intelectos.

A teoria cognitiva surgiu após a proposta de estudar o impacto das ações do indivíduo no processo de aprendizagem, buscando compreender melhor as estruturas mentais que culminam no desenvolvimento cognitivo.

A grande contribuição de Piaget foi descrever as fases de desenvolvimento da criança.

O filósofo, médico, psicólogo e político francês Henri Wallon, por sua vez, considerava o desenvolvimento cognitivo como um processo que recebe grande influência da interação social à qual o indivíduo é submetido.

Para ele, que buscava compreender o sujeito nas dimensões biológica, afetiva, social e intelectual, o entorno social tinha papel fundamental.

O bielorrusso Lev Vygotsky, por sua vez, defendia que o ser humano adquire seu conhecimento como resultado da sua interação com o meio.

O cérebro, segundo ele, aprende quando entra em contato com outras experiências.

Cada um dos três teóricos que citamos aqui contribuiu de alguma maneira para a psicologia cognitiva.

Mesmo que algumas de suas ideias sejam hoje questionadas ou repaginadas, é fato que eles ajudaram a compreender melhor o modo como as pessoas aprendem e se desenvolvem.

O Que São os Processos Cognitivos?

cognitivo - O Que São os Processos Cognitivos

Uma das definições da palavra “processo”, de acordo com o dicionário Michaelis, é “método empregado para se fazer alguma coisa; maneira, procedimento”.

Sabendo disso e recapitulando o conceito de cognição – a maneira como as pessoas percebem, aprendem, recordam e representam determinadas informações -, o que é processo cognitivo?

É cada uma dessas ações que acabamos de mencionar: percepção, aprendizagem, recordação e representação do pensamento, entre outras.

Quando um indivíduo se depara com uma informação, muita coisa acontece. Ele toma conhecimento, reflete sobre ela e a armazena (para algum dia lembrar dela), por exemplo.

Quando se fala em processar uma informação, é isso. Ela não entra por um ouvido e sai por outro, mas é transformada pelo cérebro em algo que impactará o desenvolvimento cognitivo da pessoa.

Se a informação é “processada”, os mecanismos por trás disso só podem ser os tais processos cognitivos.

É a partir desse conjunto de processos que uma pessoa constrói sua compreensão do mundo.

E vale destacar que é justamente essa característica nos torna diferente dos demais animais.

Ao contrário deles, temos a capacidade de refletir sobre as coisas que presenciamos, escutamos ou vivenciamos.

Na realidade, hoje se sabe que outros animais são mais inteligentes do que pensávamos e possuem processos cognitivos que funcionam com lógicas parecidas com a nossa.

Mas, no ser humano, o processamento da informação e aprendizagem são muito mais rápidos.

O que nos remete novamente ao que disse Piaget: segundo sua teoria do desenvolvimento cognitivo, nossa inteligência serve para acelerar nossa adaptação ao meio em que vivemos.

Isso ajuda a explicar porque nossa espécie está presente em todos os cantos do mundo, nas mais extremas condições.

Nossa cognição permite também a adaptação do próprio ambiente, de modo que suas condições sejam mais adequadas para nosso bem-estar.

Mas esse é assunto para outro texto. Agora, chegou a hora de saber um pouco mais sobre os principais processos cognitivos que conhecemos.

Percepção

A percepção é o processo cognitivo que torna os demais possíveis.

Sem a capacidade de perceber uma informação, ela seria inútil e não resultaria em nenhum aprendizado.

É importante ressaltar que as informações podem ser percebidas a partir de nossos cinco sentidos:

Percepção visual

Tudo aquilo que enxergamos é informação. A visão é talvez o sentido que mais gera informações a serem interpretadas em nosso dia a dia.

Percepção auditiva

Também nos gera uma grande quantidade de informações todos os dias, a partir dos sons.

Veja bem: a informação sonora vai muito além das palavras ditas por outra pessoa.

Uma buzina, o canto de um pássaro ou um trovão, por exemplo, também são informações que serão processadas.

Percepção tátil

A pele é um órgão muito sensível, capaz de perceber muitas informações a partir da pressão, vibração e outros tipos de sensações táteis.

Se você está caminhando e sente um pingo cair no seu braço, é uma percepção tátil que poderá levar à conclusão de que uma chuva está iniciando, por exemplo.

Percepção olfativa

cognitivo - Percepção olfativa

Os cheiros são provocados por substâncias químicas que determinadas matérias soltam no ar.

