É muito bom saber, numa época em que vivemos cada vez mais, que essa também é uma realidade possível.

É muito bom saber, numa época em que vivemos cada vez mais, que essa também é uma realidade possível.

(por Sandra Rosenfeld)

A frase que dá nome a este artigo não é minha, tão pouco da atriz Maitê Proença, que a usa perfeitamente bem em sua linda peça teatral “A beira do abismo me cresceram asas”, mas sim da cantora francesa Edith Piaf.

Quando Maitê disse esta frase em uma determinada parte da peça, eu imediatamente anotei no meu celular, já idealizando escrever um artigo sobre o tema.

Não sou mais nenhuma “jovenzinha” , tenho pais idosos e moro num condomínio construído há mais de trinta anos, então há muitos moradores anciões pegando o sol da manhã em suas cadeiras de rodas, sempre acompanhados de seus acompanhantes. Alguns mal se mexem, não conversam quase nada ou talvez não falem mais mesmo, outros são mais ativos, mesmo sem andar.

Atualmente vejo os idosos com olhar muito diferente de alguns anos atrás quando a velhice, para mim, ainda era muito distante, não era palpável, se assim posso dizer. Hoje é!



Sim, há idosos ativos, lúcidos, andando com firmeza e vivendo a vida. Poucas semanas atrás tive a honra de ir ao aniversário de uma animadíssima senhora que completou noventa anos, mãe de uma querida amiga. Que festa! Música ao vivo, samba que ela adora e ela samba mesmo!

É muito bom saber, numa época em que vivemos cada vez mais, que essa também é uma realidade possível. Todavia, nenhum de nós tem certeza de como será a nossa velhice. Apenas torcemos para que, como disse uma pessoa da família da aniversariante, é bom quando se vive até os noventa e não quando se dura até lá. Grande diferença de fato.

Toda manhã passo por muitos velhinhos que estão apenas durando. Muitas vezes me emociono, inclusive com pessoas muito queridas e próximas a mim. Pessoas que já foram tão dinâmicas, divertidas, desempenharam suas funções na vida familiar com o amor que puderam doar e na vida profissional de forma brilhante e agora, na idade em que deveriam ser reconhecidas e tratadas com todo o respeito e carinho, muitas vezes, infelizmente, não é o que acontece.

Fico impressionada com a força e coragem dos que enfrentam os percalços de uma velhice sem saúde, mas ainda lúcidos. Neste contexto, a frase “A velhice não é para covardes” é perfeita e muito, muito verdadeira.

Vamos ser mais pacientes, atenciosos e respeitosos com todo e qualquer idoso. Um dia, nós estaremos ali.

Vamos ser mais pacientes, atenciosos e respeitosos com todo e qualquer idoso. Um dia, nós estaremos ali.

Aqui no Brasil o idoso ainda é pouco respeitado e admirado. A maioria das pessoas tem medo de envelhecer, não só pelas limitações e enfermidades que podem vir como também pela dificuldade de lidar com o envelhecimento físico, já que aqui a aparência jovem, independentemente da idade, é super valorizada, beirando a anormalidade. Quando chega a senilidade (e para muitos chega) o idoso é deixado de lado, desrespeitado e humilhado como ser humano, ignorando-se o passado,  tudo que ele viveu, que construiu e a pessoa que existe dentro dele muito além da aparência.

Fica aqui a minha mensagem, talvez mais do que isto o meu pedido, vamos ser mais pacientes, atenciosos e respeitosos com todo e qualquer idoso. Um dia, nós estaremos ali.