Não tem tu, vai tu mesmo? - O tempo, mais a solidão, vão nos tornando menos exigentes .

O tempo, mais a solidão, vão nos tornando menos exigentes .

(Por Marco Beck)

– Mas, Maria, se a cumplicidade acabou faz tempo, se a relação tá uma m…, por que você continua com o João?

Maria vai gaguejar, olhar para baixo à esquerda (é o que a maioria faz ao recordar estados emocionais) e enumerará uma longa lista de motivos para preservar o casamento. Filhos, memórias, a vida organizada, contas, a idade, bens… e terminará a lista com “e eu não quero ficar sozinha!”

Noutras palavras, Maria prefere uma relação de m… do que arriscar-se a ficar sozinha.

E não é só ela: o João poderia dizer o mesmo, assim como o Pedro, o Paulo, a Manuela e a Laura. Todos nós.

Foi o que concluiu uma pesquisa da Universidade de Toronto, que avaliou homens e mulheres canadenses e americanos de diversas idades e etnias. Publicado no Journal of Personality and Social Psychology, o estudo aponta que quem está há muito tempo sozinho tem a tendência de envolver-se sem considerar se a relação é a que a pessoa queria, se os dois combinam mesmo, se as diferenças não vão trazer problemas e até sérios problemas.

Não tem tu, vai tu mesmo? - Será que vale realmente a pena diminuir a própria luz para manter uma relação?

Será que vale realmente a pena diminuir a própria luz para manter uma relação?

O tempo, mais a solidão, vão nos tornando menos exigentes – e pagamos o preço por isso, claro, comendo o pão que o Tinhoso amassou. E muitos seguem comendo pãozinho com enxofre porque o medo da solidão é maior.

Será que é maior mesmo? Será que vale realmente a pena diminuir a própria luz para manter uma relação? Será que Maria merece uma vida de m…?

Pela pesquisa da universidade canadense, a resposta das três perguntas é sim.

E a sua resposta, qual seria?