Um exemplo de percepção olfativa é quando sentimos o cheiro de gás, que pode sinalizar um vazamento, ou de fumaça, indício de que algo está pegando fogo.

Percepção gustativa

São as informações que captamos a partir do paladar, quando alguma substância entra em contato com nossas papilas gustativas.

Vale destacar que o processo cognitivo da percepção engloba apenas a captação dessas informações.

Concluir que o pingo é sinal de chuva, o cheiro de gás é sinal de vazamento e de fumaça é indício de fogo é um pensamento que envolve outros processos cognitivos além da percepção.

Também é interessante lembrar que nem todas as pessoas percebem essas informações da mesma maneira.

O cérebro de um daltônico, por exemplo, não reconhece as mesmas cores que outras pessoas enxergam.

Se na percepção a informação já não é a mesma para todo mundo, imagine como ela pode seguir por caminhos diferentes nos demais processos cognitivos.

É por isso que destacamos, no começo deste texto, que as pessoas têm maneiras diferentes de ver as coisas e de refletir sobre elas.

Atenção

cognitivo - atençao

Muitas vezes, nos confrontamos com uma informação, percebemos ela por algum dos cinco sentidos, mas não ocorre nenhuma resposta da nossa parte.

Quando acontece o processo cognitivo de atenção, é diferente: reconhecemos um estímulo como relevante e nos concentramos nele, o que possibilita responder a ele com maior segurança, caso essa seja nossa vontade.

A atenção é um processo cognitivo muito importante para qualquer um. No , é uma habilidade a ser desenvolvida.

Afinal, quem se concentra em uma informação extrai os maiores benefícios dela para o processo cognitivo de aprendizagem (falaremos sobre ele mais adiante).

Segundo o modelo hierárquico de Sohlberg e Mateer, a atenção é composta pelos seguintes subcomponentes:

  • Excitação
  • Atenção focada
  • Atenção constante
  • Atenção seletiva
  • Atenção alternada
  • Atenção dividida.

Nos últimos anos, têm crescido muito os diagnósticos de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), especialmente entre crianças.

O TDAH se caracteriza pela dificuldade que uma pessoa tem em focar sua atenção em apenas um estímulo.

É um transtorno que prejudica os pacientes principalmente no exercício de suas atividades profissionais ou no estudo.

Para quem sofre com essa condição, o uso de medicamentos pode parecer a opção mais simples. Mas é recomendável tentar antes um tratamento alternativo.

Há técnicas e práticas usadas em terapias e processos de coaching que podem ajudar a orientar o desenvolvimento cognitivo de uma pessoa para evoluir no sentido de aumentar a capacidade de focar em determinada informação.

É uma questão que deve ser levada a sério, pois a atenção é um processo cognitivo que impacta diretamente na qualidade das tarefas realizadas.

Isso vale principalmente quando a pessoa se depara com informações novas que demandam a aprendizagem.

Sem dar a devida atenção a elas, o entendimento será prejudicado e há boas chances da resposta dada a essa informação ser deficiente.

Memória

A percepção e atenção, processos cognitivos sobre os quais falamos nos tópicos anteriores, acontecem em tempo real, quando nos deparamos com uma nova informação.

Percebemos ela através dos sentidos e nos concentramos nela por meio da atenção. E depois disso? A informação desaparece?

Não, ela fica armazenada em nosso cérebro e, muito tempo depois, podemos recordá-la. É isso que chamamos de memória.

Podemos enxergá-la como um processo cognitivo composto por três fases.

A primeira é a inclusão da informação, ou seja, seu armazenamento.

Depois, ocorre a consolidação, quando o cérebro classifica essa informação como relevante e possivelmente útil no futuro.

A última fase pela qual a informação passa na memória é a recuperação: quando alguma coisa desperta a lembrança dela.

Às vezes, a recuperação é involuntária e automática. É quando apenas acontece de determinada lembrança vir à tona, com ou sem algum motivo aparente.

Mas também há situações em que é vontade do indivíduo recuperar a tal informação.

Por exemplo, na hora de responder a uma pergunta em uma prova, o aluno precisa relembrar o que estudou nos dias anteriores.

Desse modo, a memória é muito importante no mundo profissional e dos estudos, assim como a capacidade de focar em uma única informação (o processo cognitivo de atenção).

