O fato é que, quando há uma separação, todos sofrem .

O fato é que, quando há uma separação, todos sofrem .

(Por Sandra Rosenfeld)

Casamos por vários motivos e esses motivos se alternam dependendo da necessidade do momento.  O primeiro desejo da união, de viver sob o mesmo teto, de se estar junto a maior parte do tempo, vem impulsionado pela paixão e pelo amor.

É normal, nesses casos, os casamentos rápidos, mal o casal se conhece e a paixão é tão arrebatadora que em poucos meses já estão vivendo juntos. Essas também são as uniões que duram menos, ou seja, o tempo de uma paixão, que é em torno de dois anos e meio a três anos. Alguns casais conseguem esticar até uns quatro anos, não a paixão que já terminou, mas o casamento. Há que se ter muita maturidade e vontade para transformar a paixão em amor, porém na maioria das vezes, por motivos diversos, isso não acontece.

O segundo desejo que leva ao casamento é o amor construído, geralmente, em anos de convivência no namoro. Quanto mais conhecemos o outro mais as qualidades sobressaem, mais amamos e admiramos o nosso par e vem a vontade de construir um lar junto e, na maioria dos casais, uma família.

Depois vêm outros desejos que também levam ao casamento não necessariamente pela paixão ou pelo amor. Nas mulheres isso tem muito a ver com o relógio biológico, o tempo vai passando, a idade avançando e o desejo de ser mãe é tão intenso que se torna mais importante conseguir um “bom” pai para o seu filho e um bom companheiro, do que qualquer outra coisa. O amor nesses casos pode ou não acontecer com a convivência. Mas não é incomum que esses casamentos sejam mais duradouros, porque o que os sustentam é o querer ter e manter uma família, um lar completo.

Há também os homens que chegam numa determinada fase da vida e querem construir um lar sólido e eles buscam, então, muito mais do que paixão e tesão, uma mulher que eles possam contar como companheira, amiga, que acreditam será uma boa mãe, que com ela terão paz e um lar harmonioso. Logico que sem descartar o desejo mútuo.  Mas quando esse desejo acaba ou nunca foi o bastante, alguns desses, nesse contexto, mantém vida sexual fora do casamento sem, contudo, pensar na hipótese de uma separação, visto que isso seria desfazer o lar, que eles tanto “prezam”.

Mas o fato é que, quando há uma separação, todos sofrem porque o que se rompe não é somente o afeto, mas toda uma estrutura que envolve segurança, planos e sonhos, rotinas, famílias de ambas as partes e o próprio lar em si.

Como fazer para que esse rompimento traga menos traumas para o presente e o futuro?

Como fazer para que esse rompimento traga menos traumas para o presente e o futuro?

A mulher, normalmente, fica com os filhos e uma carga maior de responsabilidade e de tempo menor para ela como indivíduo.  Então, se por um lado há a compensação de manter o laço diário com os filhos, por outro há a perda da possibilidade de divisão de tarefas, de ter alguém para contar no caso de doenças, além de uma perda financeira.

Para o homem, esse rompimento traz outros tipos de traumas porque geralmente ele perde toda a estrutura com que contava, ele perde o lar, o contato diário com os filhos e experimenta um recomeço muitas vezes frio, num apartamento sem personalidade e vazio de afeto.

Tudo isso piora para ambas as partes quando o rompimento é litigioso. E não estou levantando aqui o que essa separação traz de perda para os filhos, o que é sempre muito difícil e doloroso para as crianças, adolescentes e, às vezes, até para os filhos adultos.

Como fazer, então, para que esse rompimento, que tem se tornado cada vez mais comum, traga menos traumas para o presente e o futuro? Como superar essa dor, essa perda do lar desfeito?

O que vemos é que quanto mais cada uma dessas pessoas que forma o casal se conhece, consegue olhar para dentro dela mesma, quanto maior a autoestima e quanto mais o indivíduo cuida de si, tem vida própria, praticando esportes ou hobbies, por exemplo, ou ainda se encontram periodicamente com amigos independentes dos casais que convivem, é mais fácil superar e recomeçar. Isso torna também o impacto da separação menos ruim para os filhos.

Mas para quem está no olho do furacão e não consegue ver saída, buscar ajuda o mais rapidamente possível vai fazer muita diferença no processo que ainda está por vir. Há as chamadas terapias de luto, sim porque há um luto explícito nesse rompimento, há ainda as terapias alternativas, como a prática da meditação que equilibra e traz paz para lidar com os momentos difíceis sem se perder nele, e há o Personal Coaching que com certeza vai poder ajudar a encontrar respostas e forças para superar esse momento.