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Ego: o que é, qual a sua influência e como reconhecê-lo

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Ego. Uma palavra tão pequena, mas de impacto tão grande.

Muito provavelmente você já deve ter ouvido, ou até mesmo falado, a seguinte frase, em diversas oportunidades: “Aquela pessoa é egocêntrica”. 

Mas afinal, você sabe o que isso significa? 

O que é o ego, e como ele afeta as relações pessoais e de trabalho?

Será que é possível controlá-lo, ou até mesmo fazer com que ele não apareça para prejudicar seu desempenho nas mais diversas áreas?

Neste artigo, vamos oferecer as respostas que procura.

Então, não deixe de acompanhar até o final.

Boa leitura!

O que é o ego

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Antes de tentar encontrar respostas para isso, é preciso entender do que se trata o ego. 

De acordo com o tcheco Sigmund Freud, médico neurologista considerado o pai da psicanálise (campo clínico que estuda a psique humana), existem níveis de consciência entre as diferentes entidades que formam a mente humana.

Conforme a teoria desenvolvida por Freud no início do século XX – por volta de 1923 – esses níveis são classificados por três nomes distintos. Um deles é o ego (os outros dois, chamados de “id” e “superego” serão abordados mais para frente).

O ego é, portanto, a instância da mente humana que corresponde ao princípio da realidade. 

O ego funciona como centro de consciência em contrapartida ao núcleo superior (o “eu”) e, portanto, tem como função manter o equilíbrio mental.

Dessa forma, o ego funciona como o equilibrista da psique. Isso porque tem de cumprir pelo menos alguns dos desejos do “id”, sem violar as ordens do superego, atento ao mundo exterior. 

É o elemento menos profundo da mente e atua construindo o conceito de realidade.

Em outro contexto, a parte das teorias de Freud, o ego é, popularmente, a imagem que temos de nós mesmos. 

Dessa forma, o sentido de “egocêntrico”, com uma supervalorização do ego, é uma criação de uma imagem exagerada que cada pessoa tem de si própria.

O ego, como consciência do indivíduo, determina as ações e instintos perante os eventos que se manifestam no mundo real. 

Ele também contribui para a personalidade do indivíduo

Por isso, acaba tornando-se tão importante para a filosofia e a psicanálise.

De maneira geral, é por meio do ego que somos capazes de balancear o que queremos (desejos) e o que temos (realidade), também ligada ao id e ao superego. 

Dessa forma, somos capazes de determinar os valores sociais que marcam nossa existência.

Etimologicamente, a palavra “ego” é derivada do latim “ilud”. O termo significa o pronome pessoal na terceira pessoa, ou seja, o que substitui o objeto a ser designado. 

Outra palavra que pode designar o ego é “identificação”.

Isso porque ele é formado por instintos, e possui ligações íntimas com a biologia de cada indivíduo. Por isso, a palavra é tão importante para compreender a definição do ego.

As diferenças entre ego, id e superego

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Para tentar entender as diferenças entre ego, id e superego, é preciso que se compreenda a descrição de cada um deles. 

Abaixo, um pouco das características de cada uma dessas partes da mente humana.

Id

O id é o componente nato dos indivíduos. Ou seja, as pessoas nascem com ele. 

Consiste nas vontades, desejos e impulsos primitivos, formado principalmente pelo prazer.

Assim, o Id trabalha pelo princípio do prazer, buscando a gratificação imediata de todos os desejos. 

Também trabalha em virtude das necessidades de ordem primária, ou seja, para atender as necessidades fisiológicas.

Caso isso não ocorra, há um resultado de ansiedade e ou tensão. 

Como por exemplo, o aumento da fome ou sede irá provocar e produzir tentativas imediatas de comer ou beber, podendo levar a sintomas como irritação ou estresse caso isso não ocorra em um curto espaço de tempo.

Trata-se de uma estrutura muito importante no início da vida, já que assegura que as necessidades básicas do indivíduo enquanto criança sejam atendidas.

