Segundo o filósofo e pedagogo Martin Buber, a conversação no processo de coaching é caracterizada pela inclusão, o que significa reconhecer o coachee como indivíduo, ouvindo e respeitando seu ponto de vista sem julgamentos. Aliás, como é desafiador não julgar os erros alimentares!

Mas uma forma de entender esses “erros” e contribuir para que eles não se repitam ou se tornem menos frequentes é entender o que está por trás do ato de comer, o que é bastante complexo. A comida, muitas vezes, é o remédio para o vazio afetivo da alma. Você tem fome de quê? O que está faltando?

Do ponto de vista organoléptico, alguns alimentos, em especial, são capazes de aumentar neurotransmissores relacionados ao bem estar; o que provisoriamente alivia alguma carência afetiva. Os alimentos mais calóricos, como chocolates, massas e doces, possuem essa capacidade. Veja como ocorre o processo: a pessoa acima do peso tem baixa autoestima, tanto por se achar desapropriada ao padrão estético da sociedade – até mesmo se enquadrar em um padrão mórbido no que diz respeito à saúde física.

Esta baixa autoestima cria um “mal estar” que se resolve rapidamente com o “bem estar” provisório ocasionado pela comida. Na sequência vem outro mal estar, o de não se segurar perante um prato de torta de limão, ou diante do quarto pedaço de pizza. A pessoa não se sente mais dona da sua vida. Parte dela quer emagrecer e parte quer comer. Ela se sente fragmentada, fraca, triste…

A bola de neve instaurada parece não ter fim, pois a real fome e as carências que a motivam não estão tão conscientes. A arte de torná-las conscientes, através de perguntas poderosas, é capaz de pôr fim ao ciclo vicioso do ganho de peso.

A nova compreensão de si traz acontecimentos. Perceber a essência do problema em paralelo à responsabilidade para agir e mudar é a solução para manter o foco quando o assunto é o emagrecimento.

Se a pessoa está no dilema de querer emagrecer, mas parte dela quer comer excessivamente, o que a leva a cair em tentação?

Imaginei uma pergunta que traria grande impacto nesta situação: se existisse uma oportunidade para você se sentir melhor neste momento e que não fosse comida, o que seria?

É impressionante como a maior parte das pessoas cita exatamente o que lhe aflige: uma promoção no trabalho, o carinho da pessoa amada, ter uma dívida quitada e até situações do passado são possíveis vir à tona; a atenção do pai, a mágoa de um irmão e a baixa autoestima na infância e na juventude (pasmem!), como a menina magrela da turma ou o garoto franzino e fracote. Pegou?

Sim, às vezes a autoestima está baixa pelo fato de a pessoa estar acima do peso. Mas a primeira mensagem de ausência de autoestima que ficou impregnada no corpo foi a de uma criança magrela. É de emocionar quando surpresas como esta surgem na sequência de uma pergunta poderosa.

Embora na medicina tenhamos aprendido que cada caso é um caso, e que também podemos nos deparar com surpresas, no coaching a infinidade de imprevisibilidades que surge é algo encantador. Sim, você poderá se deparar com muitas respostas que conduzem ao passado, mas no coaching o foco é futuro. E aí vem a pergunta: O que você gostaria de ser daqui a 6 meses? Com quantos quilos vai estar? O que você gostaria de ter daqui a um ano?

É importante estar atento ao fato de que lidar com emagrecimento é algo que pode trazer grandes emoções, inclusive negativas. E é aí que precisamos de perguntas para a mudança de estado emocional: como você se sentiria agora se soubesse que é completamente capaz e confiante para emagrecer?

Coloque-se no futuro agora e pense sobre ter conseguido chegar ao peso ideal. Apenas permita-se sentir e curtir a sensação que seu corpo tem agora. Vá voltando ao momento presente trazendo consigo essa sensação. De quais novas possibilidades você se tornou consciente?

Outra pergunta que também contribui para levantar padrões é: que situações ou sentimentos fazem com que você perca o controle alimentar?

E para a pessoa compreender que o alívio é passageiro: de que modo esse pensamento contribui para que você encontre uma solução?

E finalmente, para trazer responsabilidade, condição essencial para êxito no emagrecimento, pergunte-se: se a solução desta dor dependesse apenas de você, o que faria?

Parece simples, mas pude constatar com base na observação dos sentimentos e atitudes de quem está acima do peso o quanto a pessoa se sente vítima, como se o universo conspirasse para o ganho de peso. A culpa é do metabolismo lento, da genética (meus pais são gordos!), do dinheiro (comida light é caro! Academia é caro!), do trabalho (não tenho tempo para exercitar ou me alimentar de 3 em 3 horas!), do esposo (eu faço dieta, mas ele me leva para jantar na churrascaria…), da gestação (eu era magra, mas engordei na gravidez e agora não posso me cuidar pois preciso dedicar aos filhos!).

Enfim, inúmeras são as formas de se livrar da responsabilidade e uma maneira de compreendê-la e incorporá-la é refletindo e respondendo a uma poderosa pergunta.

Sentir-se responsável é um grande passo nesta batalha tão árdua que é a perda de peso.

E como disse Albert Einstein: “se eu tivesse uma hora para resolver um problema e minha vida dependesse da solução, eu passaria os primeiros 55 minutos determinando a pergunta certa a ser feita, pois, sabendo a pergunta certa, eu poderia resolver o problema em menos de cinco minutos”.