Posted in:

Dignidade: significado, importância e como preservar?

Dignidade não é algo que se mede pela cor da pele, gênero, orientação sexual, religião, etnia ou classe social.
Afinal, todos somos seres humanos e devemos ser respeitados por isso.
Infelizmente, na prática, nem sempre acontece assim.
Você, certamente, já se deparou com alguém que faz questão de manter aquele ar de superioridade, agindo com prepotência, como se as outras pessoas estivessem um degrau abaixo.
Mas será que tem como mudar esse panorama?
Neste artigo, vamos trazer dicas e exemplos de atitudes para tentar preservar a dignidade e o respeito entre todos.
Além disso, vamos refletir sobre o que podemos fazer para que possamos viver em uma sociedade mais justa e igualitária.
Pronto para começarmos?

O que é dignidade?

Dignidade é uma palavra que deriva do latim dignitate, que quer dizer honradez, consideração, virtude.
Ela serve para designar aquela pessoa que é digna, que atua com decência, integridade e honestidade.
Ainda que relacionada ao respeito, a dignidade é algo muito mais abrangente e que deveria fazer com que todos nós fôssemos vistos como iguais aos olhos dos outros.

O que é a dignidade da pessoa humana?

Qualquer cidadão que sentir a sua dignidade ferida, pelo motivo que for, pode entrar com uma ação de danos morais.
Caso a acusação seja provada na Justiça, cabe punição à pessoa que causou o dano.
Isso acontece porque a dignidade da pessoa humana é um princípio que está presente na Constituição do Brasil.
Ou seja, é dever do Estado garantir que os seus direitos sejam respeitados e o seu bem-estar assegurado, independentemente de qualquer coisa.
Em outras palavras, a dignidade da pessoa humana é algo inerente a nós.
Ninguém pode retirá-la de você, pois ela faz parte da sua essência.
Justamente por isso, qualquer tentativa de ferir esse princípio pode ser julgada criminalmente.
Há, inclusive, uma conexão direta entre esse conceito e o conjunto de direitos fundamentais, que garantem a igualdade a todos os cidadãos.
Alguns exemplos são o direito à vida, à liberdade religiosa, à liberdade de expressão, à igualdade de gênero, à segurança, à educação, acesso ao transporte público, à moradia, à saúde, à previdência, ao trabalho, proteção às crianças, entre outros.

Dignidade segundo Kant

Você já deve ter ouvido alguma vez uma pessoa dizer que a “dignidade não tem preço” ou que “ela não está à venda”.
Essas frases tem muito a ver com a definição do filósofo alemão Immanuel Kant sobre o termo.
Segundo ele, existem coisas que possuem preço – que podem ser trocadas por algo equivalente – e outras que estão acima de qualquer valor, como a dignidade.
Mais do que isso, em sua obra “Fundamentação da Metafísica dos Costumes”, Kant escreveu que as pessoas deveriam ser tratadas como um fim em si mesmas e não como um meio para se chegar a algum lugar, igual a um objeto.

Qual a importância da dignidade?

dignidade qual importancia
A dignidade também tem muito a ver como a forma como nos vemos enquanto indivíduo.
Ela é uma qualidade moral que desperta a consciência interior.
É o amor próprio, o brilho no olho, o brio.
Por isso, ela é tão importante.
Com esse sentimento, temos a autoestima elevada, mostrando a todos a nossa força e o nosso valor.
A sensação positiva de ser visto, ouvido e reconhecido por ser quem somos é fruto da dignidade. Todos deveríamos ser tratados assim, com igualdade.

