E agora vem aquela perguntinha complicada: como ser eu mesmo?

E agora vem aquela perguntinha complicada: como ser eu mesmo?

(Por Mariana Viktor)

Quem nunca correu atrás de fórmulas prontas para resolver os problemas afetivos, não é? Na hora do sufoco, coração apertado, sempre aparece alguma dica bacana que faz duas ou três fichas caírem.

Mas cuidado com o self service de sugestões que não ensinam a refletir e induzem a comportamentos que não têm a ver com nosso jeito de ser, com nossos valores internos, apresentando o que parece “certo” de modo geral – uma espécie de consenso que pode até funcionar para alguns, mas talvez viole o que você tem de mais sagrado: você mesmo. Isso remete a uma reflexão gigante porque existem tantos caminhos, tantas possibilidades de ser, que nosso foco fica saltando de uma para outra e, de repente, não sabemos mais quem somos.

O título deste artigo é a conclusão de uma pesquisa conduzida pela psicóloga Amy Brunell, da Universidade de Ohio (EUA), e publicada na revista Personalidade e Diferenças Individuais. Participaram do estudo 62 casais universitários, que afirmaram perceber o relacionamento como mais positivo e gratificante quando se é verdadeiro consigo mesmo.

E não é somente dessa verdade pessoal que pode nascer um contato mais profundo entre as pessoas, aquela intimidade gostosa, cúmplice, parceira? Agora pense: tem como isso acontecer quando imitamos o comportamento dos outros ou fazemos o que “parece ser o certo”? Quando somos superficiais conosco mesmo, teremos relações superficiais e insatisfatórias.

E agora vem aquela perguntinha complicada: como ser eu mesmo? Por mais estranho que pareça, podemos, sim, perder o contato com nosso próprio mapa e terminar nos (des)orientando pelo mapa dos outros.

Não dê atenção excessiva ao que podem estar pensando sobre você.

Não dê atenção excessiva ao que podem estar pensando sobre você.

Como resgatar o seu mapa:

1 – É difícil, mas é essencial: pare de se comparar, porque cada vez que você faz isso seu foco vai para fora e você se perde de você. Uma atitude saudável é se inspirar nas pessoas que você admira quando quiser desenvolver alguma habilidade – mas evite comparações;

2 – O bem-estar é o guia pessoal e intransferível para indicar a sua direção. Lembre-se disso quando achar que precisa se comportar assim ou assado e forçar-se a fazer coisas que lhe causam desconforto;

3 – Não dê atenção excessiva ao que podem estar pensando sobre você. Acredite: as pessoas sempre pensam algo sobre você – e preocupar-se com isso é perder uma energia valiosa que pode ser aplicada a coisas mais úteis para a sua felicidade;

4 – Pergunte-se sempre: isto é realmente o que acho, penso e acredito, ou essa “verdade” pode ser a verdade de outras pessoas, que acabei assimilando sem perceber? Para onde aponta a minha bússola pessoal?