Também podemos classificar a memória em algumas categorias, como:

  • Memória sensorial: são as lembranças dos estímulos percebidos pelos órgãos sensoriais, armazenadas por apenas alguns segundos
  • Memória imediata: também duram pouco. Por exemplo, quando alguém lhe passa um código numérico para você digitar em algum lugar, logo em seguida ele é esquecido
  • Memória a curto prazo: informações que são retidas por um período limitado de tempo e esquecidas depois disso
  • Memória a longo prazo: pode ser uma memória declarativa, em que a pessoa desenvolve uma consciência do passado e consegue transmitir a informação com palavras; não declarativa, que é uma memória automática, usada para tarefas como ligar e conduzir um carro; memória episódica, que é a lembrança de eventos datados e experiências pessoais; e semântica, que se trata da memória quanto ao significado das palavras.

Pensamento

cognitivo - pensamento

Segundo Jean Piaget, o pensamento é um processo cognitivo que ocorre quando um indivíduo utiliza o seu raciocínio, geralmente para a resolução de um problema.

Pensar, de acordo com o teórico, é responder a uma motivação, dentro da sua ideia de que a cognição atende ao objetivo de auxiliar na adaptação do homem ao meio em que vive.

O pensamento ocorre com base em informações obtidas em qualquer um dos processos cognitivos sobre os quais falamos nos tópicos anteriores.

Podemos pensar sobre algo que percebemos (percepção), sobre algo no qual estamos focados (atenção) ou sobre algo de que lembramos (memória).

Esse processo cognitivo é uma função cerebral que envolve a compreensão dessas informações e motiva, muitas vezes, uma tomada de decisão.

Ou descobertas mentais, criatividade, criação de teorias, planejamento de ações, imaginação, entre outros.

O pensamento pode ser simples, ou complexo, e envolver a formulação de conceitos, imagens mentais, ideias e juízos.

No pensamento, podem ocorrer vários tipos de raciocínio, mas o preponderante é o hipotético-dedutivo.

Nesse tipo de raciocínio, o sujeito considera determinadas informações, cria hipóteses em sua mente e tira conclusões a partir delas.

Ou seja, há uma dedução, que acontece de acordo com o modo de pensar da pessoa, que costuma ser muito mais influenciado por suas experiências anteriores do que pelos fatos que o indivíduo verificou.

O pensamento também pode correr em uma direção menos restrita, que contemple vários aspectos do fato que se apresenta.

Assim, também poderão ocorrer deduções, mas elas surgem de um número maior de hipóteses, a partir de um esforço genuíno de explorar diversas possibilidades.

Melhorar esse padrão de pensamento, deixado de ter uma percepção limitada sobre as coisas, é um dos objetivos de quem busca o desenvolvimento cognitivo.

Quando se abre a mente para um maior número de hipóteses e outras formas de raciocínio, nota-se uma melhora significativa na tomada de decisões.

Linguagem

Os demais processos cognitivos sobre os quais falamos até aqui dizem respeito à maneira como o ser humano recebe e processa a informação.

Já a linguagem diz respeito ao que ele “devolve” ao ambiente. Afinal, nós também somos emissores de informação.

Ela compreende o uso de símbolos linguísticos para a troca de informações entre as pessoas.

O mais comum é pensarmos nas palavras, mas há outras formas de linguagem que, às vezes, são ainda mais eficientes.

Quase todo mundo entende um assobio (que também é um tipo e linguagem) dado com a intenção de chamar a atenção.

Se em vez de assobiar, a pessoa gritar “cuidado!”, o outro só compreenderá se conhecer a língua portuguesa.

Isso sem contar os tipos de linguagem gestual, alternativa de compreensão para aqueles que têm alguma dificuldade auditiva.

A linguagem é um ramo muito estudado não apenas na psicologia, mas também em áreas como a filosofia, sociologia, antropologia e ciências da comunicação, é claro.

Esse processo cognitivo está sujeito ao que acontece no processo anterior, o pensamento.

Porque um sujeito que possui algum transtorno exclusivo da linguagem pode não ter nenhuma limitação no raciocínio. Enquanto em uma pessoa que tem um transtorno do pensamento, a linguagem costuma ser prejudicada em alguma medida.

Assim como o desenvolvimento cognitivo no sentido de melhorar os padrões de pensamento ajuda a qualificar a tomada de decisões, aperfeiçoar a linguagem também traz vantagens.

Quando desenvolvemos esse processo cognitivo, estamos dando um passo importante para ter relações mais saudáveis e produtivas, seja com colegas de trabalho, superiores, subordinados, amigos, familiares e quaisquer outras pessoas.

