GROW é um dos mais conhecidos modelos de coaching

GROW é um dos mais conhecidos modelos de coaching

(Por Fernando Colella)

Para os coaches que leem este artigo, o tema aqui tratado deve parecer mais que familiar, e talvez soe até antiquado. De fato, há alguns profissionais de coaching que tratam o GROW como uma roupa velha que já está fora de moda, tal  o arsenal de ferramentas, técnicas e modelos que temos a disposição hoje em dia para lidar com nossos clientes. Mas será que, neste caso, ser antigo é o mesmo que ser ultrapassado?

Para quem caiu aqui de paraquedas, o GROW é um dos mais conhecidos modelos de coaching. Desenvolvido por Graham Alexander e popularizado por John Whitmore, no ano de 2004, seu objetivo é conduzir reflexões e decisões através de passos simples e de forma prática. Ele pode orientar todo um processo de coaching, apenas uma sessão ou ser utilizado por qualquer pessoa como um guia para busca de alternativas e tomada de decisão, ante crises, problemas ou planejamento de metas.

Grow

Mas talvez a questão mais relevante aqui seja: se há tantos outros modelos e técnicas mais recentes com o mesmo objetivo, por que ainda utilizar o GROW? Simplesmente porque sua grande força é a simplicidade aliada à enorme eficácia. Modelos complexos e com muitos passos podem ser excelentes para lidar com processos mais demorados e detalhados, mas o GROW sempre poderá ser utilizado por um coach, quando este precisar atacar uma questão do cliente de forma rápida e objetiva, ou por qualquer um que necessite fazer escolhas ágeis e bem ponderadas.

Enfim, o objetivo aqui é duplo. Para os profissionais de coaching, este artigo defende que a clássica música do Sérgio Reis, “panela velha é que faz comida boa”, se aplica perfeitamente a solução adotada por Whitmore. Para aqueles que ainda pretendem seguir essa carreira, ou para quem simplesmente se interessa por desenvolvimento pessoal, apresentamos um modelo tão simples quanto eficaz, para orientar, de forma estruturada, os momentos importantes de resoluções.

 

O primeiro passo consiste em definir de forma clara e detalhada qual é a meta a ser trabalhada

O primeiro passo consiste em definir de forma clara e detalhada qual é a meta a ser trabalhada

GROW, que sugestivamente significa “crescimento”, é na verdade um acrônimo formado pela combinação das primeiras letras de quatro palavras da língua inglesa: Goal (meta), Reality (realidade), Options (opções) e Will (vontade). Essas quatro palavras orientam os passos do modelo, a serem dados nessa ordem. Porém,  é  importante ressaltar a revelação: “GROW, sem um contexto de CONSCIÊNCIA e RESPONSABILIDADE, mais a habilidade de questionamento que as gera, tem pouco valor”,  afirmação de Whitmore no livro “Coaching para Performance”.

Resumidamente, o primeiro passo consiste em definir de forma clara e detalhada qual é a meta a ser trabalhada (Goal). Em seguida, verificamos a realidade para explorar a situação atual e entender o que precisa ser mudado (Reality). Na terceira etapa o objetivo é analisar as opções disponíveis e verificar a viabilidade de cada uma delas para escolher a melhor (Options). Por fim, transformamos decisão em plano de ação e geramos o comprometimento pleno com a meta (Will).

Coaches que utilizam o GROW em suas sessões podem potencializar a aplicação do modelo fazendo uso de outras ferramentas de coaching associadas a cada uma das etapas. Técnicas de especificação de objetivos ou listas de sonhos podem ser utilizadas quando a meta estiver sendo trabalhada. Para a realidade, a Roda da Vida ou um levantamento de valores podem ser bastante úteis. Listas de Brainstorming são perfeitas para levantar opções e, por fim, a última etapa pode ser melhor explorada com um auxílio de um Road Map ou até mesmo em conjunto com estratégias de gestão do tempo.

Para os que não trabalham com coaching, mas que desejam o conhecer melhor o GROW a fim de utilizá-lo em suas tomadas de decisões ou para estruturar objetivos, apresentaremos cada um de seus estágios em mais detalhes na segunda parte deste artigo, incluindo perguntas assertivas indicadas por John Whitmore e outras dicas que ajudarão a tirar o máximo das possibilidades oferecidas pelo modelo.

Certamente será uma leitura de grande valia aos que pretendem ampliar o seu repertório de técnicas voltadas ao desenvolvimento pessoal. Para quem já conhece o bom e velho GROW, será também uma boa oportunidade de revisão e para pensar em novas possibilidades de uso deste que é um dos mais úteis e práticos modelos de coaching já criados. Portanto, não deixe de acompanhar. Até breve!