Desde segunda-feira, o Blog de Coaching mais acessado do Brasil, apresentou histórias que valorizam o papel do professor, sobretudo para uma sociedade que ainda busca a plenitude em todas as etapas do processo de educação.

E para encerrar os trabalhos, você confere um texto muito especial de nossa colaboradora (formada pela SBCoaching), Mariana Viktor, uma das coaches de relacionamento mais prestigiadas e originais do país.

Ela traz à tona um tema que nem sempre é explorado de maneira positiva:

a rigorosidade positiva em sala de aula

, que em princípio pode causar estranheza, mas pelas mãos dos grandes professores, se transforma em amorosidade.

Aproveite a leitura…

O VALOR DA RIGOROSIDADE – SEMANA DO PROFESSOR 2015

Por trás do rigor, muitos educadores trazem amor verdadeiro pelo ensino

 

Quando se fala em Dia do Professor, sempre lembro da Irmã Assumpção

Por Mariana Viktor

Ela foi minha professora no internato de freiras onde estudei quando pequena, em São Paulo. E também era a “madre superiora” – título que para você, leitor ou leitora, talvez não signifique nada. Mas para as crianças que estudavam lá, era equivalente à autoridade máxima do mundo. A pessoa mais temida do Universo.

Irmã Assumpção era altíssima e magérrima (assim mesmo, superlativa!), nariz ligeiramente adunco e fino onde se empoleiravam uns óculos de armação dourada. E tinha uma característica peculiar: bastava apenas um olhar para causar terremotos dentro da gente.

As meninas tinham p-a-v-o-r dela, especialmente quando  desfilava austera pelos corredores tocando uma sineta, e ela tocava sua sineta por motivos sempre desagradáveis: início das aulas, fim do recreio, para dar avisos chatos, para chamar atenção de alguma aluna.

Mas pra mim, não.

Mesmo com toda a falta de experiência dos meus 11 aninhos, eu não me impressionava com o mise en scene da Irmã Assumpção. Mais do que isso, eu gostava dela! Não sei exatamente por quê. Talvez eu percebesse, mesmo sem ter consciência, que por trás daquela caricatura muito alta, magra e carrancuda havia uma pessoa amorosa, dedicada e solitária. Ela tocava meu coração de criança de alguma maneira muito só-dela.

Num dia chuvoso – lembrei que chovia, olha só… – a Irmã Assumpção cruzava pelo corredor com sua inseparável sineta, me aproximei e, num impulso perdoado às crianças, deixei-me levar pela vontade de segurar sua mão ossuda. E segui caminhando assim, de mão dada com ela.

Sem olhar pra mim, tentou soltar a mão. Segurei com mais força e vi o cantinho de seu lábio quase subir e quase formar um sorriso — enquanto ela se esforçava para permanecer brava. Algo nela degelou naquele momento e nos tornamos mais próximas, mesmo que ela nunca tenha reconhecido isso e aparentemente seu comportamento não mudasse.

O “mais próximas” foi literal: certa vez, durante o café da manhã, ela bebeu todo o conteúdo de um ovo cru direto da casca, percebeu que fiz uma careta de nojo e me impôs um castigo. Daquele dia em diante eu seria obrigada a sentar ao lado dela no refeitório – e ai de mim se fizesse careta novamente diante de seu bizarro desjejum. Era assim que ela demonstrava carinho por uma pivete abusada.

Olhando pra trás deste 2015 e lembrando de tudo isso posso dizer que com ela aprendi a mais preciosa das lições: que não devemos nos basear nas aparências e que todo mundo, todo mundo mesmo, precisa de amor. Até a “autoridade máxima do Universo”.

Onde quer que você esteja, Irmã Assumpção, hoje seguro novamente a sua mão e sei que você dá um pequeno sorriso sem que ninguém veja.

Obrigada por tudo. Feliz Dia do Professor!

SEMANA DO PROFESSOR

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