Atividade física para crianças: um debate importante na era das redes sociais

Atividade física para crianças: atenção às recomendações da Organização Mundial da Saúde

Há alguns meses, repercutiu na imprensa uma polêmica sobre o perfil do Instagram de uma menina, de apenas nove anos, que se define em suas redes sociais como “Blogueira Infantil Fitness”. O que chamou atenção dos especialistas foi o conteúdo que ela postava (fotos e vídeos) para exibir sua rotina de exercícios na academia, além da sua dieta para manter o corpo em forma.

E a questão aqui vai muito além da prática dos exercícios físicos, porque obviamente, independentemente da idade, eles sempre serão recomendados. O grande problema é a exposição, pois a criança se auto impôs o padrão de beleza exigido pela sociedade, e isso pode afetar psicologicamente e emocionalmente o seu futuro.

Ao incentivar essa cultura da magreza e da “barriga negativa”, o alerta é também para os possíveis problemas que podem ser desencadeados: como distúrbios alimentares (anorexia, bulimia, compulsão alimentar e ortorexia), por exemplo.

A Organização Mundial de Saúde recomenda pelo menos 60 minutos de atividade física diária, moderada ou intensa, para quem tem entre 5 e 17 anos. E a OMS indica exercícios que incluam brincadeiras, jogos, esportes, locomoção, recreação, educação física ou exercício planejado em família ou durante participação em atividades comunitárias.

A pratica de exercícios físicos é recomendada a partir dos 5 anos de idade. O ideal é que os pais estimulem os filhos com atividades em grupo, esportes com a turma do colégio, brincadeiras em clubes e prédios, lutas, natação, ou qualquer atividade, que além de saudável e prazerosa, possa estimular a convivência social.

Porém, se a criança realmente tiver vontade de frequentar a academia, o ideal é procurar por espaços que tenham serviços especializados para crianças, e principalmente: fazer com que essa criança seja acompanhada de um profissional durante o período do seu treino, garantindo que as cargas da musculação sejam leves (a OMS fala em no máximo 2 quilos) e não prejudiquem o crescimento dos ossos.

É importante ressaltar que crianças que começam cedo demais na malhação podem ter problemas hormonais. O treino de hipertrofia só é recomendado quando o adolescente já tiver finalizado sua maturação óssea.

MINHA EXPERIÊNCIA DE MÉDICA E MÃE: DENTRO DE CASA

Na condição de médica, me responsabilizo por cuidar da alimentação de minha filha, e também sou a responsável pela supervisão de sua rotina de atividades aeróbicas. Eu frequento diariamente a academia e gosto muito de me exercitar, e inevitavelmente me tornei um modelo de inspiração para que a minha filha desejasse o mesmo.

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Exercícios devem ser fontes de saúde e diversão para as crianças

Do ponto de vista da qualidade de vida e do relacionamento positivo que nasce a partir dessa rotina, posso dizer que a minha experiência pode ser igualmente prazerosa para todas as mães e filhas que se sentirem felizes com a prática de exercícios. Mas, gosto de deixar bem claro que eu só permiti que a minha filha fizesse academia respeitando algumas condições: a Luiza só vai às aulas acompanhada por mim.

Eu também passei uma instrução para ela evitar qualquer tipo de foto exibindo o seu corpo nas redes sociais. E conforme havia dito no texto acimo, ela é uma criança, portanto, só pode praticar exercícios sob a orientação de um professor (devidamente habilitado para a função).

Esses cuidados básicos são determinantes para assegurar que as crianças pratiquem exercícios de modo saudável, espontâneo, divertido e inspirador, longe de qualquer modismo ou perigo estimulado por “conteúdos” destorcidos, que se tornam rapidamente hits, nas redes soc