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Compulsivo: o que é, como identificar e tratar a compulsão

Você já parou para pensar se possui algum comportamento compulsivo? Por melhor que seja uma atitude, tudo precisa ter um limite.
Afinal, você não vai beber 20 litros de água em um único dia só porque as pesquisas afirmam que é importante ingerir esse precioso líquido, não é mesmo?
Equilíbrio é palavra-chave nesse sentido. Vale para esse exemplo tão básico, assim como para tudo na vida.
Há situações, no entanto, em que a compulsão deixa de ser uma ação consciente e passa a se caracterizar até mesmo como um transtorno.
Para evitar que isso aconteça, com você ou com pessoas ao seu redor, o importante é estar atento ao sinais.
Quer saber mais sobre o assunto? Ao longo do artigo traremos toda essa abordagem em detalhes.
Então, siga a leitura!

O que é ser compulsivo?

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Ainda que, às vezes, as pessoas utilizem o termo compulsivo para se referir a algo que gostam muito ou que repetem com alguma frequência, na área da saúde, a palavra é usada para descrever um quadro clínico que exige atenção.
Vamos entender melhor?

Comportamento compulsivo

Podemos definir o comportamento compulsivo como a repetição de rituais.
Ou seja, atos mentais repetitivos que uma pessoa sente que precisa executar para aliviar a sua ansiedade e a sensação de desconforto.
Estamos falando de um conjunto de regras que o próprio indivíduo cria para si e se vê compelido a cumprir sem desculpas.
No início, a obediência a esses rituais cria uma sensação de prazer.
Com o passar do tempo, no entanto, dá lugar à culpa e ao mal-estar por ser incapaz de parar.

Como identificar um comportamento compulsivo?

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Uma das principais dúvidas sobre o comportamento compulsivo diz respeito a como identificar o excesso, o ponto fora da curva.
Por exemplo, diferenciar alguém que só gosta muito de comprar para uma pessoa que já transformou esse gesto em compulsão.
A dica é ficar de olho nas duas características que vamos detalhar a seguir.

Repetição

Para seguir no exemplo que trouxemos acima, uma das diferenças entre um comportamento normal e o compulsivo na hora de fazer compras é a repetição.
A pessoa vai ser considerada uma compradora compulsiva quando o nível de envolvimento for tamanho que passe a comprometer outros aspectos da sua vida, como as finanças e até mesmo os relacionamentos.
Por exemplo, é parte de um impulso da natureza humana ter o desejo de comprar algo quando você teve um dia ruim.
O problema é quando isso se transforma em um padrão e qualquer mínimo problema se transforma em desculpa para o gasto – com o tempo, aliás, elas nem ao menos são necessárias.

Comportamento obsessivo

A obsessão é outra característica a ser observada e tem origem naqueles pensamentos e medos irracionais que se manifestam. São justamente eles que levam ao comportamento compulsivo.
Ou seja, você não compra porque precisa ou porque gostou de algum item, mas sim porque acredita que essa é a única alternativa, que é preciso seguir um padrão específico.

Como tratar a compulsão?

O tratamento para a compulsão depende muito do quadro apresentado e da avaliação de um especialista.
No caso das compras, uma das principais medidas adotadas é a restrição das oportunidades de consumo, como forma de alterar o comportamento.
A ideia é reduzir as possibilidades de acesso ao dinheiro, diminuindo ou até eliminando o contato com o cartão de crédito, por exemplo, que costuma instigar o comportamento.
A proposta é que a pessoa possa aprender a viver com o orçamento que possui e seja capaz de controlar seus hábitos financeiros.
Mas existem outras formas de compulsão, é claro. E cada uma delas pode se beneficiar de uma abordagem diferente e específica.

Quais os tipos de tratamento para o transtorno obsessivo-compulsivo?

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Além das ações pontuais sobre o comportamento em si, existem outras abordagens trabalhadas, quase sempre de maneira concomitante.
Veja agora quais são elas.

Psicoterapia

Essa abordagem é desenvolvida de modo que o profissional possa conhecer melhor não só o paciente em questão, mas também o ambiente no qual ele está inserido.
Tudo isso é fundamental para que possa identificar quais são os estímulos que incentivam a compulsão.
Mapeado o cenário, é possível definir um plano de ação, trabalhando o processo cognitivo do indivíduo e o ajudando na adoção de um novo padrão de comportamento.
Ou seja, permitir que ele veja novas alternativas para lidar com os seus próprios sentimentos.

