mulher meditação

Um grande motivo que faz com que as pessoas abandonem seus trabalhos numa determinada empresa é a falta de compatibilidade entre seus valores e os da organização.

(Por Daniela Assunção)

Um grande motivo que faz com que as pessoas abandonem seus trabalhos numa determinada empresa é a falta de compatibilidade entre seus valores e os da organização. Se, inicialmente, o que nos atrai para ela é um conjunto de fatores como posição hierárquica, possibilidades de aprendizado e desenvolvimento de certas habilidades e competências, e mesmo ganhos financeiros, o que faz com que realmente permaneçamos lá vai além disso.

Se pensarmos nossa vida como a possibilidade de nos desenvolvermos e utilizarmos nossos talentos e recursos da melhor forma possível, o mais nobre é que possamos exercer isso em cada e todas as áreas que nos competem: pessoal, profissional, social, familiar, ambiental, etc. E para isso, conhecer-se é fundamental. A vida moderna tem nos vendido e impregnado de uma sede de urgência onde parece não caber mais um tempo para olhar para aquilo que é realmente importante para cada um de nós. E só conseguimos fazer isso se identificarmos claramente quais são os nossos valores – algo que pauta nossas escolhas e ações, mas nem sempre temos consciência de sua importância e profundidade.

Por exemplo, é frequente termos clientes que comentam que um de seus valores mais importantes é a família. Porém, para que possam proporcionar a vida que acreditam ser a ideal (ou aquela que a mídia e a sociedade impõem) à sua família, acabam se dedicando em demasia ao trabalho, a fim de ter a renda necessária para atender toda essa demanda. A consequência disso é um afastamento, por “falta de tempo”, daquilo que ela julgava ser tão importante: sua família! Como este temos vários outros exemplos de situações que ilustram nossa necessidade de atender um valor de menor importância, ou maior urgência por conta de uma situação momentânea, em detrimento de outros mais elevados.

No entanto, no decorrer e ao final da vida, é em função de temos atendido esses propósitos mais relevantes que nos sentiremos realizados. Se observarmos as pessoas que mais admiramos, elas têm uma coisa em comum, independentemente de opiniões pessoais a respeito de suas atitudes: elas vivem por seus valores. Nesta lista temos casos clássicos como Gandhi e Madre Teresa que dedicaram sua vida por algo que acreditavam e que ia muito além de seus interesses individuais. Mas podemos pensar também em pessoas mais próximas como aquele profissional que não se deixa corromper ou alguém que diga “não” com tanta propriedade que, mesmo não gostando de ouvir essa resposta, você sabe que ele está sendo autêntico e completamente alinhado com aquilo que acredita.

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Um exercício que vale a pena ser feito de tempos em tempos é identificar como sua vida tem caminhado.

Nossos valores sofrem pouca variação ao longo da vida, o que geralmente muda é a forma de atendê-los. Um exercício que vale a pena ser feito de tempos em tempos é identificar como sua vida tem caminhado, os projetos nos quais você tem se envolvido, se eles atendem ou não a esses valores, o que precisa mudar ou pode ser melhorado. Além disso, vale avaliar também seus relacionamentos, que tipo de troca e crescimento eles têm lhe proporcionado, quais valores eles têm contribuído em atender? O que está faltando para que você se sinta em paz consigo mesmo? Identificar de onde exatamente vem esses valores – especialmente se você é coach e está trabalhando essa questão com seu cliente – também é um ponto importante, já que eles advêm de nossa educação, sociedade, mídia, etc. e, como dito no início, nem sempre refletem aquilo que é realmente valioso para a pessoa em questionamento.

Quando identificamos e encontramos os meios para colocar isso em ações, a vida flui num ritmo em que não precisamos correr contra ou atrás do tempo, pois tudo toma o seu ritmo certo. Você sabe identificar aquilo que é realmente importante para você? Quais são os SEUS valores?