No caso do desenvolvimento cognitivo de uma criança, conforme o intelecto de um indivíduo vai se aperfeiçoando, o exercício da linguagem começa a ficar mais complexo e a pessoa amplia seus recursos, tornando-se capaz de transmitir informações de maior complexidade.

Mas um adulto pode também aperfeiçoar a sua linguagem no sentido de transmitir com maior exatidão aquilo que é captado pela percepção, atenção ou memória e processado por seu pensamento.

Aprendizagem

cognitivo - aprendizagem

Depois de entrar em contato com a informação, armazená-la e refletir sobre ela, o que sobra?

A aprendizagem, ou seja, o processo cognitivo em que um padrão de comportamento muda devido a essa experiência de processar uma informação.

Convém observar que a aprendizagem engloba muito mais coisas do que o estudo tradicional – aprender um novo idioma ou pegar um livro e ler o conteúdo que vai cair em uma prova, por exemplo.

Nós aprendemos também a andar de bicicleta, mas antes disso a caminhar, a sorrir e a nos cumprimentarmos.

Todos os comportamentos novos, que não tínhamos antes, são aprendidos, mesmo que a pessoa não se dê conta do momento em que esse aprendizado acontece.

Claro que há também comportamentos que não necessitam de aprendizagem, pois já estão contidos em nosso material genético. Como dormir, respirar e outras funções automáticas de nosso organismo.

Outras exceções são as mudanças comportamentais que acontecem devido ao consumo de substâncias psicoativas e doenças, que não são consideradas aprendizagem.

Podemos dividir esse processo cognitivo em algumas categorias. Uma delas é a aprendizagem não associativa.

Ela envolve a habituação, que consiste em aprender a não reagir frente a determinado estímulo, ou seja, a selecionar apenas as informações que consideramos relevantes.

E também a sensitização, na qual o indivíduo aprende a reconhecer um estímulo ameaçador, que passa a despertar seus reflexos.

Já a aprendizagem associativa tem maior complexidade, pois consiste no vínculo entre um estímulo e uma resposta.

Existe ainda a aprendizagem por observação e imitação, que é quando uma pessoa observa o comportamento de outra, o repete e aprende a partir dessa experiência.

E, por último, a aprendizagem com recurso a símbolos e representações. Ela aparece quando um conhecimento novo é formado a partir da associação com os aprendizados anteriores, preservados na memória.

Como o Coaching Pode Ajudar Com Processos Cognitivos?

cognitivo - Coaching processos cognitivos

A terapia cognitiva é uma abordagem bastante utilizada no trabalho de profissionais da psicologia.

Ela parte da ideia de que o comportamento de uma pessoa não é ditado pela situação, mas sim pela maneira com que ela processa as informações que recebe. Ou seja, pelo seu perfil cognitivo.

Desse modo, a terapia cognitiva busca identificar pensamentos distorcidos e corrigi-los, sempre com o objetivo de promover transformações positivas.

E o coaching, onde entra nessa história? Ele é um processo que tem várias semelhanças com a terapia cognitiva.

A começar pelo objetivo, que é trabalhar as características individuais da pessoa, de modo que sua qualidade de vida melhore.

Mas é esse o objetivo do coaching? Em última instância, sim. Ao contrário do que muitos pensam, o coaching não é restrito ao planejamento da carreira profissional.

Na realidade, trata-se de um processo muito mais amplo. Um coachee (o cliente do coach, aquele que busca os serviços de coaching) pode definir, sim, objetivos específicos, como passar em um concurso ou obter uma promoção em seu emprego.

No final, mesmo que o processo tenha sido orientado a esse nível de especificidade, o coachee vai experimentar, sim, uma melhor qualidade de vida.

Porque o coaching faz com que o objetivo seja alcançado a partir da transformação de alguns processos cognitivos.

A pessoa vai melhorar a maneira como capta e processa os estímulos que recebe, e essa habilidade será útil para muito além do objetivo que foi proposto inicialmente.

É Possível Melhorar a Cognição?

cognitivo - É Possível Melhorar a Cogniçao

É claro que sim!

Você nunca ouviu falar que o cérebro é como um músculo? A ideia é de que, quanto mais ele for usado, mais eficiente ele será.

A comparação serve para enfatizar como é possível melhorar nossas funções cognitivas, sim, mas é bom esquecermos um pouco ela na hora de entrar em ação.

Porque o desenvolvimento cognitivo é muito diferente do processo de hipertrofia que uma pessoa experimenta com o hábito de puxar ferros na academia.

