O Carnaval chegou... todo cuidado é pouco!

Mais um Carnaval que chega, criando a expectativa de festas, blocos animados, alegria e um cenário multicolorido em que o verão ajuda as pessoas a se soltarem em suas fantasias e a se unirem nas emoções que a festa de Momo promove. Porém, para muitos, a realidade será bem diferente, trazendo dor e tristeza sem fim. Realidade que não pode ser escondida!

Desde 2011, em todos os períodos de Carnaval, o trânsito tem sido um cruel causador de mortes e de dramas gerados pela invalidez permanente. O índice de acidentes com automóveis tem se mantido estável, mas o de motocicletas está crescendo a uma taxa assustadora. Em 2014/2015, durante o Carnaval, morreram no trânsito cerca de 750 pessoas por ano e outras 6500 ficaram com sequelas permanentes. Praticamente metade dos acidentes acontece no sábado e domingo.

Pois bem, não há dúvida de que, mais uma vez, o Carnaval trará dor e tristeza para muitas famílias, as quais verão seus entes queridos penalizados por um trânsito em que muitos inconsequentes se colocam a dirigir em precárias condições. Isso além de problemas com os veículos em péssimas condições de manutenção, o excesso de velocidade e a falta de educação, bem como o desrespeito à sinalização e aos pedestres. Dor e tristeza a que se somarão as consequências sociais das empresas que perderão seus colaboradores e as consequências econômicas daí decorrentes.

As estatísticas mostram que mais da metade dos envolvidos em acidentes são pessoas entre 18 e 35 anos, índice que tem crescido, infelizmente. Os pedestres e ciclistas são outro tipo de vítima indefesa que pouco têm a fazer quando um motorista desrespeita as melhores práticas na condução. E o período do anoitecer, quando as pessoas saem para suas festas, bem como o do amanhecer, quando voltam para suas casas, têm sido marcantes como geração de problemas.

Alguém a esta altura deve estar se perguntando: mas o que é que esse assunto tem a ver com o Coaching e as questões filosóficas ou metodológicas que envolvem esse processo?

O meu objetivo é o de trazer para os coaches um ponto de reflexão, usando o Carnaval como exemplo, mas que pode se expandir para outros períodos de feriados prolongados, ou mesmo apenas considerando os corriqueiros dias do cotidiano. Quantos coachees buscam os serviços do coach para conseguirem alavancar suas carreiras profissionais ou resolverem alguma questão pessoal que os incomoda? Quanto eles investem em uma educação profissional ou em uma aprendizagem pessoal para poderem atender seus objetivos?

Desses coachees, e apenas considerando o Carnaval, quantos verões esse esforço ficar sem compensação por perderem suas vidas ou ficarem com sequelas permanentes? Adianta o investimento em aprendizagem sem que haja a competente e necessária educação para a vida?

Quero deixar claro que, em conversas com outros coaches, ouvi comentários de que o profissional não deve se envolver “naquilo para o que não foi chamado” pelo coachee. De meu lado, tenho a convicção de que o profissional competente, experiente e lúcido, sempre que possível, pode ampliar o conceito de educação e aprendizagem, saindo do nível tacanho de formação técnica para uma visão maior de respeito e convívio social. Contexto, aliás, que envolve o trânsito, no Brasil e no mundo.

Se hoje há um movimento internacional liderado pela Organização Mundial da Saúde, que vê no trânsito uma epidemia a gerar mortes, invalidez e enormes impactos socioeconômicos, cabe a todos nós colaborar com esse esforço. Ao atender um cliente, porque não (tentar, pelo menos) trabalhar as questões que são determinantes ao bom convívio e à harmonia em sociedade? Se ficar em dúvida quanto a envolver o assunto “trânsito” no processo, que alerte e conscientize o cliente, pelo menos!