Como preservar e promover a dignidade?

dignidade como preservar promover
Como o próprio Kant definiu, não devemos tratar os outros como um objeto, como um meio para conquistar o que desejamos.
Refletir sobre os nossos comportamentos diários é uma forma de tentar preservar e promover a dignidade.
Será que realmente tratamos todos com respeito?
Pense nos diferentes contextos e ambientes.
Você age da mesma forma com o zelador e com o síndico do seu prédio?
Ou isso só acontece quando necessita de um serviço de manutenção geral do porteiro no seu apartamento?
E no seu trabalho, a atenção dada ao chefe ou superiores é igual à oferecida aos colegas e estagiários?
Não precisa responder agora, mas só procure avaliar como acontecem todas essas relações e se existe algo que possa ser feito de maneira diferente.
As grandes transformações começam em pequenos atos. Pense nisso.
Antes de tentar mudar o mundo, procure modificar a sua realidade.

Dicas e maneiras para ajudar a proteger a dignidade humana

dignidade dicas maneiras para proteger
Tudo o que dissemos até aqui faz sentido para você?
Fizemos um resumo, reunindo algumas atitudes que podem ajudar a proteger a dignidade humana.
Confira:

  • Tratar todos de maneira igual
  • Respeitar as diferenças
  • Eliminar os preconceitos
  • Fazer a sua parte
  • Abrir a sua mente
  • Refletir sobre as suas atitudes
  • Passar a se colocar no lugar do outro.

Dignidade e os princípios da humanidade

dignidade principios humanidade
Seguir alguns “mandamentos” da boa convivência, que muito se conectam com as dicas que já trouxemos, pode ajudar você a guiar as suas atitudes diárias em relação aos outros.
Veja o que dizem cada um desses princípios da humanidade.

Princípio do respeito

Em todas as suas ações, em diferentes ambientes e diante de qualquer circunstância, trate todas as pessoas com respeito.
Todo ser humano tem a mesma dignidade, simplesmente pela sua condição básica de ser humano.
Não existe um sistema de medida para mensurar a dignidade e dizer se alguém é mais digno que o outro.
Até porque ele seria inútil, uma vez que o valor seria incalculável.
Objetos, produtos, mercadorias e serviços têm preço e podemos aferir valor a cada um deles.
Uma casa é mais cara que uma roupa. Um carro tem um custo mais elevado que um corte de cabelo e por aí vai.
Da mesma forma, as coisas materiais podem ser manipuladas, usadas, trocadas. Já as pessoas, não.
Cada um de nós tem uma identidade própria e insubstituível, que permite que façamos escolhas e tomemos decisões livremente.
O princípio do respeito não se aplica somente aos outros, mas também a nós mesmos.
Devemos agir com integridade, conforme nossos valores.

Princípio da boa vontade

Evite prejudicar os outros mesmo que, indiretamente, a ação traga benefícios para você.
Procure sempre agir com boa vontade e privilegiando o bem comum.
Isso nem sempre vai ser possível, é claro.
Eventualmente, alguém pode não ficar satisfeito com uma decisão pontual sua, mas fique com a consciência tranquila em ter pensando em prol do coletivo e não das individualidades.

Princípio do duplo efeito

Uma atitude que, em um primeiro momento, pode parecer benéfica, ali na frente, pode trazer prejuízos.
Por isso, é fundamental medir seus passos para não ferir a dignidade de ninguém.
Por exemplo, digamos que você está decidido a demitir um colaborador que não consegue se adaptar à sua função e, por consequência, está atrapalhando o desempenho coletivo.
No entanto, o seu orçamento está apertado e você teria que sobrecarregar alguém da equipe – provavelmente aquela de maior salário – para acumular duas atribuições enquanto encontra verba para uma contratação.
Não parece justo, não é mesmo?
Então, a melhor saída seria rever essa atitude e pensar em uma alternativa melhor.
Uma ideia é conversar com o colaborador que não consegue se adaptar, tentar entender os seus motivos e, se for o caso, dar uma nova chance.
Também é possível substituir a sua função por outra na qual ele tenha mais familiaridade.

Princípio da justiça

É um pouco similar ao princípio do respeito e propõe que tratemos todos de forma justa e igualitária, correspondente à dignidade.
Os exemplos que trouxemos anteriormente do zelador e do síndico, do chefe e dos colegas de trabalho, cabem aqui.
Não importa se eles ocupam posições hierárquicas antagônicas, todos devem ser tratados com justiça.

