Sair do buraco é uma prioridade e você sairá dele assim que descobrir como.

Sair do buraco é uma prioridade e você sairá dele assim que descobrir como.

(Por Marco Beck)

Você dirá: depende do buraco.

Eu direi: o que mais te assusta. Quanto você pagaria para sair do buraco que mais te assusta?

Você não hesita e responde: “Qualquer quantia!”.

Muito bem! Então sair do buraco é uma prioridade e você sairá dele assim que descobrir como – e é esse exatamente o papel do Coaching.

Mas saiba que você é exceção porque a maioria continuará dizendo: “Depende”. E vai enumerar uma série de motivos razoáveis para não sair do buraco, mesmo descobrindo como.

Um estudo realizado recentemente pelas universidades de Harvard e da Virginia (comentei a pesquisa em meu último texto) concluiu que as pessoas têm dificuldade e preferem até fazer coisas desagradáveis, como levar choques elétricos, a ficar sozinhas com seus pensamentos durante 15 minutos. Isto é, mais vale levar choques do que pensar, por exemplo, numa maneira criativa de sair do buraco.

O problema com os buracos da nossa vida – angústias, inércias, medos, raivas, hábitos sabotadores – é que nós nos familiarizamos com eles. Passam a ser como membros da família ou colegas que encontramos todo dia. O resultado dessa familiaridade negativa é que uma parte da pessoa quer sair do buraco, mas outra parte resiste. No livro Desperte Seu Gigante Interior (ed. Best Seller), o coach americano Anthony Robbins afirma que só nos movemos em direção ao novo quando o medo de permanecer onde estamos é maior que o medo de mudar. Noutras palavras, só mudamos quando o medo de ficar no buraco for maior do que o medo de sair dele.

Sair do buraco ou ajudar os outros a fazê-lo envolve um cuidadoso processo de substituir as antigas crenças sabotadoras.

Sair do buraco envolve um cuidadoso processo de substituir as antigas crenças sabotadoras.

Não é uma decisão fácil. Com o tempo, a forma como nos relacionamos com o problema que nos aflige cria a famosa “zona de conforto” – que foi construída dia a dia, passo a passo, em cada atitude, e representa uma proteção emocional contra o risco de cair no fogo. É melhor não arriscar e permanecer na frigideira.

Por todas essas razões, o profissional de Coaching deve ter muito cuidado ao incentivar o cliente a abandonar a sua zona de conforto – se houver incentivo de menos, ele não se moverá por inércia emocional; se o incentivo for demasiado, traduzindo-se em pressão, a pessoa pode ficar paralisada pelo medo. Sair do buraco ou ajudar os outros a fazê-lo envolve um cuidadoso processo de substituir as antigas crenças sabotadoras, que nos prendem no passado e no medo permanente de sofrer, por convicções novas, nas quais o futuro seja mais prazeroso e desafiador do que o buraco habitual.

Não é como você, que sem hesitar respondeu “qualquer quantia!” à pergunta do título, enxerga o seu futuro?