Medicamentos

O uso de medicamentos também pode ser utilizado como um complemento à terapia.
Nesse caso, tanto a definição do fármaco quanto a dosagem a ser consumida dependem de uma avaliação criteriosa de um profissional especializado, capaz de avaliar não só os efeitos positivos, mas também os adversos.

Como o coaching auxilia no comportamento compulsivo?

Além de todas as possibilidades de tratamento que já listamos, vale recorrer a técnicas que auxiliem no autoconhecimento, a exemplo do coaching.
Afinal, nunca é demais dedicar um tempo para olhar a si mesmo e entender quais são os principais medos, limitações e virtudes.
Isso é parte do processo de compreensão dos próprios comportamentos e a melhor forma de conseguir projetar os seus objetivos com mais segurança.
Na abordagem sobre o comportamento compulsivo, então, o coachee (cliente do processo) deve entender as razões que o levam a agir assim.
A seguir, definindo o fim da compulsão como meta, ele define um plano de ação ao lado do coach, destacando competências importantes a desenvolver para o processo de mudança.
Inteligência emocional e autocontrole são bons exemplos.

Quais as diferenças entre compulsão e obsessão?

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Ainda que compulsão e obsessão possuam conceitos diferentes, podemos dizer que elas agem de maneira complementar.
A obsessão representa pensamentos e impulsos que tomam conta da mente de maneira repetitiva e incessante.
Eles costumam despertar sentimentos como medo, desconforto e culpa. Ou seja, a pessoa sabe que são negativos, mas nem por isso consegue afastá-los.
O que acontece é que esses pensamentos obsessivos vão ser responsáveis por desencadear os comportamentos característicos da compulsão, aquelas “regras” que o indivíduo acredita que precisa seguir rigidamente.

Quais as características de uma pessoa compulsiva?

Uma característica marcante em uma pessoa compulsiva é a de ser tomada por uma pressão interna que, normalmente, faz com que ela tome uma atitude impensada.
Por exemplo, um comprador compulsivo pode assumir um desejo de consumir tão grande que ele não avalia se aquela aquisição é necessária ou não.
Ou pior, se ele tem ou não condições financeiras de arcar com aquela determinada compra.
Portanto, o seu único objetivo é satisfazer aquela vontade momentânea.
O compulsivo faz do desejo um hábito, sobretudo quando algo não vai bem no seu lado emocional.
Baixa autoestima e problemas de relacionamento são motivos frequentes para acentuar ainda mais a compulsão.

O comportamento compulsivo é maior em homens ou mulheres?

Outra característica do comportamento compulsivo é que ele não está restrito a esse ou àquele gênero. Tanto homens quanto mulheres podem ter condutas dessa natureza.
Elas estão mais propensas a terem compulsões relacionadas às compras, já eles com sexo, álcool e outras drogas.
Mas isso é uma questão mais cultural do que qualquer outra coisa. Afinal, não há nenhum indício biológico conhecido para essas amostragens.

O circuito cerebral de recompensa

Os comportamentos compulsivos muito se explicam por uma estrutura no nosso cérebro chamada popularmente de circuito de recompensa.
É ela que intervém e estabelece as relações de prazer em nossa mente.
Comer o seu prato preferido, comprar uma roupa da moda e sair para beber com amigos são casos que podem estabelecer graus diferentes de satisfação, dependendo do indivíduo.
Pessoas que são dependentes de determinados comportamentos ou substâncias ligam esses vícios à sensação de bem-estar e passam a acreditar que a única forma de ter felicidade é estando em contato com eles.
O circuito cerebral de recompensa está diretamente ligado com a quantidade de dopamina, neurotransmissor que é responsável pela sensação de prazer, que existe em nossos organismos.
Quando se tem dependência por alguma substância ou comportamento, a ação da dopamina se esgota e esvazia com muito mais facilidade. Assim, o compulsivo precisa ir atrás daquilo que o satisfaz para tentar equilibrar os níveis desse neurotransmissor e se sentir minimamente bem.

