SEMANA DA MULHER: SUPERANDO O PRÓPRIO PENSAMENTO

O pensador francês Edgar Morin – um dos grandes educadores da atualidade – lapidou uma frase poderosa, e muito bem-vinda nesta semana em que comemoraremos o Dia Internacional da Mulher.

“A verdadeira jornada do homem começa quando ele aprende a superar o seu próprio pensamento”. Temos que avançar rumo a uma sociedade mais justa, equilibrada e desenvolvida civicamente.

Afinal, ainda é difícil compreender as diferenças tão acentuadas de oportunidades (sociais e profissionais) entre mulheres e homens em pleno século XXI.

Segundo dados de um estudo realizado no ano passado, por uma multinacional que atua há mais de 80 anos no país, as mulheres ocupam apenas 5% dos cargos de liderança nas grandes empresas da América Latina. E as executivas ganham em média 27,1% menos do que homens com o mesmo cargo.

Há menos de uma semana, a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, defendeu a maior participação da mulher no mercado global de trabalho. Na prática: ela pediu o fim das “restrições legais” que ainda impedem a igualdade de gêneros e uma maior participação das mulheres na Economia.

O relatório do FMI destaca alguns progressos das últimas décadas, como por exemplo:

  1. o fim da necessidade do consentimento do marido para as mulheres trabalharem;
  2. a equiparação dos direitos de herança;
  3. o fim das restrições às mulheres para a abertura de contas bancárias.

A inclusão completa da mulher no mercado de trabalho representaria um ganho para a economia mundial, sem falar em outros benefícios em escalas menores.

No final do ano passado eu tive a honra de ser convidada para um projeto especial do Grupo Boticário, intitulado “Beleza que Transforma” – uma plataforma digital, interativa e plural – que discutiu temas para fomentar transformações na sociedade, sem abrir mão de um saudável olhar feminino para algumas questões, entre elas: desenvolvimento social, empreendedorismo, sustentabilidade e empoderamento feminino.

SEMANA DA MULHER: SUPERANDO O PRÓPRIO PENSAMENTO

Eu, na condição de mulher e executiva, escrevi sobre desenvolvimento social. Logo de partida eu já me senti muito feliz, pois havia espaço, respeito, cuidado e projeção para vozes femininas em todos os debates.

E este bom exemplo eu gostaria de ver replicado nesta semana de celebração: vozes femininas que fossem “além do gênero”, e também tivessem a oportunidade de expressar seus conhecimentos em assuntos díspares: tecnologia, gestão de pessoas, investimentos na Bolsa de Valores, filosofia etc.

Um dos melhores presentes que homens e mulheres poderiam trocar no próximo dia 8 de Março seria a generosidade em dividir cada vez mais preocupações, sonhos, especializações e oportunidades. Compartilhar informações e conhecimento.

Precisamos de um mundo livre de restrições de gênero, e como ensinou Edgar Morin, uma sociedade consciente de sua própria limitação de pensamento, que não é de homens nem de mulheres: é do ser humano.