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Déficit cognitivo: entenda o que é e como identificar

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Você já ouviu falar em déficit cognitivo?

Ainda que seja essa uma limitação capaz de trazer dificuldades para o dia a dia, isso não significa que não existam alternativas para tratamento e melhora da qualidade de vida do indivíduo.

O importante é, desde o início, conhecer muito bem o conceito e entender as suas implicações.

Afinal, assim fica mais fácil de buscar as opções disponíveis para evoluir e agir de forma rápida.

Também é fundamental que a família e os amigos sejam capazes de compreender o quadro e evitem rotulações e preconceitos.

Quer saber mais sobre o assunto? Então, venha com a gente ao longo do artigo e tire todas as suas dúvidas.

O que é déficit cognitivo?

Para responder a essa pergunta, vamos voltar um pouco nos conceitos e definir o que é cognição.

Esse é um termo que se refere ao modo como o nosso cérebro é capaz de perceber, aprender, recordar e também processar as informações que foram captados pelos sentidos: visão, audição, paladar, tato e olfato.

Assim, o déficit cognitivo se configura como uma dificuldade nesse processo, sobretudo no aprendizado.

O que ocorre é uma limitação da capacidade mental de assimilar informações.

É importante lembrar que não existe um único padrão de déficit cognitivo, mas que a sua presença cria entraves em processos como a capacidade de raciocínio lógico, concentração, comunicação e aprendizagem.

Como identificar o déficit cognitivo?

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Atualmente, a identificação do déficit cognitivo é feita a partir da aplicação dos chamados testes neuropsicológicos.

O objetivo é entender o nível de limitação envolvido e de que maneira ela se manifesta.

É como um grande escaneamento do cérebro utilizado na compreensão de todos os seus processos e também para localizar eventuais lesões.

Vamos avançar sobre como isso funciona nos próximos tópicos.

Investigação neuropsicológica

Para identificar um possível déficit, são realizados inúmeros testes, todos focados em entender e avaliar habilidades cognitivas.

A investigação é baseada ainda em dados recolhidos durante a anamnese (como é chamada a entrevista inicial por um profissional da saúde) e nos questionários.

O desenvolvimento de uma avaliação neuropsicológica, considerando todas as suas ferramentas e níveis, tem como objetivo principal a coleta de dados para ajudar na compreensão de qual é a extensão das perdas e também de quais pontos permanecem intactos.

É essa avaliação que permite traçar um planejamento específico de intervenção, de acordo com as características do indivíduo e as informações apuradas.

Afinal, cada caso é um caso e, por isso, requer medidas personalizadas.

Quais funções mentais são avaliadas na identificação do déficit cognitivo?

Entre as funções avaliadas para identificar um déficit cognitivo, estão as seguintes:

  • Memória: tanto de curto quanto de longo prazo e incluindo memória auditiva, visual, contextual e não verbal
  • Raciocínio lógico: avaliação da velocidade de processamento, da capacidade de planejar e contextualizar informações
  • Atenção: atualização, enfoque, atenção dividida e inibição
  • Coordenação: capacidade de desenvolver ações específicas de maneira concomitante e tempo de resposta
  • Percepção: tanto visual quanto de espaço, estimativa e capacidade de exploração visual.

Quais são os sintomas do déficit cognitivo?

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Doenças como Alzheimer e Parkinson estão entre as mais conhecidas quando o assunto é o déficit cognitivo.

Em comum, ambas possuem a incidência mais frequente em idosos.

Por conta disso, é comum que as pessoas associem o surgimento de dificuldades cognitivas com o envelhecimento.

Mas a verdade é que os sintomas podem aparecer muito antes, até mesmo ainda na infância, estando relacionados aos mais variados quadros.

Por isso, é recomendável estar atento aos sintomas e buscar ajuda especializada caso algum deles seja identificado com uma intensidade maior do que o comum.

Dificuldades relacionadas a todos os campos que citamos anteriormente – como na comunicação ou no raciocínio lógico, por exemplo – podem servir como indicativos.

E as causas?

As causas de um déficit cognitivo são as mais variadas possíveis.

O chamado comprometimento cognitivo leve, também conhecido como declínio cognitivo, por exemplo, é um déficit que pode causar perda de memória.

