Olhe em volta. O tempo todo somos conduzidos emocionalmente a pertencer a um “clã”.

Olhe em volta. O tempo todo somos conduzidos emocionalmente a pertencer a um “clã”.

(Por Mariana Viktor)

O título seria redundante se nos lembrássemos de que é impossível ser qualquer um porque já somos únicos. Acontece que nos esquecemos disso por força das circunstâncias. E que circunstâncias são essas?

Olhe em volta. O tempo todo somos conduzidos emocionalmente a pertencer a um “clã”, a um estilo, a um modus vivendi, a um modus operandi. Quem não segue as regras tácitas se sentirá excluído deste grupo, ou daquele outro.

Mas excluído como, exatamente? Você já parou pra pensar sobre isso? Não somos realmente forçados a assumir individualidades coletivas – fazemos isso voluntariamente, imaginando que se não o fizermos seremos rejeitados, não aceitos, ou deslocados. Isso não lembra o tempo em que…. Pois é, esse comportamento é aprendido na adolescência, que é quando nos enquadramos em determinados estereótipos para pertencer à tribo x ou y. Seguir as regras de um grupo faz sentido quando estamos buscando pares não pelo prazer da companhia, mas pela necessidade de validação, para descobrir quem somos no mundo “lá fora” – agora que deixamos de ser crianças, mas ainda não somos adultos. Só que pode acontecer de a adolescência passar e o comportamento permanecer o mesmo na fase adulta, por já ter sido automatizado e nunca questionado.

E então, mundo adulto à vista, nem sempre nos lembramos de assumir o leme do nosso próprio barco e seguimos navegando no barco dos outros, ainda com o receio antigo de uma suposta exclusão. Mas veja: se acreditamos que seremos excluídos ao sair de um certo padrão, estamos, sem perceber, fazendo conosco exatamente o que temíamos que outros fizessem: nos excluindo, e do único lugar de onde jamais deveríamos sair – de dentro de nós mesmos e da nossa originalidade. Começamos a valorizar códigos emprestados e acabamos perdendo o foco e a percepção do que realmente importa e faz sentido para nós.

E então eu corro o risco de, por exemplo, seguir uma profissão que nada tem a ver comigo, por influência de terceiros. O resultado desse único exemplo já pode trazer muita dor de cabeça. E quando estamos completamente perdidos numa vida que não escolhemos, as fichas podem cair e então conseguimos perceber que ainda dá tempo de corrigir o rumo fazendo escolhas que são realmente parecidas com o que queremos de verdade, com o que faz sentido pra nós, com o que é capaz de restabelecer nosso ânimo.

Que mudanças tornariam meus dias mais felizes?

Que mudanças tornariam meus dias mais felizes?

E como saber se estamos seguindo padrões dos outros e não os made in eu?

Aqui vão 7 evidências:

1 – A sensação ao acordar é sempre de cansaço, desânimo e às vezes até de angústia e opressão;

2 – Ao longo do dia sentimos vários episódios de vazio, como se faltasse alguma coisa;

3 – Não temos vontade ou energia para nos divertir em fins de semana;

4 – A vida parece não ter sentido;

5 – Falta bom humor e pequenas coisas podem nos irritar muito;

6 – Sono excessivo ou insônia;

7 – Descaso com a saúde, com a alimentação e perda ou ganho de peso. Falta motivação para praticar atividade física;

8 – A produtividade e a criatividade parecem estagnadas.

Caso você esteja fisicamente saudável e esses sinais não tenham justificativa médica, repense sua vida: o que eu gostaria que fosse mais parecido comigo? Que mudanças tornariam meus dias mais felizes? Como posso gostar mais de quem sou? Será que estou insatisfeito com meu emprego ou profissão? Do que eu tenho medo? O que realmente me motiva? Como eu era antes? O que mudou? Que necessidades estou deixando de lado na área pessoal, profissional, afetiva, social? Quais coisas gosto e deixei de fazer? Por quê?

Essas perguntas vão acender muitas luzes e pistas!