O problema é quando nosso cérebro coloca no piloto automático comportamentos que não deviam ir pra lá.

O problema é quando nosso cérebro coloca no piloto automático comportamentos que não deviam ir pra lá.

(Por Marco Beck)

Já pensou pra onde o piloto automático tem carregado seu relacionamento?

Quando aprendemos uma nova habilidade, como falar ou dirigir ou descobrir as 1.618 funções do novo smartphone, nosso cérebro gasta muita energia com esse aprendizado, porque pensar dá trabalho – os neurocientistas afirmam que o simples ato de pensar queima três vezes mais calorias do que fazer algo que não exija reflexão, como assistir TV. Mas depois de aprender não precisamos mais nos esforçar pra lembrar das palavras, da embreagem ou das funções do smartphone. Essas habilidades vão para o piloto automático, que funciona em modo de economia de energia e deixa o cérebro livre pra novos aprendizados, o que é ótimo.

O problema é quando nosso cérebro coloca no piloto automático comportamentos que não deviam ir pra lá porque exigem atenção, tempo e energia – como relacionar-se com o amor da gente.

Lembra como você e seu amor eram quando se conheceram, como cada um era todo atento e dedicado, como prestavam atenção em cada gesto do outro, em cada detalhe – o perfume, a roupa, as preferências, o brilho no olho, a tristeza ou o sorriso? E lembra quando vocês passaram a se acostumar um com o outro e como esses detalhes importantes, esses jeitos originais de cada um estar no mundo, foram se diluindo aos olhos do outro?

Isso aconteceu porque o amor foi pro piloto automático. O mesmo piloto automático que funciona tão bem quando apertamos as teclas do smartphone sem nem pensar nelas pode destruir o amor mais lindo do mundo pelo mesmo motivo: porque vamos apertando as teclas do relacionamento sem nem pensar nelas. São reações costumeiras, respostas prontas, desatenções corriqueiras, atitudes repetidas, conclusões de sempre… Tudo isso, com o tempo, vai tornando a relação caricata, parecida com o que foi um dia mas ao mesmo tempo diferente, menor, encolhida, sabotada.

Faz sentido pra você? Pra vocês?

Se faz sentido, imagine agora que você é apaixonado por smartphones e que lançaram um novo modelo, um smartphone ninja, com 1.032 novas funções fantásticas – o seu smartphone-sonho-de-consumo!

Imaginou?

Agora responda: se você usasse o novo smartphone no piloto automático, apertando as mesmas teclas que apertava no antigo, o que aconteceria?

Cá entre nós, você não dedicaria tempo, foco e energia ao smartphone até descobrir cada uma das novas funções e tirar dele todos os recursos?

O amor e o piloto automático são inimigos mortais.

O amor e o piloto automático são inimigos mortais.

Que tal fazer o mesmo com o seu amor? Ele ou ela não é mil vezes mais extraordinário que um celular, não tem jeitos e trejeitos muito mais apaixonantes que qualquer aplicativo?

O amor e o piloto automático – anote pra lembrar e lembre-se de nunca esquecer! – são inimigos mortais. Escolha de que lado você está e não tenha vergonha nem receio de mudar de lado se o bocejo anda substituindo o arrepio!