Sabemos que, infelizmente, em pleno século XXI, as mulheres continuam recebendo salários inferiores aos dos homens, mesmo ocupando a mesma função. Se isso não é uma grande discriminação, não sei então qual o nome podemos dar.

No dicionário, discriminação significa: “segregação; ação de segregar alguém, tratando essa pessoa de maneira diferente e parcial, por motivos de diferenças sexuais, raciais, religiosas; ato de tratar de forma injusta”.

Em nosso país, discriminação é crime. No entanto, continuamos sendo discriminadas indiscriminadamente.

Outro dia chegou aos meus ouvidos incrédulos que o maior motivo das mulheres receberem salários inferiores aos dos homens é porque elas engravidam e, assim, passam por um período improdutivo.

Existe algo mais produtivo do que a gravidez? Ora, quem vai produzir e também consumir os bens e serviços produzidos por essas mesmas empresas se o país apenas envelhecer? Um país sem homens e mulheres jovens torna-se obsoleto e improdutivo. E de onde vêm esses futuros jovens senão de uma gestação? E qual o ser capaz de gerir outro ser? As mulheres! Elas deveriam ser reconhecidas por isso, e não punidas.

As empresas, essas sim, devem se preparar para receber e apoiar as mulheres em idade fértil, inclusive – e principalmente – com salários iguais aos dos homens quando na mesma função. Devem ainda ajudar com creche e, quando possível, manter uma creche dentro da própria empresa para que as mães trabalhem em paz, podendo amamentar os filhos e ter uma relação mais próxima nesse primeiro ano, mesmo após o término da licença maternidade. Isso não deveria ser visto como gasto, mas, sim, investimento, de olho no futuro próximo. Criança bem-amada, nutrida e protegida, tem muito mais chance de participar do progresso que tanto se discute e almeja atualmente.

É claro que nem todas as empresas agem de forma discriminatória, porém, essas são exceções, e não a regra.

Gravidez é motivo para castigo? -  O Senado Federal aprovou, em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 64/07, da senadora Rosalba Ciarlini, que amplia a licença à gestante de 120 para 180 dias.

O Senado Federal aprovou, em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 64/07, da senadora Rosalba Ciarlini, que amplia a licença à gestante de 120 para 180 dias.

Há mulheres que quase pedem desculpas quando vão informar ao chefe ou ao setor de RH que estão grávidas. Outras têm medo de engravidar e perder o posto ou, no retorno, o emprego.

Mas temos também o que comemorar. O Senado Federal aprovou, em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 64/07, da senadora Rosalba Ciarlini, que amplia a licença à gestante de 120 para 180 dias. A PEC, que recebeu 62 votos favoráveis e nenhum voto contrário, vai agora à Câmara dos Deputados.

A proposta altera a redação do inciso XVIII, do artigo 7º da Constituição. Na prática, estende a todas as trabalhadoras o benefício que havia sido concedido pela Lei 11.770/08 às funcionárias das empresas que aderissem ao Programa Empresa Cidadã.

Agora, as mães voltarão ao trabalho mais tranquilas e seguras, porque quem é mãe e trabalha sabe o quanto é difícil e injusta com ambas as partes, mãe e filho, a separação antecipada. Como disse a própria senadora: “a mãe vai voltar ao trabalho muito mais produtiva e tranquila, ao passo que a criança terá um desenvolvimento psíquico mais equilibrado e será um cidadão de paz”.

Mais um passo importante foi dado. Mas ainda falta. O que desejamos e esperamos que aconteça o mais breve é que as empresas tenham um novo olhar para a funcionária grávida. Um olhar mais generoso e inteligente.