Princípio da utilidade

Antes de realizar uma ação, pense em todas as possibilidades e avalie qual decisão vai atingir positivamente o maior número de pessoas.
É sobre isso que trata o princípio da utilidade.
Supondo que você esteja tratando todo mundo bem e respeitando as suas dignidades, escolha o caminho que for mais útil à maioria.
Esse princípio analisa mais a consequência do que propriamente a ação, em si.
Por exemplo, você é proprietário de um negócio de entretenimento infantil e descobriu que as suas instalações estão com problemas e precisam de reparo.
Qual é a decisão mais sensata a ser feita? Fechar o estabelecimento pelo tempo necessário e fazer as obras indispensáveis.
As crianças e os pais podem até ficarem tristes com a notícia em um primeiro momento, mas depois vão entender que a medida foi preventiva, buscando a segurança de todos.

A perda da dignidade

dignidade perda
Assim como existem ações que ajudam a preservar e promover a dignidade, há aquelas que provocam o efeito contrário, prejudicando esse sentimento.
Vamos descobrir?
A primeira delas é o preconceito.

Preconceito

Achar que uma pessoa é mais digna do que outra porque ela é diferente de um padrão aceito socialmente é algo inadmissível.
Não é porque seus pensamentos divergem de terceiros que você tem o direito de desrespeitar essas pessoas.
A própria Constituição define que a dignidade não tem cor, religião e nem se distingue por gênero e orientação sexual.
Portanto, o que temos que fazer é tratar todos com respeito, independentemente de qualquer outra coisa.

Censura

A censura não deixa de ser uma forma de preconceito, que cala diversas vozes que não expressam os mesmos anseios de quem incita esse silenciamento.
Não deixar que as múltiplas opiniões circulem livremente por aí é uma maneira de silenciar a dignidade dos outros.
Cada um tem o seu lugar de fala, defende as suas bandeiras, os seus ideais, que podem ser iguais ou diferentes dos demais, mas nem por isso menos importantes.
Em regimes autoritários, o cidadão perde a sua dignidade da pessoa humana porque é, muitas vezes, submetido à tortura, que viola muitos daqueles direitos fundamentais que falamos lá no início deste artigo.

A restituição da imagem

Quando alguém sofre censura ou é vítima de preconceito, é preciso restituir a sua imagem.
Para isso, existem na imprensa os chamados direitos de resposta.
Vamos supor que você foi alvo de uma reportagem fantasiosa, que atingiu a sua dignidade.
Caso tenha se sentido lesado, pode (e deve) ir em busca de um espaço para dar a sua versão.
Em outras situações, que muitas vezes chegam até a Justiça, também é possível fazer um pedido de retratação pública, de modo a minimizar os danos sofridos.
Essa é uma forma de o outro reconhecer que estava errado.

Qual a relação entre dignidade e empatia?

dignidade qual relacao empatia
O caminho para que a dignidade reine plena e absoluta é a empatia.
Significa se colocar no lugar do outro, sendo a melhor maneira de entender que, assim como você, o outro também é importante e merece ser tratado com respeito.
Antes de julgar alguém, tecer algum comentário preconceituoso e reproduzir um estereótipo, pense: eu gostaria que fizessem comigo o que estou prestes a fazer com ele?
Pronto. Se essa reflexão for feita, a chance de uma mudança de postura é muito grande.
Empatia e dignidade caminham lado a lado, pois, com a ajuda da primeira, conseguimos ver que somos todos iguais e temos os mesmo direitos.
Procure exercer a empatia mais vezes e você vai ver que a vida é muito mais bonita quando a vemos por diferentes perspectivas.

As qualidades da dignidade

Agora que você já viu a importância que se colocar no lugar do outro tem em relação ao respeito com o próximo, o que acha de desenvolver as qualidades da dignidade?
As etapas a seguir são fundamentais para esse objetivo.