Ele pode ter origem na ansiedade, na depressão, em dificuldades para dormir e até mesmo em síndromes de origem metabólica ou endócrina.

Ainda que a maior parte das pessoas com esse comprometimento não chegue a desenvolver doenças como o Alzheimer, a maioria que alcança esse estágio apresenta um declínio cognitivo.

Além disso, a origem também pode estar em lesões cerebrais causadas por um traumatismo, exposição a produtos químicos ou tóxicos, casos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), paralisia cerebral e até mesmo por conta de um acidente vascular cerebral (AVC).

Existe tratamento para o déficit cognitivo?

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Não existe cura, mas o déficit cognitivo pode ser tratado de diversas formas, sempre de acordo com origem do problema.

De maneira geral, todo o tratamento é desenvolvido de maneira multidisciplinar.

Ou seja, envolvendo profissionais de diferentes campos da saúde – desde médicos e fonoaudiólogos até psicopedagogos.

O foco é trabalhar as limitações identificadas a partir de estímulos que ajudem a desenvolver as habilidades cognitivas.

Com isso, a expectativa é que o indivíduo possa melhorar a sua autoconfiança e também consiga alcançar maior qualidade de vida.

Papel da família e da escola

Confiança é palavra-chave em todo esse processo.

Por conta das limitações envolvidas e mesmo de rotulações recebidas de outras pessoas, é comum que a pessoa com algum déficit cognitivo acabe se sentindo desmotivada, com baixa autoestima e experimentando uma sensação de fracasso.

Por isso, família, amigos e até mesmo a escola, caso estejamos falando de crianças, desempenham um papel fundamental.

É preciso que todos trabalhem em conjunto para compreender a situação e agir de maneira propositiva, oferecendo o suporte necessário.

Afinal, pode não ser fácil ver uma pessoa adulta que antes tinha total independência passar por um quadro de AVC e ter suas possibilidades limitadas por alguma sequela cognitiva deixada.

No entanto, é importante não jogar a toalha e seguir o tratamento à risca.

No caso de crianças com TDAH, por exemplo, um dos grandes desafios é evitar que o bullying sofrido pelos colegas ou mesmo a incompreensão por parte da sociedade se transformem em limitadores para o aprendizado.

Déficit cognitivo em crianças

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Ao longo do texto, trouxemos algumas informações sobre o déficit cognitivo em diferentes fases da vida.

Mas é importante especificar sua manifestação e possibilidades em cada um desses momentos.

Orientação profissional para crianças com déficit cognitivo

No caso das crianças, o acompanhamento desde cedo é a melhor abordagem.

Ou seja, é preciso trabalhar a prevenção.

Esse, inclusive, é um alerta que tem sido repetido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) há bastante tempo.

A orientação é ficar de olho nas possibilidades de distúrbios ou atrasos no desenvolvimento infantil.

Quando ignorados na infância, existe a chance de que os sinais se intensifiquem e até mesmo deem origem a quadro mais graves, como transtornos mentais e problemas no processo de aprendizagem.

Nesse sentido, construir um ambiente familiar que seja aberto ao diálogo e ao incentivo do desenvolvimento individual é uma boa forma de reduzir as possibilidades de preocupações lá na frente.

Além disso, identificar precocemente traços que possam indicar um déficit cognitivo abre espaço para que sejam feitas intervenções propositivas, capazes de proporcionar a construção de habilidades e competências que poderiam não se desenvolver sem a abordagem adequada.

Déficit cognitivo em idosos

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Lembra o declínio cognitivo de que falamos antes? Bastante comum entre os idosos, ele não é considerado como uma demência, diferente do Alzheimer, por exemplo.

A diferenciação é fundamental para evitar preocupações e até mesmo que os quadros sejam confundidos.

Aqui, novamente, a prevenção é a melhor estratégia – e estudos publicados recentemente reforçar esse entendimento.

Sintomas como a falta de atenção, a perda de memória e mesmo algumas dificuldades no raciocínio lógico são característicos do declínio cognitivo.

Fique atento, pois eles podem aparecer mais cedo do que você imagina, na chamada meia-idade – ou por volta dos 50 anos de idade.

A boa notícia vem dos pesquisadores do American College of Neuropsychopharmacology, nos Estados Unidos.

