colaborador multitarefa

Você conhece o termo “Multitasking”?

(Por Daniela Assunção)

É cada vez mais comum as pessoas se orgulharem de dar conta de duas ou mais tarefas ao mesmo tempo como dirigir e falar ao celular, responder e-mails enquanto conversa com alguém a sua frente, abrir várias telas de navegação na internet além dos programas específicos de trabalho, fora os papéis em cima da mesa para processar, colaboradores aguardando para uma reunião, enfim… Uma série de atividades parecem comandar nossos dias e não nós a elas. A demanda externa é cada vez maior, o tempo cada vez mais acelerado e as urgências já são parte da rotina, especialmente de quem vive nas grandes cidades. Tudo precisa ser feito agora, decidido agora!

O termo “multitasking”, que é usado há décadas para descrever a capacidade de processamento de computadores, é agora aplicado a nossa tentativa humana de fazer, simultaneamente, tantas coisas quanto possíveis, o mais rápido possível, de preferência utilizando o maior número de tecnologias disponível. Na verdade, nosso cérebro é incapaz de processar duas atividades – que requerem atenção – ao mesmo tempo. Você pode vestir uma roupa ou deslocar um móvel enquanto conversa com alguém, mas se tiver que escolher uma combinação de cores ou o local da mesa, será preciso uma pausa na conversa para que seu cérebro processe as informações para decidir. Pense também numa situação corriqueira em que conversa com amigos no carro enquanto dirige para um local conhecido. Se já souber o trajeto, você sente que pode “ligar o piloto automático” e seguir tranquilamente. Mas se houver qualquer necessidade de alteração do caminho, é bem provável que você precise pausar a conversa por alguns instantes para pensar em rotas alternativas.

O problema é que estamos associando cada vez mais tarefas, e tarefas mais complexas para serem feitas ao mesmo tempo. Muitas delas podem envolver decisões importantes de trabalho ou mesmo a própria vida.

Quando consideramos estar no “modo multitarefa”, o que o nosso cérebro faz na verdade é mudar de uma atividade para outra de forma rápida. Mas fato é que nunca estamos totalmente atentos a mais do que uma num dado instante. Ser multitarefa pode parecer muito eficiente a princípio, mas o dispêndio de tempo e energia é maior, se olharmos acuradamente. O cérebro precisa se “desconectar” de uma atividade (como a leitura de um texto no computador, por exemplo) para se “conectar” a outra (ler e responder um e-mail sobre o qual acabou de receber um aviso no smartphone). Não só existe um tempo – que aparentemente é de algumas frações de segundo – para que o cérebro “pule” de uma atividade para outra, como há também uma “mudança interna de regras” para responder a tais demandas.

Pesquisas sobre este assunto têm sido feitas nos EUA há mais de uma década por psicólogos em universidades e também em empresas, e constatou-se que ser interrompido o tempo todo por telefonemas e e-mails pode causar perda de memória de curto prazo além de produtividade, e aumento de ansiedade e stress. Então, como dar conta de tudo?

colaborador tranquilo

Como reconhecer e priorizar o que é mais importante? O que é preciso para organizar sua agenda e cumpri-la no prazo estipulado?

Talvez a primeira pergunta a ser feita seja: “do que eu realmente preciso e quero dar conta?” Com tantas informações disponíveis o tempo todo, é fácil nos perdermos num “mar virtual sem foco e nem direção”. Acabamos assumindo responsabilidades demais sem ter um direcionamento claro e objetivo, além de não nos organizarmos de maneira eficaz. Além disso, criamos em nós mesmos a necessidade de compartilhar tudo o que vemos, queremos e fazemos e, claro, tudo ao mesmo tempo agora! Só temos nos esquecido de VIVER de verdade esse agora!  O resultado? Um final de dia cansativo, uma semana extenuante e um mês que parece nunca acabar. É preciso férias para recarregar as baterias, mas, mesmo estas podem ser cansativas!

Então, como reconhecer e priorizar o que é mais importante? O que é preciso para organizar sua agenda e cumpri-la no prazo estipulado, assumir compromissos que sejam relevantes a você, além de ter prazer em suas atividades diárias? O mesmo vale para as empresas em si, no que tange a motivação de seus colaboradores. Suas atividades estão alinhadas às suas competências e responsabilidades? Os líderes têm observado e sabido extrair o melhor de cada liderado, sem sufocá-lo e permitindo seu crescimento? O que pode ser melhorado? Um de nossos objetivos em coaching é resgatar esse alinhamento de ações e escolhas aos valores de cada um, de um grupo ou de uma organização.

Afinal de contas, de que vale encher seus dias de tarefas se você não se permite desfrutá-las integralmente? E se elas não estiverem alinhadas ao seu propósito de vida? Quando foi a última vez que você teve uma simples refeição na presença de uma boa companhia sem estar atento ao celular ou à televisão? Quando deu seu último mergulho no mar sem se importar em registrar e compartilhar o fato? Ou quando ultrapassou suas metas por utilizar todo o seu talento num projeto específico? Consegue se lembrar como se sentiu? Momentos como estes não precisam ser exceções em nossas vidas. Podem ser vividos com mais intensidade se soubermos nosso propósito, conhecermos nossos valores, aquilo que realmente é importante para nós, e estiverem alinhados com nossa visão de futuro.

Mais do que apresentar respostas ou soluções, espero ter feito você refletir um pouco mais sobre sua rotina e escolhas diárias.