A ansiedade aparece quando começamos a pensar em círculos nesses "e se...?"

A ansiedade aparece quando começamos a pensar em círculos nesses “e se…?”

(Por Mariana Viktor)

Dia desses recebi um e-mail de uma leitora da coluna que mantenho num site de autoconhecimento, sobre o texto daquela semana. O tema era o sentido da vida e como acabamos perdendo o contato com o sentir de tanto pensar desgovernadamente, por reflexo, reação. E que, sem sentir, acabamos literalmente perdendo o sentido.

Ela escreveu:

“Tenho ficado todo dia superansiosa.  Me pego o tempo todo pensando: e se eu fizer isso? E se eu fizer aquilo?… Não encontro a resposta. Eu queria entender o que é esse parar de pensar, e sentir. Poderia dar algum exemplo?”

Transcrevo trechos (editados) da resposta para a leitora, já que essa é uma angústia existencial de muitos de nós:

É difícil viver sem ter respostas exatas. Mas, com a passagem do tempo e das circunstâncias, com experiências doendo aqui e acolá, vamos descobrindo pedacinhos dessa “grande charada” ao criar pontes de compreensão mais profundas com as situações que vivemos. E o mais interessante ao observar esse processo é perceber que todas essas pontes levam pra cantos dentro de nós mesmos, invariavelmente, porque a realidade que percebemos é um reflexo fiel, mesmo que simbólico, dos nossos momentos internos.

Tive síndrome do pânico, por exemplo, durante anos, até entender que isso era a exata manifestação da guerra interna que eu vivia, e essa compreensão foi fundamental para a cura.

A ansiedade aparece quando começamos a pensar em círculos nesses “e se…?” que surgem naturalmente. São perguntas que todos se fazem, é claro. Mas as respostas que buscamos não virão delas. Delas virão outras perguntas e outras e mais outras, todas sem respostas satisfatórias ou que façam cessar o sofrimento, porque as perguntas brotaram da confusão, do medo, da frustração, da falta de confiança, da mágoa, da sensação de estar sem rumo.

O maior sentido da vida, dizem os grandes mestres da atualidade, é aprender a ser feliz a partir de dentro, independentemente do que esteja acontecendo fora – e então virá o sentido e o sentido em si trará realização pessoal. Essa é a grande mágica, a grande alquimia, e ao mesmo tempo o maior desafio que a vida coloca a nós como base de todas as nossas vivências. Se a felicidade e seus desdobramentos tivessem uma equação, seria Ser/Fazer/Ter. Ser feliz primeiro, para depois agir de maneira coerente com essa felicidade e, por fim, alcançar o que buscamos – um relacionamento gostoso, um trabalho que realize etc.

A dor não tem a mera função de doer... Serve pra nos acordar e mostrar a porta da saída

A dor não tem a mera função de doer… Serve pra nos acordar e mostrar a porta da saída

E como conseguir isso se a felicidade parece uma utopia? Usando como guia o mecanismo mais antigo para sinalizar o que não vai bem: a dor. A dor não tem a mera função de doer… Serve pra nos acordar e mostrar a porta da saída: se algo está fazendo mal e trazendo infelicidade, é hora de rever a forma de pensar, o modo de reagir, os comportamentos habituais, o jeito de se relacionar, o estilo de viver ou as escolhas que fizemos – e fazemos – a cada instante.

Ser feliz não é fugir da dor, como pode parecer. Se colocamos o foco em fugir da dor teremos apenas mais dor, como nos ensina o processo de coaching e a vida em si. Mas, eliminando o que nos faz mal, o que nos machuca e nos cega de angústia, conseguimos saber mais claramente o que queremos de verdade, o que nos faz realmente bem e traz sentido pra nossa vida.

Viver de acordo com quem somos por si só já tem gosto de felicidade, não tem?