A comunicação humana é interpretada da seguinte maneira: 7% dependem do que a pessoa fala,  38% do tom de voz e, nada menos, 55% estão ligados à postura corporal, gestos e ao olhar.

A comunicação humana é interpretada da seguinte maneira: 7% dependem do que a pessoa fala, 38% do tom de voz e, nada menos, 55% estão ligados à postura corporal, gestos e ao olhar.

(por Marco Beck)

Imagine a cena: você está discutindo com seu sócio e de repente ele garante que às seis da tarde de ontem estava preso no trânsito, acabou a bateria do celular e por isso não avisou você que ia se atrasar para a reunião.

E você rebate com convicção: “Mentira!”

A sua convicção pode ter duas origens. Primeiro, pode ser que seu sócio diga uma coisa, mas o tom da voz, o olhar e os gestos digam outra. No livro “Silent Messages” (ou “Mensagens Silenciosas”), o pesquisador do comportamento Albert Mehrabian afirma que a comunicação humana é interpretada da seguinte maneira: 7% dependem do que a pessoa fala,  38% do tom de voz e, nada menos, 55% estão ligados à postura corporal, gestos e ao olhar.

Logo, se os 93% não-verbais da comunicação revelam que seu sócio não ficou preso no trânsito às seis da tarde de ontem e os 7% que correspondem à fala (propriamente dita), garantem que sim, você terá certeza de que seu amigo está mentindo mesmo que ele afirme o contrário.

Mas você também pode ter essa certeza porque já mentiram muito pra você no passado, você já se machucou por acreditar nas pessoas e daí seu medo de ferir-se outra vez o fará “ler a mente” do seu sócio, fazendo com que conclua que ele está mentindo, ainda que não esteja.

Se descobrir que anda praticando 'telepatia', dê um passo atrás e um voto de confiança.

Se descobrir que anda praticando ‘telepatia’, dê um passo atrás e um voto de confiança.

São duas situações totalmente diferentes. Na primeira, você está tranquilo, centrado, e assim pode perceber a linguagem corporal da pessoa, seu tom de voz, o jeito como ela olha, e chegar a uma conclusão.

Na segunda hipótese você está assustado, com a cabeça cheia de suspeitas, e seja o que for que tenha acontecido ontem, às seis da tarde, a sua conclusão será a de que seu sócio mentiu.

Então fica a sugestão: respire fundo e veja em qual dos dois casos as suas ‘certezas’ se enquadram e, se descobrir que anda praticando ‘telepatia’, dê um passo atrás e um voto de confiança.