Existem fatores de risco para o comportamento compulsivo?

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De maneira geral, é difícil falar em fatores de risco que desencadeiem o comportamento compulsivo, ainda que seja possível traçar alguns paralelos.
No caso da compulsão por compras, da qual tanto falamos, pessoas com alto poder aquisitivo tendem a estar mais expostas, justamente pela disponibilidade de recursos para gastar.
No entanto, a facilidade de acesso nem sempre é uma regra para repetição de comportamento.
Também podemos citar, por exemplo, a exposição a situações traumáticas como um fator de risco para o consumo compulsivo do álcool ou das drogas.

Tecnologia e compulsão: existe relação?

Desde a década de 1990, com o avanço da tecnologia, o uso excessivo da internet ou o tempo demasiado dedicado aos jogos têm despertado a atenção de especialistas para um novo tipo de compulsão.
Mais comum entre o público jovem, a compulsão por tecnologia exige atenção dos pais e educadores.

Dicas e orientações para os pais

Muitas são as crianças que gostam de passar o dia no computador ou videogame – e isso não é algo ruim, necessariamente.
O importante é manter o controle para que esse hábito não roube o tempo de outras atividades que também são essenciais.
Definir desde cedo um tempo limite de uso por dia pode ser uma boa estratégia para evitar que todo o dia gire em torno disso.
Também vale uma conversa franca sobre a importância de diversificar atividades.
Mesmo que, em um primeiro momento, a criança pareça não entender, a mensagem é internalizada.

E o transtorno obsessivo-compulsivo?

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Já falamos sobre compulsão, obsessão e fizemos uma relação entre ambos.
Mas você sabe o que é e como se caracteriza o chamado transtorno obsessivo-compulsivo?
Fique atento aos detalhes.

O que é transtorno obsessivo-compulsivo?

Você já deve ter ouvido alguém dizer que possui TOC (sigla para transtorno obsessivo-compulsivo) por não conseguir deixar alguma coisa fora do lugar.
No entanto, a questão é muito mais séria.
O TOC pode ser definido, de maneira muito simples, como pensamentos excessivos que desencadeiam comportamentos repetitivos – exatamente como falamos na ligação entre obsessão e compulsão.

Quais são os tipos e as causas de transtorno obsessivo-compulsivo?

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Ainda hoje não se saiba ao certo quais são as causas do TOC, mas há indicativos de que se trata de um problema de ordem multifatorial.
Alguns estudos sugerem, inclusive, que há uma ligação com alterações existentes na comunicação entre zonas cerebrais específicas.
Mesmo assim, questões de ordem psicológica e histórico familiar também não são descartados como desencadeadores desse distúrbio.
Vale ressaltar ainda que, atualmente, o TOC é classificado em duas categorias distintas.
O primeiro deles é chamado de subclínico e ocorre quando as obsessões e os rituais aparecem com frequência, porém sem atrapalhar a vida da pessoa de maneira decisiva.
Já no segundo caso, que denomina o transtorno obsessivo-compulsivo, propriamente dito, as obsessões são mais intensas e só a prática do comportamento compulsivo é capaz de aliviar a ansiedade.
Por conta disso, o impacto na rotina é direto.

Quais são os sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo?

De modo geral, podemos dizer que os sintomas do TOC envolvem alterações diversas, que acontecem em três níveis distintos, mas interligados:

  • Pensamento: surgimento de preocupações e dúvidas excessivas como a possibilidade de falhas, doenças e questões negativas, de forma ampla
  • Comportamento: caracterização a partir de rituais repetidos à exaustão, com padrões rígidos a serem seguidos, o que leva a uma lentidão no desempenho das tarefas
  • Emocionais: sensação de culpa, medo, desconforto e constante aflição.

Sintomas de obsessão

  • Repetição de frases ou palavras específicas
  • Necessidade de relembrar imagens
  • Mania de contar um sequência numérica
  • Preocupação excessiva com simetrias
  • Agir de acordo com padrões específicos para datas
  • Medo constante de contágio por doenças.

Sintomas de compulsão

  • Lavagem constante das mãos e preocupação excessiva com a limpeza
  • Criação de sistemas de controle para qualquer atividade
  • Acúmulo de itens específicos sem qualquer justificativa aparente
  • Necessidade de repetir gestos antes, depois ou durante uma ação.

