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Mania de Perseguição: o que é, sintomas e como tratar

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Nos dias de hoje, é fundamental estar atento a tudo e a todos, especialmente por conta do ritmo de vida agitado e da rotina corrida. 

No entanto, é preciso observar e entender que, quando essa atenção extrapola, pode se transformar em uma mania de perseguição.

Mas afinal, o que é isso, e porque ela é tão grave, se não identificarmos e resolvermos o problema? 

Como saber em que ponto o cuidado e o estado de alerta não estão se transformando em algo a mais, que pode inclusive se encaminhar para outras patologias mais graves?

Vamos a algumas respostas!

O que é a mania de perseguição?

A mania de perseguição, também chamada de delírio persecutório, consiste em um conjunto de condições delirantes, no qual a pessoa afetada acredita estar sempre sendo perseguida.

Existem dois elementos centrais que são considerados fundamentais para caracterizar a mania de perseguição.

O primeiro deles é quando o indivíduo pensa que o dano está ocorrendo ou que vai ocorrer. 

O segundo é quando o indivíduo pensa que o perseguidor percebido e identificado tem a intenção de lhe causar algum tipo de dano de qualquer espécie, seja ele físico, mental ou moral.

A mania de perseguição é classificada como um transtorno psicológico. 

Essa condição faz com que quem sofre dela acredite que todos ao redor estão lhe observando, falando dela, ou rindo de seus comportamentos e atitudes.

Assim como todo transtorno psicológico, possui consequências que afetam a vida da pessoa. 

O principal é o isolamento social, entre outros fatores que mexem significativamente com a vida do indivíduo.

Como toda doença, possui diferentes graus de intensidade. 

Em sua forma mais leve, se apresenta na forma de timidez excessiva. 

Já em suas formas mais graves, pode se tornar um dos sintomas de uma série de transtornos, como a síndrome do pânico, a depressão ou até mesmo a esquizofrenia, da qual falaremos mais adiante.

Como identificar a mania de perseguição?

As pessoas que passam pela mania de perseguição nem sempre percebem que sofrem desse problema. 

No entanto, há algumas pistas que podem ajudar a identificá-la.

Para isso, você pode fazer um teste. 

Observe seu comportamento e veja se ele apresenta algumas dessas características. 

Caso haja mais de um, e eles se repitam constantemente, talvez você sofra com a mania de perseguição.

Pessoas com mania de perseguição encontram-se isoladas com frequência. 

Não costumam conversar, conviver nem interagir com outras pessoas.

Isso ocorre porque elas temem a opinião alheia, o que os outros irão achar dela.

Por isso, acabam especulando o que outros acham sobre como se comporta e a respeito do que fala.

As principais características e sintomas da mania de perseguição

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Entre as características marcantes em um indivíduo com mania de perseguição, está a ideia de achar que todos o observam, julgam, comentam ou riem dele.

Em resposta, passa a viver sob desconfiança (de tudo e de todos), se fechando a novas relações.

Além disso, deixa de aprofundar relações antigas, justamente por medo de julgamentos do comportamento.

Costuma apresentar baixa autoestima e baixa autoconfiança

Nesses casos, leva à insegurança e a um comportamento de isolamento das demais pessoas.

Além disso, costuma achar que é culpada de todos os problemas, mesmo que eles não necessariamente estejam relacionados com a pessoa. 

Esse sintoma, um dos mais graves do quadro de mania de perseguição, pode levar a angústia e mau-estar frequentes.

A comparação com os outros também passa a ser uma constante para quem sofre com a mania de perseguição. Isso faz com que o indivíduo aumente a carga de crítica em relação a si mesmo, um comportamento destrutivo mentalmente.

Conforme a mania de perseguição se acentua, ela pode se manifestar por uma espécie de medo fora de controle, além de tremores e suor.

Também a pessoa pode ter alucinações, enfrentar períodos de alteração visual ou auditiva, como quando a ideia de perseguição decorre da esquizofrenia.

Testes para identificar a mania de perseguição

Grande parte das pessoas que sentem que tudo está contra elas sofrem, como já vimos, de problemas de baixa autoestima. 

Então, se você já passou por situações como essa, e já se perguntou se tudo era sobre ou contra você, talvez também possua algum traço desse problema psicológico.

A intensidade e a forma como eles se mostram varia conforme cada pessoa. 

Mas, apesar disso, os sintomas se apresentam de maneira semelhante. 

Para ajudar a identificar, é possível fazer isso por meio de algumas perguntas, que você pode fazer a si mesmo no dia a dia. 

Veja abaixo algumas delas:

  • Você sente com frequência que alguém está olhando para você?
  • Já passou mais de uma vez por algum grupo que estava rindo, e achou que o motivo da piada ou risada era você?
  • Acredita com frequência que alguém não gosta de você, mesmo que não haja ou você não tenha dado motivos para isso?
  • Está sempre desconfiado de que algumas pessoas de seu convívio social, seja ele na escola, em casa ou no trabalho, por exemplo, estão continuamente tentando prejudicar você?

