Quando o Líder Oprime

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Quando o Líder Oprime

Não aconteceu comigo apenas uma ou duas vezes – intrigada, perguntei a outros colegas se eles também já atenderam vários coachees que sofriam de angústia e estresse em seus ambientes de trabalho, provocados por um tipo de liderança que não fazia sentido nem há 30 anos, imagina hoje: o estilo bullying de exercer autoridade. Sim, eles também conheciam diversos casos.

Um líder é elemento-chave dentro de empresas de qualquer porte. Está onde está (diz até o senso comum), para promover o espírito de equipe, estimular e manter a motivação, a empatia, o crescimento, a produtividade, a busca de soluções criativas, a harmonia no ambiente de trabalho. Tudo isso por um motivo muito óbvio: gente feliz, valorizada, estimulada, bem liderada, trabalha melhor.

Mas por algum motivo que não foi detectado pelo RH, muitos líderes parecem estar à serviço do time adversário: promovem discórdia entre seus funcionários, desmotivam a equipe, exercem pressão só para ver a corda esticar, humilham só pelo prazer (?) de humilhar.

Não são pessoas preparadas para fazer o que fazem.

Recentemente, li o depoimento público de um designer que trabalhou numa das maiores empresas do planeta. Ele narrou em detalhes como ficou feliz ao ser contratado – e como sua vida tornou-se um inferno pouco tempo depois, até decidir pedir demissão:

“Então meu chefe imediato, que tinha o hábito de fazer insultos pessoais disfarçados de piada para qualquer um abaixo dele, começou a fazer insultos diretos e indiretos para mim. Ele era democrático com seus comentários grosseiros, mas não me fazia sentir melhor quando ele os direcionava aos membros da minha equipe. Eu me sentia mais como um adolescente trabalhando num emprego ruim do que um profissional em uma das maiores empresas do mundo…[…]…Tentei pensar com calma e olhar o lado bom das coisas. Mas as piadas, insultos e negatividade do meu chefe começaram a me distrair do trabalho. Meus colegas que se mantinham firmes e definiam limites pareciam entrar em uma lista negra e ficavam fora do círculo de pessoas que puxavam o saco. Eu comecei a me sentir uma daquelas pessoas que esperam desesperadamente pela sexta-feira, e eu odiava as noites de domingo. Poucos de meus amigos e familiares queriam ouvir que trabalhar lá não era tão legal. Eles adoravam dizer, ‘Faça pelo seu currículo’ ou ‘Você tem que ser o maior’ ou ‘Você só começou. Você ainda não pode sair.'”

Se você é um líder assim, considere questionar suas motivações e valores, refletir sobre seus objetivos e resultados: eles de fato atendem o que você deseja? Muitas vezes comportamentos destrutivos funcionam no piloto automático e realmente não temos a dimensão exata do que estamos fazendo – com os outros e conosco.

Se você é liderado por alguém assim, busque junto aos pares a solução mais harmônica para mudar este quadro positivamente. Talvez seja reunir a equipe e conversar com ele. Talvez seja levar a questão até os canais superiores. Porque é fato: a situação prejudica a todos, inclusive a própria empresa.

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