Tratar a todos com respeito e ser tolerante frente às diferenças

Chega a ser um pouco repetitivo, mas não adianta.
Tratar todo mundo com respeito, diferenças de qualquer natureza à parte, é a síntese da dignidade.
Faça da tolerância uma das principais qualidades dentro da suas cartilhas de valores morais, de forma que ela funcione como um guia em todo e qualquer tipo de relação que você estabeleça.
Não importa se estamos falando de um morador de rua ou do presidente da República. Todos são dignos do seu respeito.
Imagine que, no universo de bilhões de pessoas que habitam o mundo, cada ser humano é único, mas nem por isso merece um tratamento diferenciado.
E muito menos podemos impor que todo esse contingente populacional pense de maneira igual à nossa.
Vários elementos impactam a maneira de uma pessoa ser e agir.
Cultura, experiências pessoais, criação e outra infinidades de variáveis moldam nossos comportamentos e emoções.
E isso não faz o seu jeito melhor do que o do outro. Apenas diferente.

Agir com honestidade e ter humildade

Honestidade e dignidade são quase sinônimos.
Inclusive, a origem e o significado delas se parecem.
A primeira deriva do latim honos, que quer dizer honroso e digno, já a segunda, como você leu no início deste artigo, vem do latim dignitate, que significa virtude e honradez.
Mas, mais do que isso, quem é honesto age com coerência e respeita valores éticos e morais.
É por isso que a busca deve ser por se comportar com honestidade consigo mesmo e com os outros, sendo digno da reciprocidade de sentimentos.
Em conjunto com essa virtude, procure praticar também a humildade.
Ter consciência de até onde pode chegar e que você não é nem pior nem melhor do que ninguém por isso é outra qualidade da dignidade.

Respeitar a privacidade das pessoas

Em um mundo no qual as tecnologias estão dominando nossas ações, o conceito de privacidade parece se perder.
É como se a vida de todos nós fosse um reality show, no qual estamos completamente expostos ao julgamento alheio.
No entanto, ainda é preciso preservar a intimidade.
Não é porque um ídolo seu está almoçando com a família em um restaurante que você vai tirar uma foto com o seu celular, sem o consentimento dele.
Mesmo com a aprovação da celebridade, trata-se de uma situação indelicada.
Afinal, ela está em um momento reservado e existem outras situações mais indicadas para se tietar.
Principalmente se o material de divulgação for ferir a dignidade do outro, é algo que deve ser evitado.

Contribuir para uma sociedade mais digna e justa

Alguma situação está incomodando você?
Não vai ser fechando os olhos ou agindo da mesma forma que ela vai mudar.
A transformação precisa partir de você e essa é a melhor forma de promover a dignidade na sua vida.
Contribua do seu jeito para um sociedade mais respeitosa e justa.
Com isso, estamos querendo dizer para refletir sobre as suas atitudes e ver o que pode ser feito para fazer do mundo que vivemos um lugar melhor para todos.
Ter humildade, ser mais tolerante, agir com honestidade, tratar com respeito e preservar a privacidade alheia são atitudes que colaboram para isso, mas você pode fazer ainda mais.
Não espere um exemplo, seja um.

Conclusão

dignidade conclusao
Viver com dignidade implica em respeitar a vida do outro também.
Você e ele podem ter todas as diferenças do mundo, sejam elas físicas, ideológicas, étnicas ou religiosas.
Mas também são iguais em muitos pontos – talvez, você só não tenha todas as informações de que precisa.
O importante é ter em mente que ferir a dignidade do outro não é só algo errado a se fazer, mas que também cria desequilíbrios na vida em sociedade.
E você gostou do nosso artigo sobre dignidade?
Concorda que o respeito ao próximo está acima de qualquer outra coisa?
Agora, aproveite e deixe o seu comentário abaixo.