A tão desejada felicidade!

Quem acompanha meus textos sabe que sempre trago alguma provocação aos leitores. No melhor espírito de quem faz perguntas e instiga reflexão, eu encaminho temas para que cada um responda a seu modo, com base nas próprias experiências, competências e filosofia de vida. E alguém pode perguntar: o que é “filosofia de vida”?

De forma simplista, podemos resumir que Filosofia (literalmente “amor à sabedoria”) de Vida é a maneira como alguém assume seus relacionamentos fundamentais com a existência, o conhecimento, a verdade, os valores morais e estéticos, a ética e a justiça, a partir da própria interpretação do mundo à sua volta. E meu objetivo fica sendo o de levar o leitor a colocar seus pensamentos em conexão consigo próprio, o que vale para quem é coach, coachee ou apenas interessado no assunto.

Trazendo abordagem instigante com respeito à Filosofia, o pensar e o refletir formam, em si mesmos, um remédio natural e sem contraindicações. Epicuro de Samos, um dos filósofos gregos mais respeitados, colocava a felicidade das pessoas no centro do seu trabalho. E na busca do estado de “ser feliz”, dizia ele que a pessoa sempre encontrará a dor e o prazer. É em função de diminuir a dor ou aumentar o prazer que alguém aceita mudar atitudes, comportamentos, crenças e, em última instância, rever valores e princípios.

Em textos já postados, eu fiz referências a que Sócrates pode ser considerado como quem avançou com bases teóricas do que hoje se pratica em Coaching (lembrem-se da expressão “conhece-te a ti mesmo”). No cotidiano das pessoas e das empresas, o que o coach deve construir está em harmonia com a abordagem filosófica de ajudar o cliente a vencer os desafios que, de alguma forma, geram dor ou dificuldades no caminho da felicidade esperada.

Portanto, o coach competente participa do esforço de alguém para superar a dor ou ampliar a alegria, tendo em vista uma conquista pessoal (ainda que possa ser de natureza profissional).  Essa pessoa está na expectativa de encontrar um profissional com quem possa dialogar e não que só apresente diagnósticos. Então, eis que surge a primeira pedra a ser removida desse caminho: a pessoa em busca de ajuda (coachee) deve assumir a disposição para pensar, o que é a postura filosófica de entender a sua maneira própria e distinta de interpretar a vida.

Todo o ser humano tem sua filosofia própria de vida, mas são poucos aqueles que se dedicam a refletir sobre sua natureza, complexidade e como ela pode abrir o caminho para a felicidade. Não basta a pessoa se orientar apenas pelas experiências passadas, como se elas sempre fossem suficientes para responder a todo e qualquer novo desafio. É fundamental aprender a refletir sobre a vida, inclusive criticamente, identificando padrões e novas possibilidades que possam ser explorados, os quais servirão para aliviar potenciais novas dores ou facilitar o acesso a prazeres ainda não vividos.

O Coaching é hoje a possibilidade mais presente para contribuir com o exercício de reflexão sobre a vida, fugindo do estereótipo intimidador e crítico que a Filosofia carrega. A premissa que eu quero reforçar para o leitor é de que a excelente sessão de Coaching deve deixar como legado o estímulo e a capacidade de o cliente aprender a refletir e assumir conclusões, transformando-as em decisões e na disposição a agir em busca da felicidade, como resultado de encontrar menos dor ou acumular mais prazer (ou ambas as coisas) em seu caminhar.