Desopilar é um momento nobre, que no dicionário significa aliviar ou desobstruir

Desopilar é um momento nobre, que no dicionário significa aliviar ou desobstruir.

(Por Marinaldo Matos)

Uma pessoa querida, da adolescência, afirmou estar em um momento muito triste. A conversa transcorria por conferência via internet, de Lion, na França. Rapidamente me precipitei a perguntar se ela gostaria de mudar aquela condição de tristeza. O “Levanta Astral” já estava preparado. Em seguida perguntei o quanto ela estava coprometida em querer mudar aquele estado comportamental. A nota foi próxima de 10. Segui com as demais etapas para iniciar. Pedi que respirasse profundamente. Ela o fez por três vezes. Senti que o “boeing” já estava prestes a decolar quando… “esqueci-me de falar que é por causa da minha avó, que morreu”.  A palavra seguinte que usei foi “desacelera…”.  Abortei a decolagem na cabeceira da pista.

Essa pessoa passara toda a infância tendo como modelo a avó. Nada mais justo que estivesse ressentida da perda. Descobri que o Levanta Astral tem sim os momentos de não aplicações. São momentos como esses, em que a nossa consciência está prestando homenagem a um ente querido que partiu. O nosso espírito está envolvido em uma aura de consternação. Faz parte da nossa cultura, cultuar o momento da partida. Em alguns grupos, esse momento da passagem é reverenciado com festa, um momento de emancipação do espírito.

Ficar triste é uma das manifestações que temos de homenagear um ente tão querido que se foi.

Ficar triste é uma das manifestações que temos de homenagear um ente tão querido que se foi.

É o “desopilamento da consciência”. Um momento de rara beleza do agradecimento a quem foi tão importante.  Esses momentos tem curta duração, uma noite, três dias… é relativo. A partir daí podemos nos preocupar. Desopilar é um momento nobre, que no dicionário significa aliviar ou desobstruir, já no dicionário informal significa ficar à vontade, descansar ou repousar.  Os mineiros, por sua vez, costumeiramente usam a expressão desopilar o fígado, que na essência quer dizer tirar uma boa prosa, ficar de bom humor.

E a minha preocupação maior foi ter sido, naquele momento, um intruso impertinente. Felizmente o meu sinal vermelho foi mais rápido.  Quase atropelei o momento “desopilar”.

Feitas as devidas modificações do plano de voo, o que sobrou desse momento foi a resiliência, essa capacidade de dar um novo salto de conhecimento e emoções e reconhecer que nem tudo deve ser encarado como uma ameaça.  Para minha colega, ficou a lição de que essa de ficar triste é uma das manifestações que temos de homenagear um ente tão querido que se foi. Outra é ter aproveitado todas as oportunidades para retribuir tanto amor e dedicação. E após a partida, dedicar sua memória em repassar seus ensinamentos para suas filhas, mesmo com realidades tão distantes.

A conexão foi estabelecida. Não é porque uma ferramenta não se aplica que outras não possam ser adequadas. Use as ferramentas de coaching com moderação, ouça seu coração e avalie sua percepção técnica para cada momento. O coaching é, por natureza, uma sucessiva busca pelo aperfeiçoamento da mente, uma troca constante de experiências e devoção aos seus desafios.