É bem mais complexo, porque estamos falando na mudança de comportamentos na percepção, atenção, memória, linguagem, pensamento e aprendizagem.

Não há nenhuma fórmula mágica para isso, porque cada pessoa tem padrões cognitivos diferentes.

Como você pôde perceber, existe muita ciência por trás do estudo da cognição dos seres humanos.

Com tanta gente investigando a questão há décadas, existe uma série de métodos que provaram ser mais eficazes para melhorar os processos cognitivos.

Nos cursos da SBCoaching, pioneira nessa área no Brasil, são utilizados procedimentos cientificamente comprovados.

A base científica inclui estudos da psicologia cognitiva, psicologia comportamental, psicologia positiva, ciências organizacionais e neurociências.

Além de conceitos da filosofia, educação de administração (negócios, processos e práticas de liderança e recursos humanos).

O processo leva o coachee a novos entendimentos, criando comportamentos novos, mais saudáveis e alinhados com os seus objetivos.

O resultado prático disso é maior capacidade para ampliar suas realizações e conquistas pessoais e profissionais.

O Que São Distúrbios Cognitivos e Comportamentais?

cognitivo - Distúrbios Cognitivos e Comportamentais

Ao longo de sua vida, uma pessoa pode sofrer com um distúrbio ou transtorno em suas funções cognitivas e comportamentais.

A mais frequente é a perda de memória, comum em pessoas de idade mais avançada.

Veja bem, não estamos falando de lapsos esporádicos, aquele branco que acontece quando não lembramos de uma informação simples. Esse tipo de evento é normal.

Há casos em que se começa a perder informações importantes, incomuns de serem esquecidas. Quando isso se torna recorrente, o recomendável é procurar a ajuda médica.

A perda de memória não é o único transtorno cognitivo que pode acometer uma pessoa.

Também é possível desenvolver dificuldades na atenção, linguagem, percepção sensorial e velocidade de processamento da informação.

Ao perceber sintomas de problemas dessa ordem que começam a preocupar, é recomendável consultar um médico.

Tenha em mente que o processo de coaching é ótimo, mas ele serve para melhorar as funções cognitivas, nem sempre para tratar de distúrbios.

A partir do diagnóstico, aí sim é possível considerar tratamentos alternativos. Como no exemplo que apresentamos anteriormente sobre o déficit de atenção.

Nesse caso, o tratamento com medicação pode não ser a melhor opção, já que pode gerar um condicionamento nocivo.

Em casos que não são clínicos, sinta-se livre para experimentar o coaching e descobrir ótimas maneiras de transformar padrões cognitivos para ter maior satisfação em sua vida.

Conclusão

Se você chegou até aqui e leu todo o conteúdo deste texto, já está muito bem informado sobre o que é um processo cognitivo e como ele impacta sua vida, não é mesmo?

Aproveite as informações adquiridas e passe a analisar como tudo que você aprendeu aqui se manifesta em seu dia a dia.

Quais são os seus padrões de percepção, atenção, memória, linguagem, pensamento e aprendizagem? E quais desses processos cognitivos você gostaria de desenvolver e aprimorar?

Tendo a resposta a essas perguntas, é hora de entrar em ação.

Entendemos que o primeiro passo é o mais difícil, porque, mesmo lendo muito sobre a teoria cognitiva, é complicado saber por onde começar.

Por isso, a nossa recomendação é procurar o serviço de um coach qualificado, com formação na SBCoaching. Ou você mesmo experimentar o Personal & Professional Coaching.

O curso não é dedicado apenas a quem deseja seguir essa carreira, mas a qualquer pessoa que queira transformar a sua vida para melhor.

O aluno desenvolve a habilidade de promover mudanças sustentáveis em sua vida.

E isso passa pelo fim de alguns hábitos e comportamentos que mais atrapalham do que ajudam. Ou seja, ocorre o desenvolvimento cognitivo.

Depois do curso, será possível identificar os padrões cognitivos quando eles estão se formando, tornando mais fácil eliminá-los.

O aluno consegue desenvolver uma incrível capacidade de superar problemas, obstáculos e bloqueios que, hoje, o impedem de alcançar seus objetivos.

Quer experimentar? Então, acesse a página do curso. Aproveite e conheça as outras formações da SBCoaching navegando pelo site.

Se tiver dúvidas ou sugestões, deixe um comentário abaixo ou entre em contato conosco.

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