Olhe no espelho

As pessoas com quem nos interagimos são nossos espelhos

(Por Mariana Viktor)

Já parou pra pensar que… não, pensar, não, mas perceber que a forma como nos relacionamos conosco mesmos através do nosso diálogo mental e das emoções que sentimos é exatamente a forma como, sem tirar nem pôr, nos relacionamos com os outros, com a vida, com o mundo? E que as pessoas com as quais interagimos são nossos espelhos?

Explicando: se a mesquinharia de alguém me irrita, por exemplo, é interessante sondar meus labirintos internos para descobrir onde estou sendo mesquinha comigo mesma e, automaticamente, com os outros, sem perceber. Sim, sem perceber, porque nossa mente consciente é só uma camadinha que recobre um universo chamado inconsciente, de onde parte a maioria de nossos pensamentos, emoções e, em consequência, nossas atitudes e interações.



No livro Magia interior – como dominar o lado sombrio da psique (Editora Mercuryo), Robert Johnson diz que tendemos a ocultar aquilo que achamos inadequado em nós. Quando esse “inadequado” é percebido no outro, reagimos sentindo desconforto emocional e acabamos julgando a atitude da pessoa:

– Fulana é tão arrogante!

– Beltrano é acomodado!

Talvez Fulana não seja realmente arrogante; existe a possibilidade de que seja apenas reservada, distraída ou quem sabe pouco simpática com desconhecidos. E como saber que Beltrano é mesmo acomodado? Talvez esteja em crise há anos – quem nunca se sentiu estagnado em alguma área da vida e simplesmente não conseguiu desempacar? Porque bloqueios diante de determinados desafios ou etapas muitas vezes nos dão a ilusória sensação de sermos incapazes de agir.

lidando com pessoas

Pense antes de julgar

 

Então, da próxima vez que se sentir excessivamente incomodado com a atitude de alguém, que tal dar uma paradinha e refletir:

“Será que estou correto em meu julgamento?”

“Será que ajo dessa mesma maneira comigo e com os outros?”

Porque muitas vezes esquecemos de lembrar que todo julgamento parte de nossos filtros, de nossos arquivos, do nosso mapa mental e do enredo que criamos ao interpretar o que outra pessoa faz ou aparenta ser. Então, cada julgamento que emitimos é mais sobre nós do que sobre o outro, na medida em que só podemos ver no outro o que existe em nós.

Curioso, não?

Pra encerrar esse texto com um up gostoso: no mesmo livro, Johnson faz outra colocação interessante – a de que também tendemos a reprimir nossas melhores qualidades e a admirar as pessoas que externalizam essas mesmas características.

Como disse Nelson Mandela: “Nosso medo mais profundo não é que sejamos inadequados. Nosso medo mais profundo é que sejamos poderosos demais. É nossa sabedoria, não nossa ignorância, o que mais nos apavora”.