Proposta estranha num mundo onde o esforço (qualquer um) é valorizado e o propósito geralmente causa certo (ou muito) desconforto quando não coincide exatamente com o que “os outros” esperam de nós.

O que considero aqui especificamente como “esforço” é viver dando murro em ponta de faca. Isto é, viver uma vida em que nada tem a ver com seus valores, mas com “deveres” e “conveniências” determinados por valores dos outros que você achou que precisava seguir. Uma vida que talvez não faça o menor sentido e que deixa no final do dia aquele gosto de vazio.

“E se eu decidir mudar de cidade, de profissão, de estilo de vida e o destino me passar a perna e me frustrar?”.

Este é o receio mais comum.

Mas eu pergunto: e se vivermos uma vida que não coincide conosco a jornada inteira não será por si só frustrante? O documentário Koyaanisqatsi: Life Out of Balance, dirigido por Godfrey Reggio, acelera a vida até uma velocidade frenética de forma a criar esses desconfortáveis pontos de interrogação existenciais na cabeça do espectador: “Pra quê? Apenas pra continuar mantendo isso tudo em movimento? Que movimento é esse? Para onde vai me levar?”.

Impossível assistir a esse documentário sem questionar a própria vida, caso a rotina atual esteja desrespeitando nossos valores e ritmos internos, a ponto de levar-nos à exaustão e não proporcionar prazer algum.

Aí é que entram o propósito, os valores e as metas como um sistema de gestão inteligente – matéria-prima e ponto de partida de qualquer processo de Coaching. Uma coisa é estar vivendo em Koyaanisqatsi e sendo Koyaanisqatsi. Outra é estar inserido nesse contexto, mas não ser esse contexto, e ter a noção clara de onde se quer chegar – a de que Koyaanisqatsi não é a jornada ou o ponto de chegada, mas uma ponte que leva até onde queremos ir, porque temos um propósito bem fundamentado.

E isso muda tudo. Tudo mesmo. Quando se tem essas bases internas gerindo a vida, você começa a ser feliz agora porque todo o seu sistema tem um norte, uma direção – e um sentido, literalmente – e a jornada torna-se muito mais prazerosa e leve. Para começar, você passa a respeitar seus limites, o que já faz uma diferença enorme na qualidade da vida.

Então, antes de esforçar-se por esforçar-se e terminar o dia, o mês, o ano e a vida esgotado e perguntando o porquê de tudo isso, forme uma imagem nítida do seu propósito já cumprido, porque isso apontará caminhos e, principalmente, atalhos, mesmo que hoje tudo pareça não ter saída.

É a diferença entre mover-se a esmo, ao “Deus-dará”, ou desfrutando de motivação e sentido, por mais difícil que a situação atual esteja. Como disse o empresário Jober Chaves, dono de uma das maiores escolas on-line do país, depois de sair de uma dívida de mais de 1 milhão de reais: “Todas as coisas são criadas primeiro na mente, depois no mundo físico”.