O egoísmo de um lado e a generosidade de outro, entre ambas as posições, qual seria capaz de produzir mais felicidade – e infelicidade?

O egoísmo de um lado e a generosidade de outro, entre ambas as posições, qual seria capaz de produzir mais felicidade – e infelicidade?

(por Mariana Viktor)

O que você sente ao se deparar com pessoas que colocam limites bem definidos até mesmo para os que amam, e que, para realizar um sonho, seriam capazes de adiar um casamento ou até mudar de país, mesmo sabendo que a família sentiria muito a sua falta?

E qual a sua sensação quando, ao contrário, observa pessoas que tendem a deixar suas necessidades em segundo plano, e que chegam até a mudar de opinião para evitar conflitos ou agradar a quem amam?

O egoísmo de um lado e a generosidade de outro, entre ambas as posições, primeiro qual seria capaz de produzir mais felicidade – e infelicidade?

Esse assunto tão controverso mereceu vários estudos. Um deles, realizado pela Universidade da Pensilvânia com 216 estudantes universitários e publicado pela Psychological Science, concluiu que são mais felizes aqueles que decidem suas vidas sem se deixar afetar pelos outros. Porém, primeiro ainda de acordo com o mesmo estudo, essas pessoas acabam tendo que lidar com algo que pode sabotar o sabor de suas conquistas: a culpa.



Por conta desse sentimento corrosivo, a maioria acaba renunciando à felicidade. A não ser que realmente não tenha escolha – o que faria a culpa desaparecer primeiro.

Mas será que as escolhas precisam ser assim tão extremas? Será que não existem outras possibilidades que possam configurar o chamado “caminho do meio”?

Claro que o mundo precisa de mais amor, gentileza e generosidade. Claro que é importante e até muito prazeroso ajudar a quem precisa – isso é indiscutível. A questão é: estou cuidando de mim da mesma forma dedicada com que cuido dos outros? E, apenas como um exercício de imaginação, reflita nas consequências de deixar você sempre para o final da fila. Isso fará a quem mais feliz?

O “pai” do coaching, Thomas Leonard, diz em seu livro The Coach Portable que você é a pessoa mais importante do mundo e que compreender isso não o torna egoísta no sentido negativo, mas sim muito mais generoso. Como?

Simples, quando valorizamos a nossa existência e nos tratamos com respeito nos sentimos bem – e isso naturalmente nos torna mais generosos e cientes das reais necessidades dos outros. Faz sentido?

No mesmo livro, Thomas Leonard faz outra recomendação: “Ajude as pessoas a descobrirem quem são e o que tem para compartilhar com os outros. Acredite nelas, aceite seus sentimentos”.

Caso a simples ideia de respeitar a própria existência, os próprios desejos e necessidades cause algum desconforto, essa pode ser uma sinalização de que talvez estejamos nos deixando de lado.

Caso a simples ideia de respeitar a própria existência, os próprios desejos e necessidades cause algum desconforto, essa pode ser uma sinalização de que talvez estejamos nos deixando de lado.

Mas como fazer isso com as pessoas se não aplicamos o mesmo princípio em nossas próprias vidas?

Caso a simples ideia de respeitar a própria existência, os próprios desejos e necessidades cause algum desconforto, essa pode ser uma sinalização de que talvez estejamos nos deixando de lado, como aquela mãe que zela pela boa alimentação do filho, mas não tem o mesmo cuidado com a qualidade das próprias refeições.

Novamente: reflita nas consequências de se deixar sempre para o final da fila. Isso fará a quem mais feliz? Fará mesmo? E como? A que preço?