Convivendo com o TOC e prognóstico

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Conviver com alguém que possui transtorno obsessivo-compulsivo pode não ser tarefa fácil.
É comum que existam conflitos pela incapacidade de compreender a necessidade de repetição como algo que está além do controle lógico do indivíduo.
Também é possível que ocorram situações desagradáveis, nas quais a pessoa peça para que todos lavem as mãos ou organizem seus calçados de uma maneira específica.
Justamente por tudo isso, oferecer apoio e compreensão é fundamental para que o quadro possa ser superado.
Afinal, agir com hostilidade só vai afastar a pessoa e dificultar que ela siga um tratamento adequado, que possa auxiliar, de fato, na superação do problema.
No lugar das brigas e trocas de acusações, a melhor escolha é optar pelo diálogo e dar apoio no processo de substituição do comportamento compulsivo por ações mais saudáveis.

Como prevenir o transtorno obsessivo-compulsivo?

Métodos preventivos ao TOC ainda estão sendo desenvolvidos, mas ainda não há nada de muito concreto.
O que se conseguiu até aqui é tentar evitar que familiares de primeiro grau de pacientes com o transtorno também desenvolvem a doença.
Como se trata de um problema em que a influência comportamental interfere muito, mais até que questões hereditárias, quanto mais cedo uma intervenção for feita, menor são as chances de crianças repetirem condutas dos parentes próximos.
Uma saída é mostrar para essas novas gerações o quão nocivos alguns rituais podem ser para sua rotina, a fim de inibir a manifestação deste tipo de comportamento.
Mas para ajudar os pequenos, é fundamental que os adultos estejam bem resolvidos quanto a aspectos comportamentais.
Outra forma de prevenção é evitar a exposição a substâncias que podem levar ao transtorno ou seu agravamento, como álcool e outras drogas ilícitas.

Exemplos de compulsões

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Ao longo deste artigo, falamos de alguns tipos de compulsões, mas existem muito mais.
Conheça os exemplos mais comuns e aqueles um tanto quanto inusitados:

  • Compulsão alimentar
  • Compulsão por trabalhar ou workaholismo
  • Alcoolismo
  • Vigorexia, compulsão por atividades físicas
  • Oniomania, compulsão por compras
  • Compulsão por jogos de azar
  • Tricotilomania, compulsão de arrancar os próprios cabelos por prazer
  • Compulsão sexual
  • Compulsão por limpeza
  • Compulsão por organização
  • Compulsão religiosa ou TOC religioso.

O coaching como ferramenta de transformação

Que tal contar com novas perspectivas de transformação e permitir que o comportamento compulsivo fique para trás?
Aliando o tratamento com as possibilidades oferecidas pela metodologia de coaching, chegar lá fica muito mais fácil.
A partir da definição de metas claras, é possível ter um horizonte a ser perseguido.
Se o objetivo é abandonar a compulsão e construir um futuro com mais qualidade de vida, você pode ter o suporte de um coach para traçar um plano de ação e desenvolver as competências comportamentais necessárias para alcançar essa meta.
É possível definir, inclusive, maneiras para que as proposições do tratamento sejam seguidas da melhor forma.
Além disso, com o coaching, pode trabalhar conceitos como autoconhecimento e autocontrole, que vão permitir conhecer melhor os próprios limites.

Conclusão

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Como vimos, lidar com um comportamento compulsivo não é tarefa nada fácil.
Justamente por isso, é importante que o tema não se transforme em simples piada: um quadro de compulsão exige acompanhamento médico e envolve um longo processo de transformação, no qual o coaching pode oferecer um suporte decisivo.
Além disso, é importante estar atento aos sinais: ao notar um comportamento que parece repetitivo demais, vale a pena investigar mais a fundo.
E se você descobriu que existe alguém em sua família ou mesmo um amigo que possui o transtorno obsessivo-compulsivo, lembre-se de que oferecer apoio e compreensão é uma maneira muito mais efetiva de lidar com o quadro do que apenas apontar o dedo e verbalizar a necessidade de mudança.
Afinal, ninguém desenvolver um comportamento compulsivo porque quer.
Se o artigo ajudou, não esqueça de compartilhar.
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