Caso a resposta seja afirmativa para duas ou mais dessas perguntas, é bem possível que você apresente um quadro de mania de perseguição, mesmo que seja leve.

Como tratar a mania de perseguição?

A partir do momento que você identificou no seu dia a dia traços de mania de perseguição, o próximo – e um dos mais importantes – passos é tratar o problema para se livrar dele. 

Mas qual ou quais as melhores maneiras de fazer isso?

O mais indicado é buscar ajuda especializada assim que perceber o início dos sintomas. 

Dessa forma, as características poderão ser avaliadas por um especialista, de fato, que irá indicar a causa, ou causas e, a partir de então, iniciar o tratamento.

Normalmente, o tratamento consiste em uma busca pelo autoconhecimento, sendo algo muito pessoal e de análise mental e psíquica. 

Passa pelo entendimento das próprias características, aliado a ações que aumentem a confiança e a autoestima.

A prática de atividades físicas também pode ser indicada em alguns casos. 

Ambientes que trazem sensação de paz de espírito e tranquilidade, além da valorização das relações, são outros pontos que podem trazer de volta o sentimento de bem estar.

É importante, por fim, manter-se aberto para todas as relações, sejam elas as mais antigas ou mesmo novas. 

Assim, você estreitará os laços, e passará a encarar melhor todos os comentários, sejam eles bons ou ruins.

Dessa forma, passará a ver essas coisas como algo construtivo, que possa ajudar na construção pessoal e na evolução, para ganhar confiança, além de não ter receio sobre a opinião dos outros.

É fundamental compreender que nem toda a crítica precisa ser vista como algo ruim: é preciso saber tirar algo de construtivo dela, a fim de evoluir e não se tornar uma pessoa cada vez mais fechada para as demais opiniões.

Diferença entre síndrome do pânico, esquizofrenia e mania de perseguição

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Como já entendemos a mania de perseguição, vale a pena entender quais são os demais quadros, e as diferenças entre eles. 

Veja abaixo suas características:

Síndrome do Pânico

A síndrome do pânico é uma condição associada a crises severas de ansiedade aguda. 

Quando ocorrem, são marcadas por sintomas físicos e emocionais aterrorizantes.

Essas crises são inesperadas e marcadas pelo desespero e medo intenso de que algo ruim aconteça, mesmo que não haja motivo aparente para isso.

Não é possível precisar exatamente as causas da síndrome do pânico. 

A medicina e a ciência, entretanto, apontam alguns fatores preponderantes que podem fazer com que determinadas pessoas estejam mais ou menos sujeita a elas.

Há um conjunto deles, e se destacam os aspectos genéticos, além de estresse, temperamento forte e suscetível a mudanças repentinas, e mudanças na forma de funcionamento do cérebro e sua reação em determinadas situações.

Fatores de risco contribuem para o desenvolvimento de síndrome do pânico, que costuma se manifestar no final da adolescência e início da vida adulta, embora possa aparecer também depois dos 30 anos. 

Costuma ser mais frequente em mulheres do que em homens.

Os fatores que podem desencadear sua manifestação, entre outros, são as situações de estresse extremo, morte ou doença de uma pessoa próxima, mudanças radicais na vida, histórico de abuso sexual durante a infância, ou experiências traumáticas, como acidentes, por exemplo.

Os chamados ataques de pânico acontecem de repente e sem aviso prévio, em qualquer período do dia ou da noite, independente do lugar. 

Podem acontecer enquanto a pessoa dirige, faz compras no supermercado ou no shopping, em meio a uma reunião de trabalho ou até mesmo dormindo.

Os picos das crises duram entre 10 a 20 minutos, podendo variar de pessoa para pessoa, e da intensidade do ataque. 

Sintomas podem durar até mais de uma hora em determinados casos.

É importante, no entanto, não confundir com os sintomas de ataque cardíaco, bem mais grave.

Entre os sintomas manifestados, estão o de sensação de perigo iminente, medo de perder o controle, medo da morte ou de uma tragédia, sensação de estar fora da realidade, palpitações, suor excessivo, tremores e dificuldade para respirar, além de dores pelos membros, cabeça e demais partes do corpo.

O tratamento, assim como em outros casos, decorre de ajuda médica. 

O diagnóstico inclui exames mais detalhados do que a identificação da mania de perseguição, por exemplo. 

Podem ser feitos testes físicos e avaliações psiquiátricas para identificá-la. 

A partir daí, será indicado o tratamento mais adequado para a situação específica.

Esquizofrenia

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A etimologia da palavra esquizofrenia ajuda a compreender o que é esse transtorno, um dos mais sérios relacionados ao aspecto mental.

Sua origem na literatura médica remete ao século 19, quando os primeiros cientistas a identificaram e a batizaram. 

O transtorno psiquiátrico leva o nome com base em dois termos do grego: “esquizo”, que significa dividir, e “frenia”, algo próximo a mente.

Dessa forma, a “síndrome da mente dividida”, ou esquizofrenia, é marcada por surtos, no qual o mundo real é substituído por delírios e ilusões. 

Relativamente comum, afeta cerca de 150 mil pessoas por ano no Brasil, e cerca de 1% da população mundial.