Eles perceberam que esses traços podem ser curados se tratados desde o início.

Mais do que isso: é possível retardar o surgimento das doenças neurodegenerativas, casos do Alzheimer e do Parkinson.

Assim, os resultados dão conta de que mudar comportamentos e evitar os fatores de risco ainda na meia-idade, quando os sinais apresentados estão em estágio inicial, pode trazer benefícios de longo prazo e diminuir as chances de desenvolver um quadro de demência.

Entre os fatores considerados de risco, estão a falta de exercícios físicos, pressão arterial elevada e mesmo a má alimentação.

Se você se identificou com algum deles, vale a pena seguir na leitura e conferir a importância de abandonar de vez qualquer hábito nocivo.

Algumas dicas para gerenciar problemas cognitivos

Além do tratamento com apoio especializado de um conjunto de profissionais, existem atitudes positivas que podem ser inseridas na rotina.

Elas são importantes para vencer o desafio e minimizar os efeitos de eventuais problemas cognitivos.

Veja algumas delas a seguir.

1. Use um calendário ou agenda diária para não esquecer atividades e datas importantes

Que tal voltar ao bom e velho hábito das agendas?

Ainda que elas possam parecer ultrapassadas para muitos, também são ótimas para ajudar na organização da rotina e evitam que você acabe faltando a um compromisso por puro e simples esquecimento.

Além disso, são uma forma de gerenciar melhor o tempo e deixar para trás os atrasos.

Mas se você não é exatamente um adepto ao papel, não tem problema.

O que não falta são aplicativos para ajudar a tornar o dia a dia mais eficiente e organizado.

O próprio Google Agenda é uma forma de anotar todos os compromissos e ter tudo centralizado em um único local.

Já opções como o Google Keep permitem anotar lembretes, seja em formato de lista, áudio ou até mesmo fotografia.

É possível, inclusive, adicionar alertas para horários específicos – o que pode se transformar até mesmo em uma maneira de tomar todos os medicamentos no horário.

2. Peça às pessoas para repetir as informações e anote as novas informações

Não tenha receio de pedir para que as pessoas repitam as informações tantas vezes quanto forem necessárias.

Essa é uma forma de estar sempre atualizado e não deixar que um mal entendido acabe se transformando em um esquecimento.

Quando fizer essa confirmação, não se esqueça de anotar todas as informações repassadas e de deletar ou riscar as antigas.

É uma medida simples, mas que ajuda a evitar confusões.

3. Use lembretes e faça listas

Vai ao supermercado ou precisa passar em diferentes lugares ao longo do dia? Não pense duas vezes antes de criar listas e lembretes.

Esse é um artifício ótimo para evitar esquecimentos e que ainda ajuda a traçar roteiros mentais.

O mesmo vale para o trabalho. Antes de começar o expediente propriamente dito, que tal enumerar todas as tarefas do dia?

Depois, atualize o status de cada uma delas conforme andar o desenvolvimento.

Pouco antes de ir embora, avalie o quanto foi possível cumprir.

Sua organização vai melhorar muito com esse exercício simples.

4. Exercite seu cérebro com atividades mentais

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Você já deve ter ouvido falar que realizar atividades lúdicas, como palavras cruzadas, sudoku e outras do gênero, ajuda a exercitar o cérebro, não é mesmo? E essa é uma boa dica.

Em primeiro lugar, todo estímulo é bem-vindo.

Em segundo, manter o cérebro em funcionamento é uma forma de permitir que ele esteja em constante desenvolvimento.

Ainda assim, um estudo realizado pelo Conselho Global de Saúde do Cérebro (GCBH), em uma parceria com a Age UK, do Reino Unido, mostra que é preciso ir além.

De acordo com os pesquisadores, a realização constante de jogos de lógica semelhantes tende a levar as pessoas ao aperfeiçoamento, como aconteceria em qualquer outro âmbito da vida. Dessa forma, os desafios ficam mais fáceis com o passar do tempo.

O que fazer então?

A pesquisa traz algumas alternativas que podem ajudar a evitar o declínio cognitivo.

A principal delas é se dedicar a atividades inéditas, não desenvolvidas antes.

