O professor no mundo perfeito - Marinaldo1

(Por Marinaldo M. Guedes)

Estamos em 2014. Aqui é o Brasil, um local sem terremotos, maremotos ou ciclones. Não temos guerras interraciais, religiosas ou ideológicas. Somos de natureza pacífica. O país é uma das 10 economias mais pujantes do planeta. Tem posição privilegiada de respeito internacional. Tem uma única língua oficial e é dotado de riquezas culturais, além de uma geografia plural e invejável. Mas é claro que Brasil tem problemas. Possui 13 milhões de analfabetos e outros 18 milhões de analfabetos funcionais, acima dos 15 anos de idade. Considerando que analfabeto funcional é chamado aquela pessoa que cursou quatro anos de escolaridade e que muitos têm esse tempo de escola, mas não de conhecimento, esse número deve ser muito maior.

Por falta de uma política de Estado mais ampla, deixaram, por muito tempo, de investir adequadamente no profissional responsável pelo desenvolvimento de todas essas faixas, o professor. E o pior é que o gigante ainda dorme, mesmo sendo cutucado pelos espinhos de sua ignorância. E qual o preço disso? Um apagão na formação de cidadãos conscientes. E por consequência temos ruas atravancadas de carros, lixões sem tratamento, infraestrutura aérea, portuária, rodoviária e ferroviária que não se conectam. Alta tecnologia em agricultura tendo que frear sua produção.

Todas as plataformas políticas dos presidenciáveis das eleições de 2014 defendem a aplicação de 10 por cento do PIB na educação. Bem, mas qual nível de educação se referem? Creche, fundamental, médio, universitário, técnico, tecnológico e pesquisa? Em todas as etapas há uma grande lacuna.

Mesmo pagando carga tributária elevada, o empresário que quer se manter no mercado está baixando sua régua de exigência para admitir pessoas e depois treiná-las para que venham a ser profissionais eficazes. Essa conta é muito elevada e muitas vezes não fecha.

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A melhoria do nosso país passa pelo reconhecimento do professor, pelos investimentos na pessoa e na estrutura entregue para esse profissional performar melhor. Ninguém nega que são necessários os 10 por cento do PIB brasileiro para reverter esse quadro. Mas foi perguntado aos professores como deve ser empregado esse recurso?

Um professor bem formado é o que recebe junto ao seu canudo universitário, a certeza de que terá acesso há pelo menos um jornal diário, duas revistas semanais, todos os livros que formatarão seus pensamentos, assim como a uma plataforma informatizada onde ele vai poder se submeter a testes e avaliar seus avanços profissionais. Nesse mundo perfeito, o mestre entende que uma sala de aula é formada por alunos visuais, cinestésicos e auditivos, portanto o professor terá que fazer adaptações em sua linguagem e metodologia para atingir toda a sala e assim tirar o melhor proveito das instruções repassadas aos seus alunos.

Nesse mundo perfeito o professor reconhece a existência da inteligência emocional e escolhe ter o domínio de suas emoções e atitudes. As salas de aula são visualmente motivadoras e dotadas de equipamentos que auxiliam a imersão do aluno e do professor na disciplina trabalhada. O professor deixaria de se preocupar com alunos que usam celular, pois este equipamento estaria integrado aos mecanismos de ensino e aprendizagem, carregado com programas de interatividade com as mais diversas disciplinas, incluído metas de uso desses programas e resolução dos problemas, seria uma das formas de o aluno ser avaliado.

O professor sairia da sua formação inicial com o espírito imbuído em continuar formando as gerações de uma sociedade da qual teria orgulho de pertencer. Teria muito claro quais são os seus valores, missão, sonhos, propósitos, objetivos, metas e suas ações, ou seja, o seu planejamento estratégico pessoal, um mapa que guiaria sua jornada. E por conhecer isso tudo, o professor teria atitudes mais focadas para os alunos.

E, por fim, quando perguntado qual a sua profissão, ele, em fração de segundos, olharia tudo que há a sua volta, a engenharia, a tecnologia, a cortesia do seu interlocutor, lembraria de todas as compensações de sua escolha profissional e com um leve sorriso de vencedor, diria “sou professor”.

SEMANA DO PROFESSOR

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