O professor para mim é um parteiro

O Professor – Ele desentranha o aluno, e obriga-o a expelir-se da caverna.

Não existe aluno que não seja aluno em razão de uma clausura. Alguma coisa o retém no escuro, estranhos vínculos o prendem à inércia, ressequidas estopas entopem sua garganta, obscuras chuvas de óleo empastam suas asas e impedem-lhe o voo.

Todo aluno é alguém com medo de emergir. Não importa o porquê: se algum autoritarismo paterno o esmagou, se algum racismo peçonhento o marginalizou, se a pobreza o aviltou, se faltou-lhe afeto e agora lhe falta confiança, se não lhe permitem ser o segundo.

O mestre deve desfolhar tais sombras. Gastar todos os algodões do afeto limpando o óleo das asas. Desenferrujar as ferragens. Repassar o trator sobre as estradas em desuso. Sacar as estopas das gargantas. Acender as lâmpadas. Filtrar as águas. Proclamar que é absolutamente gostoso estar no mundo, que as coisas são surpreendentes e que os homens são fabulosos – ainda que as águas sejam turvas, as dores gerem gritos, o amor sangre sob a crueldade.

Convidado a escrever sobre a importância do professor, fui buscar no baú da memória o maior dos mestres que tive: José Paulo Bisol. O trecho acima, levemente editado, é dele. Desembargador, professor, poeta, ex-Senador, ex-Secretário de Segurança do Rio Grande do Sul, o Bisol tem 86 anos é segue sendo um exemplo de vida… E seria um coach extraordinário porque foi um coach extraordinário antes do Coaching existir.

Ao homenageá-lo, homenageio a todos os verdadeiros professores – semeadores de luz, espantadores de escuridões.

SEMANA DO PROFESSOR

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