O accountability é um ser que toma para si a responsabilidade.

O accountability é um ser que toma para si a responsabilidade.

(por Marinaldo Matos)

Foi no MBA em Coaching que o encontrei pela primeira vez, passei meio sem percebê-lo, estava longe de querer entendê-lo totalmente. O conceito ainda era muito vago. Mas o encantamento do que aquilo poderia me despertar foi intenso, voluptuoso. Então resolvi me entregar às suas linhas de aplicação. Estava pronto para experimentar o novo.  E foi assim que me relacionei com o accountability.

A palavra intriga, primeiro porque ainda não se consegue uma tradução à altura.  Simplesmente afirmar que é responsabilização não é suficiente.  Até porque esse termo surgiu nas coxias do serviço público, nas corporações.  É uma linha de raciocínio, mas não é suficiente, não para o coaching.  O accountability, no alvorecer das novas descobertas, tem seu berço nas habilidades, comportamentos e atitudes do indivíduo. É tomar a responsabilidade para si. É movimentar-se na direção de entender que a pessoa pertence ao acontecimento, portanto, digna de tomar decisões e modificar sua direção.

O accountability é um ser que toma para si a responsabilidade, não tanto porque será cobrado por isso, mas porque tem a virtude moral de entender que pertence a esta engrenagem do processo e somente ele pode fazer o que precisa ser feito. E a pessoa regozija em cumprir sua missão e sempre que possível auxilia outros no cumprimento da missão alheia. Isto é entregar-se 120% à vida.  Quem está fora, pouco entende esse esmero, o que faz do cidadão com essa característica um ser especial e raro.
Empresas, corporações e qualquer outra entidade afinam cada vez mais os processos para captar talentos com o DNA accountability. De sorte que parte dessa característica o cidadão traz de casa, da escola. E nem mesmo sabe que tem.  Outra parte pode ser desenvolvida com pré-disposição e força de vontade. O ambiente saudável vai interferir em sua escolha, uma forja que vai moldando a sua vida na empresa.  Valores são descobertos na caminhada. Quanto mais valores a empresa representa, além do quadro na parede, maiores são as chances de multiplicar accountability em suas eiras.

O despertar para a proatividade tem dois caminhos, um é pela força do caráter, pela atitude. Outro é pela segurança de que vai ser cobrado pelos seus atos. Não tomar a atitude correta e no tempo imediato pode gerar ônus para sua carreira. Há perdas.  Ambas as situações são de dono do negócio.  Acontece que a forma poética é que me encanta. Saber que o indivíduo pode fazer mais e faz, se supera e se encanta com o que fez, é pincelar o quadro do paraíso numa enorme parede.  E nesta de paraíso, numa entrevista de rádio, um escritor usou a palavra “desculpability” para se referir ao instinto natural das pessoas. Quando indagado sobre quem comeu a maçã, Adão entregou logo “ foi aquela que tu me deste”. E na vez de Eva receber a culpa “ foi aquela cobra que tu criaste”.

A desculpa é o estado natural do ser humano. Esperar para ver o que vai dar é procrastinar.

A desculpa é o estado natural do ser humano. Esperar para ver o que vai dar é procrastinar.

A desculpa é o estado natural do ser humano. É a nossa face menos nobre e a que mais se apresenta. Esperar para ver o que vai dar é procrastinar, e a morte vai chegar. “Enquanto eu estiver me debatendo, alguém saberá que estou vivo”, essa é a cena que mais me marca na Titanic. Entre tantos mortos, o accountability mostra que a vida vale a pena ser vivida intensamente.