Ou seja, aprender coisas novas que auxiliem a mente a se exercitar, que criem desafios diferentes para o cérebro.

O importante aqui é deixar de lado aquele conceito de que é muito tarde para aprender.

Inclusive, porque os pesquisadores destacam que mesmo ações muitos simples já podem ajudar, o que inclui organizar o jardim, jogar cartas ou reservar um tempo para brincar com os netos.

A socialização também é outro aspecto fundamental, já que estimula um propósito de vida enquanto ajuda o cérebro a se manter sempre ativo.

5. Faça atividade física

Essa é uma daquelas dicas versáteis, que vale para diferentes situações e contextos – e não é por acaso.

Além de ser uma forma de gastar energia e melhorar o funcionamento do organismo como um todo, o exercício físico é capaz de auxiliar na memória.

É o que mostra um estudo brasileiro, desenvolvido em uma parceria entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fiocruz e Instituto D’Or.

Publicada na revista Nature Medicine, a pesquisa revela que as atividades físicas são capazes de elevar os níveis do hormônio chamado irisina, que é liberado pelos músculos quando estão em constante movimento.

O hormônio age na proteção do cérebro e também no processo de restauração da memória.

Ele também é capaz de impedir que as toxinas responsáveis por alterações neurodegenerativas consigam se ligar aos neurônios.

A conclusão é de que todos esses benefícios podem ajudar a reduzir as chances do desenvolvimento de demência.

6. Fique de olho no seu prato

Cuidar da alimentação é outro aspecto que pode jogar ao seu favor – e isso vale tanto para a prevenção quanto para minimizar os efeitos de um déficit cognitivo.

Nesse aspecto, é importante investir em uma dieta balanceada.

Na hora de escolher os alimentos e pratos que vão compor as refeições, vale a pena apostar em ingredientes que contem com o famoso ômega 3, um poderoso aliado para a saúde mental.

É o caso, por exemplo, da quinoa, que também é rica em ferro, proteína, cálcio e vitaminas do complexo B.

Linhaça e salmão são outras excelentes opções.

Já o morango, por sua vez, conta com a chamada fisetina, que auxilia diretamente na memória, assim como o tomate.

Partindo para os alimentos de coloração roxa, não dá para esquecer da uva e do mirtilo, ricos em flavonoides.

Conclusão

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E aí, o que você achou do nosso artigo sobre déficit cognitivo?

A verdade é que, apesar dos preconceitos e rotulações que muitas vezes surgem – de forma equivocada, importante dizer -, quadros como os descritos ao longo do texto possuem tratamento e não só podem, como devem, ser tratados de maneira multidisciplinar.

Afinal, com todos trabalhando de maneira coletiva e a partir de sua expertise, fica mais fácil não só identificar quais são as dificuldades apresentadas, mas também propor alternativas para tornar o tratamento mais eficiente e propositivo.

Lembre que o importante é sempre preservar a qualidade de vida e que o apoio das pessoas próximas é fundamental para isso.

Quanto mais atenção o assunto receber desde cedo, maiores são as chances de um tratamento eficaz.

Por isso, não hesite em buscar ajuda.

O coaching não é terapia, mas possui embasamento científico para contribuir de uma forma bastante específica, mas que pode ser fundamental.

Estamos falando sobre o desenvolvimento de competências comportamentais de modo propositivo. Ou seja, a partir da identificação precoce de sinais de déficit cognitivo.

Você pode ser a melhor versão de si mesmo. É nisso que se concentra o processo de coaching.

E você, já passou por alguma experiência relacionada ao assunto?

Aproveite o espaço dos comentários para compartilhar com a gente!

Também não deixe de divulgar este conteúdo em suas redes sociais – quem sabe essa não seja uma chance de oferecer informação a alguém que precisa.

3 Comentários

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  1. Excelente matéria! Tenho um enteado que foi (por maus profissionais) classificado com déficit de atenção.
    Acho que agora posso ajudá-lo a encontrar uma solução para amenizar o sofrimento dele e da família.

  2. Gostei muito da matéria. Tenho uma filha de 10 anos que foi também classificada(pelos pedagogos) com déficit de atenção. Mas lendo a matéria percebi que minha filha näo se enquadra neste problema.

    Obrigada.

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