Como ainda não há o recurso da fala ou da palavra, quando a criança sente fome ou está desconfortável, a reação primária será a de choro, mantendo-se assim até que as exigências do id sejam devidamente atendidas.

A partir dele se desenvolvem outras partes que compõem a personalidade humana, como o próprio superego.

Ego

Como já vimos, o ego surge a partir da interação humana com a realidade, adequando seus instintos primitivos (nesse caso, o Id), à realidade na qual vivemos.

Trata-se do mecanismo de equilíbrio da psique, atuando na função de regulação dos impulsos do Id, tentando satisfazê-los na medida do possível, de modo mais equilibrado. 

Por conta do ego, é possível manter a sanidade e criar traços de personalidade

A exemplo do que acontece com o Id, isso ocorre desde os primeiros anos de vida do indivíduo, quando ele começa a se manifestar.

É importante destacar que a realidade à qual o ego está submetido tem relação com o meio sociocultural no qual o indivíduo está inserido. 

Ao assimilar esse meio, começa então a se esforçar para satisfazer os desejos do id de forma realista e adequada socialmente.

Atua ponderando sobre custos e benefícios de qualquer ação, antes de decidir agir sobre ceder ou desistir de determinado impulso gerado pelo id. 

Esses impulsos podem ser satisfeitos através de um processo de gratificação atrasada.

Ou seja, conforme o apelo do id, o ego acabará por permitir determinado comportamento apenas em lugares ou circunstâncias adequadas para tal.

Segundo os estudos mais aprofundados a respeito do tema, o ego também descarrega a tensão criada por impulsos não satisfeitos através do processo secundário.

Nele, o ego tenta criar e reproduzir um objeto no mundo real que seja equivalente a imagem criada pelo id no processo mental.

Superego

Se por um lado o ego se desenvolve a partir do id, o processo é semelhante com o superego. 

Esse, por sua vez, também tem sua definição interligada ao ego. 

Consiste nos valores morais e culturais do indivíduo, além de se relacionar com a representação dos ideais.

Tem como função atuar como uma espécie de “conselheiro” para o ego, alertando para aquilo que é ou não moralmente aceito, conforme os princípios absorvidos pela pessoa ao longo da vida.

O superego é o mais tardio dos elementos da psique humana a ser desenvolvido, de acordo com Freud. 

Conforme os estudos do psicanalista, passa a se apresentar a partir dos cinco anos de idade.

Após isso, começa a se intensificar com o aumento gradativo do contato com a sociedade – por meio da escola, por exemplo – e com a melhor interpretação da relação das relações sociais por parte das pessoas.

As regras de conduta moral, esses valores e juízos, estão ligados aos chamados padrões morais. Tornam-se, ao longo do tempo, norteadoras de comportamento. 

São internalizadas e,com o amadurecimento do sujeito, vão servir como uma bússola para definição de certo e errado ao longo da vida.

Qual a importância do ego?

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Para compreender a importância do ego, é fundamental ter entendimento sobre os outros elementos da psique humana a partir de Freud. 

Isso porque é importante considerar que, caso ceda em excesso ao id, torna-se libertino e devasso.

No entanto, caso se submeta demais ao superego e suas imposições, corre-se o risco de enlouquecer. Dessa forma, o ego é o regulador máximo da mente.

Segundo Freud, o ego guarda o reservatório de lembranças, experiências, pensamentos, ideias, sentimentos e sensações. 

Além disso, é responsável pelo sistema motor e pela conexão com o mundo exterior.

O ego tem, ainda, uma espécie de obrigação com os meios de defesa, mesmo que inconscientes eventualmente, atuando para preservação do aparelho psíquico. 

Isso inclui as projeções, racionalizações, regressões, negações, entre outros.

Quais são os aspectos positivos e negativos do ego?

O ego costuma não ter boa reputação. 

Quando estamos falando no sentido pejorativo, logo o ego aparece como uma das características depreciativas. 

