As decisões são tomadas baseadas em nossos valores.

As decisões são tomadas baseadas em nossos valores.

(Por Marinaldo M. Guedes)

Há algum tempo venho insistindo em palestras que envolvam valores, metas, objetivos, sonhos, missão, visão, ações, planos, planejamento. A lista parece interminável. Como combinar o que é o quê e tirar o melhor proveito para sua performance. “Conhece-te a ti mesmo” não estava escrito à toa no frontão do templo de Delfos, o lugar mais famoso da antiga Grécia. É algo que levamos a vida inteira para compreender. É por isso que nem todo mundo está disposto a pagar o preço do autoconhecimento.

A base de tudo está nos valores. Ser bom ou mal são expansões desses valores que adquirimos no início da vida e vamos compondo com o passar dos anos.  Valores são as nossas impressões digitais da alma. Não há uma só pessoa igual a outra. Portanto, a outra banda da laranja é só uma expressão dos apaixonados. Os códigos são diferentes. Mesmo que os valores sejam iguais, os parâmetros são diferentes. O que é família, amor e ética para você é diferente para mim e para qualquer outra pessoa. A codificação é diferente.

De qualquer forma, são os valores que regem nossas decisões. As decisões são tomadas baseadas em nossos valores. Ao agradá-los, sentimos que fizemos a coisa certa. Tomando um posicionamento contrário aos nossos valores, nos sentiremos exaustos, confusos e tristes. O DNA perde a coloração.

Isso tudo fica bem mais claro quando você sabe quais são os seus valores. Os gregos eram considerados educados quando sabiam e viviam por seus valores. Eram reconhecidos pelas suas atitudes. Era a sua assinatura. Todos sabiam o que esperar daquele cidadão. Ter valores claros era ter honra. Os mestres orgulhavam-se de seus tutorados. O aprendiz consolidava seu aprendizado naquilo que vivia todos os dias.

Atualizando nossa conversa, quantos problemas e sofrimentos evitaríamos em família, no trabalho, clube ou igreja pelo simples exercício de buscar e encontrar nossos valores. Como seria bom se os valores de cada pessoa transbordassem e ficassem claros para os demais o quanto isso é importante para o outro.  Com tamanha evidência, seria mais fácil respeitar as pessoas.

Uma nação que não vive seus valores abre mão de ter uma visão.

Uma nação que não vive seus valores abre mão de ter uma visão.

Em tempos de campanha política, onde a população cria padrões para poder votar em alguém que imagina o mais adequado para este momento de escolhas importantes, é um chute no escuro.  É notório que todos pedem honestidade e trabalho.  Em dado momento, meio que no desespero, pede trabalho e, se possível, alguma honestidade. O que é lamentável, pois estes princípios deveriam ser a base da evolução de um candidato ou de um político com mandato. Competências é que deveriam ser levadas em conta. Articulação, versatilidade, proatividade, conhecimento social e desejável domínio da língua do país é que dariam o norte para esse ou aquele político ser votado.

Enquanto esse país não chega, amargamos 13 milhões de analfabetos acima dos 15 anos de idade e 4 milhões de toneladas de grãos a menos sendo colhidos por falta de infraestrutura de escoamento.  O que isso tem a ver com valores?  A bandeira brasileira é crivada com palavras que indicam valores, ordem e progresso. Não me parece que esses números acima representam a vivência desses valores em sua integridade. Uma nação que não vive seus valores abre mão de ter uma visão. E está longe de entender sua missão.