A falta de conhecimento sobre a doença reforça estigmas e até gera preconceito. Por isso, é importante conhecer mais a respeito do problema.

O isolamento gradual é o primeiro dos sintomas. 

Abandona as atividades rotineiras e, aos poucos, passa a não demonstrar mais emoções, sejam elas de alegria ou de tristeza.

Depois, começam a surgir sensações de que tudo está errado, e alguém prejudica a sua vida. 

A partir daí, essa inquietude se transforma nas fantasias sensoriais e teorias da conspiração, e a pessoa pode inclusive passar a ouvir vozes. 

As alucinações e delírios passam a ficar cada vez mais constantes.

Assim como a síndrome do pânico, não é possível estabelecer uma ou mais causas exatas para o desenvolvimento da esquizofrenia. 

No entanto, uma combinação de fatores como genética, ambiente, estrutura e alteração da química cerebral, entre outros, pode tornar alguém pré-disposto ao quadro.

O tratamento é feito com controle da doença, por meio de remédio e acompanhamento psiquiátrico ao longo de toda a vida. 

Embora haja controle, não existe cura para a esquizofrenia.

Logo, essas duas patologias são quadros agravados de distúrbios psicológicos, que podem ser perceptíveis através de outros, mais moderados, como a própria mania de perseguição, por exemplo. 

É importante verificar a sua existência e não deixar que eles evoluam, manifestando- se com os sintomas mais graves.

5 dicas que podem ajudar você a se livrar da mania de perseguição

Para ajudar a se livrar – ou ao menos controlar – o início de uma mania de perseguição, vale ficar atento a algumas dicas.

 Confira abaixo 5 delas e veja como pode partir de você o combate a esse transtorno.

Não se cobre tanto

A cobrança pessoal é necessária, mas pode se tornar um problema a longo prazo, caso você exagere nisso. 

Não exija tanto de você, e respeite seus prazos e limites. 

Você vai se sentir melhor e menos pressionado

Procure algo que lhe dê prazer

A busca por algum hobby, que sirva como alívio para o estresse e tensão mental, pode ser fundamental para diminuir pensamentos negativos relacionados a mania de perseguição. 

Pode ser um hábito, como leitura ou algum instrumento musical, ou mesmo prática de atividades físicas e esportivas, como caminhada.

Não acumule muitos sentimentos

O acúmulo de sentimentos pode ser uma bomba-relógio, especialmente para quem vive em constante situação de ansiedade. 

Em determinado momento, após não conseguir lidar com isso, você pode acabar estourando. 

Observe e não deixe chegar aos extremos.

Não tente agradar a todos

É importante entender, sempre, que você não irá conseguir isso. 

Portanto, poupe seus esforços nesse sentido e concentre-se em outra coisa. 

Do contrário, você só terá frustrações e perda de energia.

Não crie muita expectativa no outro

Você pode controlar o seu sentimento, mas apenas ele. 

O sentimento do outro não é sua responsabilidade.

Logo, não deposite muita expectativa nem projete isso em outras pessoas, sob pena de nova frustração.

Um caso no cinema: o mistério das duas irmãs

O filme “O Mistério das duas irmãs”, de 2008 (The Uninvited, no original), trata um caso de distúrbio de mania de perseguição agravado para outros problemas.

Nele, é retratado a história da jovem Anna, que é internada em uma clínica psiquiátrica após a morte da mãe. 

Ao receber alta, retorna para a casa, onde encontra a irmã e o pai, namorando a antiga enfermeira da sua mãe.

Ela passa a ter visões e delírios persecutórios, nos quais acredita que a atual madrasta matou sua mãe. Influenciada pelas visões, passa a investigar o passado dela e, por fim, acreditando tratar-se de uma criminosa, mata a madrasta.

No entanto, em seu delírio, ela acredita que a irmã foi quem cometeu o crime contra a antiga enfermeira de sua mãe. 

Ao final, o pai revela toda a verdade, contando que os delírios já existiam antes de ela ser internada, pois matou acidentalmente a mãe e a irmã, cuja existência ao retornar não passava de parte de suas visões.

Como o coaching pode ajudar você?

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O coaching, é claro, não oferece um tratamento para quem sofre de mania de perseguição. Afinal, trata-se de um quadro clínico que exige auxílio médico. 

Ainda assim, pode servir como um suporte para encarar a vida a partir de uma nova perspectiva mais leve e focada nos objetivos da recuperação. 

Trata-se de uma metodologia de desenvolvimento humano focada na potencialização de competências comportamentais que fazem toda a diferença no dia a dia de qualquer pessoa. 

Ficou interessado? 

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Conclusão

Diante do que foi exposto, fica muito claro que a saúde mental interfere diretamente em quadros de mania de perseguição, sejam eles da intensidade que forem.

Portanto, garantir uma mente sempre saudável e em equilíbrio é o principal caminho para evitar sofrer não só com a mania de perseguição, mas outros tantos quadros que prejudicam a nossa qualidade de vida e bem-estar

Lembre-se sempre: a sua saúde deve estar em primeiro lugar.  

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