Sem perceber, na hora da briga viramos crianças

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Todo mundo briga de vez em quando, até as pessoas mais doces
Todo mundo briga de vez em quando, até as pessoas mais doces
Todo mundo briga de vez em quando, até as pessoas mais doces

– Eu posso ter errado, mas você errou primeiro!

– Outro faniquito?! Você parece a sua mãe!

– Você SEMPRE grita.

– Você NUNCA me ouve.

Pode ter sido com seu amor, seu filho, os pais, um amigo, mas com certeza você já disse ou ouviu frases como essas – num tom geralmente alterado.

Todo mundo briga de vez em quando, até as pessoas mais doces. Mas repare que interessante: o maior motivo das brigas em que as emoções viram labaredas não é exatamente o assunto da discussão – é “quem” dentro de você e do outro está brigando.

Pense na última briga da qual participou. Iniciada o que seria uma conversa entre dois adultos, de repente a voz se altera, o rosto se contrai, a racionalidade some num “puf!” e aparece uma criança que foi machucada ou pensa que foi e daí “nada e nem ninguém vai me bater de novo ou me dizer o que fazer, ouviu?!”

Não é bem assim?

Agora, num exercício de imaginação, feche os olhos e assista essa cena de fora, como se fosse numa tela de cinema. Observe a postura de cada um, as palavras, o tom da voz, os gestos – os seus e os do outro. Desconte a idade do RG, os antecedentes, o motivo do atrito, a gota d’água, quem estava com a razão. Parecem dois adultos ou duas crianças?

Se você observar com atenção, há quatro tipos de brigas:

1) aquelas em que os dois são crianças – ou seja, em que ambos gritam e se descontrolam porque algo no passado doeu muito e os dois querem evitar que aquela dor se repita no momento presente;

2) aquelas em que A é criança e B é adulto – ou seja, em que B consegue agir ao invés de reagir, consegue separar o passado do presente, se colocar no lugar do outro e pesar as coisas com equilíbrio;

3) aquelas em que B é criança e A é adulto; e

4) aquelas em que os dois são adultos.

Novas atitudes levam a novos resultados
Novas atitudes levam a novos resultados

Se você se reconheceu criança numa briga (ou em várias!), nada de ficar mal com você mesmo – até porque isso também é coisa de criança. Continue olhando a cena de fora e pergunte-se: o que o adulto faria nessa ocasião? E naquela ocasião? E naquela outra?

Independentemente do assunto, a sua criança (e a do outro) segue um padrão que leva à explosão, ao rancor, à vitimização – como reação por ter sido invadido no passado, por exemplo. Identifique e comece a desconstruir esse padrão. Como? Prestando atenção no que o outro diz, mas prestando atenção de verdade. Outro dia vi uma postagem interessante no Facebook, que dizia assim: “Existem muitos cursos de oratória, mas nenhum de ‘escutatória’”. Ou seja, todos querem falar mas ninguém quer ouvir.

Então, será que quando a pessoa disse “aquilo” eu interpretei o gesto como uma invasão? Ou será que quando falo costumo expressar-me de tal forma que pareço invadir os limites do outro?

Identificadas as distorções da comunicação podemos manter a atenção em alerta para que, da próxima vez, uma conversa comece e termine com as duas partes entrando em acordo. Novas atitudes levam a novos resultados. Aliás, só novas atitudes levam a novos resultados.

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