Mas nem sempre ele é tão ruim assim.

Aliás, exerce função vital nas nossas vidas, mesmo que não percebamos isso eventualmente. 

Ele age de forma a nos mantermos vivos, criando maneiras e situações para isso.

O ego busca referências de acordo com tudo que passamos antes, e as referências de sobrevivência que temos vindas de instintos. 

Trata-se de uma ferramenta para resolver problemas, por meio de conclusões feitas através dessas outras experiências.

Para bons empreendedores, por exemplo, o ego pode ser uma coisa boa. 

Seu desenvolvimento, de maneira correta, faz com que a pessoa tenha confiança para tomar decisões e exercer função de liderança, por exemplo.

No entanto, nem sempre significa algo positivo. O lado ruim do ego, se não for controlado e reconhecido, pode colocar você no caminho errado.

Um dos pontos negativos é o de achar que está sempre certo. O ego funciona de maneira linear, ou seja, age conforme as percepções limitadas de realidade de cada indivíduo. 

Assim, cada um gosta e prefere ter razão, com todas as forças, mesmo que eventualmente possamos estar errados dentro de determinada situação ou contexto.

Quando não percebemos isso, costumamos agir de forma reativa. O que pode provocar percepções negativas e sentimentos ruins acerca de nós mesmos – isso quando identificamos.

Caso isso não ocorra, pode ser ainda mais grave. Ou, ainda, situações ruins em ambientes pessoais e de trabalho, por exemplo.

O egocentrismo – e até mesmo o narcisismo – são importantes para a construção da nossa auto-imagem. No entanto, devem atuar como fases a serem superadas.

Quando, por determinados motivos, isso não acontece, as pessoas perdem a capacidade de se comunicar, de cooperar e lidar com conflitos impostos pela vida e pelas relações.  

Assim, eventuais erros, quando as coisas não vão nesse sentido, tornam as pessoas frágeis e sem reação diante das frustrações, com a mesma ou até com mais intensidade de quando as coisas dão certo.

Você sabe reconhecer seu ego?

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Para perceber na prática como funciona o seu ego, basta observar no dia a dia. 

Pegue um momento em que você estiver tranquilo, sem nada na cabeça. 

Avalie quais são os pensamentos que surgem primeiro, a partir de então.

É provável que venham pensamentos sobre os mais diversos assuntos relacionados à sua vida, sejam eles negativos ou positivos, ou mesmo ligado a necessidades fisiológicas, como a fome, por exemplo.

Se você observar, vai perceber que poucos deles estarão ligados ao presente. 

A maioria vai estar relacionado com o presente ou com o futuro. Muitas vezes, também estarão ligados ao id e ao superego.

Por isso, é fundamental reconhecer para entendê-los. Observar quais são esses pensamentos, hábitos e ações constantemente vai fazer você perceber como está e como funciona seu ego.

Com esse exercício diário, você conseguirá se distanciar e, cada vez mais, perceber a separação entre sua consciência, como observador, e o observado – no caso, seu próprio ego.

Mas, afinal, eu posso controlar o ego?

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Para ter autocontrole, a observação é muito importante. Esse é o primeiro passo. Ao verificar esses pensamentos, podemos entender quais são os pensamentos que nos ajudam e quais nos atrapalham.

Os pensamentos negativos tiram nossa energia, mantendo nosso foco em aspectos negativos.

Logo, devem ser suprimidos ou, pelo menos, controlados.

Uma dica que pode ser efetiva é fazer uma lista. Pegue um papel e uma caneta e anote quais são esses pensamentos frequentes. 

Classifique eles pelos mais presentes, mesmo que genéricos ou de ordem fisiológica.

A partir disso, com esse mapa de pensamentos, você vai poder identificar e mudar o que se passa em sua mente conforme a necessidade ou melhoria que você buscará.

Teoria de Freud e o ego

Com base no pensamento de Freud, o ego é um conceito psicanalítico, que descreve a psique (essa, por sua vez, tem sua origem etimológica do hebraico, e quer dizer “alma”) como um elemento que existe em cada ser vivo, responsável pela capacidade de expressar emoções.

De acordo com o psicanalista, trata-se de um elemento biológico e primitivo do aparelho psíquico, e o único elemento da psique dos bebês, por exemplo. 

Atua no inconsciente, onde estão estocados e reprimidos os desejos e traumas de cada um. Dessa forma, saem para o mundo engatilhados pelos eventos que marcam a vida de cada um.

Diante disso, conforme Freud, o ego determina o “eu” e suas funções. É por meio dele que podemos sentir emoções e colocar uma espécie de máscara frente a situações e eventos que podem nos deixar vulneráveis.

Assim, busca-se balancear a relação entre o princípio do prazer diante do princípio da realidade (também relacionado ao id), e construir paredes e muros frente ao que eventualmente nos ameaça.

O que é o alter ego

O termo alter ego origina-se do latim, da junção de duas palavras. 

Alter, que significa outro, e ego que, como já vimos quer dizer eu. 

O significado de outro eu, no caso da palavra, representa exatamente isso, no aspecto da personalidade: pressupõe a existência de outra personalidade, um eu diferente, no mesmo indivíduo.

Na psicologia, uma pessoa com o alter ego pode ser alguém que leva uma vida dupla. O termo passou a ser usado na área de estudo a partir do século XIX, quando o transtorno dissociativo de identidade começou a ser descrito por psicólogos.

Várias áreas de estudo se propõem a entender o funcionamento e a existência do alter ego.

Entre elas, a física, a biologia, a filosofia e até mesmo a teologia já realizaram avanços no sentido da compreensão do alter ego.

Nas artes, a existência do alter ego aparece representada com frequência na literatura, nos quadrinhos e no cinema, por exemplo. 

O Batman como o alter ego de Bruce Wayne; o Homem-Aranha como Peter Parker; a Emília, do Sítio do Pica Pau Amarelo como uma outra personalidade de Monteiro Lobato, entre outros exemplos clássicos da literatura.

Como o coaching pode agir no seu cotidiano

ego como coaching pode agir seu cotidiano

Por ser um elemento da psique humana, o trabalho desenvolvido pelo coaching pode auxiliar e melhorar os aspectos relacionados ao ego.

Ao praticar o autoconhecimento, busca-se o entendimento dos diversos níveis de consciência, sobre todas as características. 

Isso inclui o ego, superego e o id, já que os três, como já vimos, estão relacionados.

Com o desenvolvimento de aspectos de neurociência e linguística, por exemplo, por meio do coach, ficará muito mais fácil obter e buscar o entendimento humano, e de que forma todos esses valores – reconhecimento e controle do ego, por exemplo – funcionam na prática, e de que forma interferem no seu dia a dia. 

A partir disso, o processo de coaching vai trabalhar para melhorar esses aspectos.

Conclusão

Diante disso, é fundamental compreender que, ao discutirmos sobre esses três componentes da psique humana, embora tenham fronteiras bem definidas, representam uma variedade complexa de processos e funções dentro de um mesmo sujeito, mas que se entrelaçam.

O superego, por exemplo, irá atuar na intenção de aperfeiçoar e civilizar o comportamento humano

Assim, se esforçará para compactuar com o ego em normas idealistas, naquilo que seria o ideal a se realizar, ao invés de princípios mais realistas.

Isso significa que superego irá fazer um esforço para compactuar com o ego. 

Ao ser internalizado, o superego estará presente no consciente, no pré-consciente e no inconsciente.

Diante disso, com cada um desses componentes se entrelaçando, com o ego colocado no meio, e se todas as exigências forem devidamente satisfeitas, o sistema e a psique do indivíduo passariam a encontrar o equilíbrio de poder psíquico e, consequentemente, uma personalidade bem ajustada.

E aí, gostou do nosso artigo sobre o ego? Acho esse conteúdo relevante para você? 

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