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O Brasil está menos feliz, diz a ONU – Flora Victoria já havia previsto

Em 2018, de acordo com a ONU, Brasil perdeu posições no ranking mundial da felicidade. Flora Victoria, Diretora Educacional da SBCOACHING e fundadora da SBCOACHING Social, já havia previsto essa possibilidade em 2015.

Quem é a pessoa mais feliz que você conhece? Como ela age, quais valores ela possui, quais as crenças nas quais ela acredita? À primeira vista, essas perguntas podem parecer não ter nenhuma conexão entre si, mas a psicologia positiva tem comprovado exatamente o contrário: estudar a felicidade implica analisar como as pessoas reagem ao meio onde se encontram, o que as move, observar como elas lidam com adversidades e como elas mesmas avaliam suas vidas quanto às metas que buscam atingir.

Entendendo que a busca da felicidade é um dos objetivos fundamentais do ser humano, ou seja, uma busca universal, a Assembleia Geral da ONU decidiu, em junho de 2012, proclamar 20 de março como o Dia Internacional da Felicidade. Em todo o planeta, esse é um dia de reflexões sobre como propiciar um desenvolvimento humano sustentável, com foco no bem-estar não só de indivíduos, mas de comunidades e países.

WORLD HAPPINESS REPORT 2018

Todos os anos, desde então, é divulgado também nessa época o World Happiness Report, uma pesquisa global que descreve os níveis de felicidade das nações ao redor do globo. Publicado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU (SDSN, na sigla em inglês), o World Happiness Report 2018 apontou a Finlândia como o país mais feliz do mundo, desbancando a Noruega, que liderou o ranking em 2017. O Brasil, por sua vez, caiu seis posições no último ano (de 22º para 28º lugar).

Brasil caiu 6 posições no ranking dos Países mais felizes do mundo! (Fonte: World Happiness Report 2018, p. 20.)

POR QUE OS BRASILEIROS ESTÃO MENOS FELIZES?

As justificativas para que o Brasil tenha caído tantas posições são variadas e, como era de se esperar, socialmente complexas. A corrupção, em um cenário cujas instituições políticas são constantemente enfraquecidas por escândalos, a desigualdade social e a violência formaram um conjunto que, segundo os respondentes da pesquisa, impactou negativamente a sensação de bem-estar e de satisfação com a vida: 36% dos brasileiros declararam que seus rendimentos são insuficientes para suprir necessidades básicas e 15% mencionaram ter sido vítimas de algum tipo de crime no ano passado.

O relatório ainda frisou que, nos últimos anos, essa piora tem sido uma tendência nos dois maiores países da América Latina – ou seja, não só o Brasil, mas também o México. Dados mostram que a corrupção na América Latina é relativamente alta se comparada à Europa, de acordo com o Transparency International’s Corruption Perception Index (CPI), por exemplo.

Definitivamente, esse não é o palco ideal para que a população brasileira caminhe rumo à felicidade autêntica (título do livro de Martin Seligman, PhD, fundador da psicologia positiva), ao “flourishing” ou “florescimento”, uma vez que, em maior ou menor grau, todos os indivíduos são afetados pelo ambiente em que habitam.

PIONEIRA, FLORA VICTORIA ANTECIPOU O CENÁRIO EM SEU MESTRADO (2015)

Esses resultados do World Happiness Report 2018 sobre a situação do Brasil confirmam o pioneirismo de Flora Victoria, diretora educacional do SBCOACHING Group, ao realizar sua dissertação de mestrado, concluída em 2015 na Universidade da Pensilvânia. Orientada por Isaac Prilleltensky, PhD, psicólogo expert em bem-estar comunitário e contemplado com os prêmios “Lifetime Achievement Award in Prevention” (Society for Counseling Psychology) e “Distinguished Contribution to Theory and Research Award” (Community Psychology Division), Flora desenvolveu o Projeto SEMEAR: Plantando as Sementes de um Mundo Melhor e mais Virtuoso. No SEMEAR, definido pela autora como não apenas uma dissertação, mas “um sonho, uma indignação”, foram analisados os diversos fatores capazes de impactar o bem-estar dos brasileiros, que enfrentam diariamente uma realidade repleta de conflitos morais e éticos, permeada por intolerância, corrupção, criminalidade e falta de apoio social.

Ainda em 2015, três anos antes dos resultados recém-disseminados pelo WHP 2018, Flora já havia descrito que o bem-estar, abalizado pelos conceitos da psicologia positiva, é uma construção multidimensional, e por isso não há como qualquer indivíduo alcançar a felicidade autêntica apenas por meio de sua vontade, ignorando a desigualdade e a injustiça; por isso mesmo, estar ciente das problemáticas sociais e do nosso relacionamento com o ambiente que nos circunda é um passo fundamental em direção à mudança. Essa argumentação, que por muitos pode ter sido julgada como utópica em 2015, prevalece, hoje, como uma panorâmica constatada oficialmente pelos grandes especialistas mundiais em psicologia positiva e pela ONU.

SBCOACHING SOCIAL E O PROPÓSITO DE PROMOVER A FELICIDADE 

O Projeto SEMEAR, no entanto, não ficou apenas no arcabouço teórico, no campo acadêmico. Ele ainda deu origem à empresa de contribuição social “SBCOACHING Social”, cujo propósito é promover a felicidade autêntica em três áreas: Social, Educacional e Corporativa – unindo a psicologia positiva ao coaching baseado em evidências e à filantropia. Parece ambicioso? Sim, porém está alinhado com o argumento evolucionário de que as relações comunitárias são cruciais para o bem-estar das pessoas.

As sementes do Projeto SEMEAR, da SBCOACHING Social, já estão sendo plantadas no Hospital do GRAACC, que cuida de crianças e adolescentes portadores de câncer

OS INDICADORES DE FELICIDADE

Na América Latina, os indicadores mais importantes relativos à felicidade são as realizações (conquistar objetivos/metas) e a satisfação com os afetos, o que inclui qualquer tipo de contato social (família, amigos, colegas de trabalho, vizinhos, parceiros românticos). Não que as populações nessas áreas desconsiderem a importância das aquisições materiais – como vimos mais acima neste conteúdo, a desigualdade entre ricos e pobres é uma preocupação marcante deste lado do globo –, porém o World Happiness Report 2018 mostra que há fatores mais importantes que a renda para o bem-estar das pessoas.

Estudos de caso, que incluem o Brasil, mostram que os relacionamentos interpessoais são o que mais afeta a felicidade e que o caminho para ela é abandonar a objetificação do outro, investindo em conexões genuínas, carregadas de significado e compaixão. O domínio social é particularmente importante para que as emoções positivas dos brasileiros sustentem e impulsionem o desenvolvimento de suas demais capacidades, e isso só pode ser atingido mediante uma cultura que valoriza a proximidade como sua força primordial.

O WHP 2018 também constatou que, embora os latino-americanos valorizem as relações interpessoais, algo que precisa ser incrementado são as relações de cidadania, de convivência com aqueles que não são tão próximos. Em outras palavras: existe mais do que nossa família, amigos, parceiros ou colegas; há outras pessoas às quais podemos estender nossas competências relacionais, afetando-as positivamente a fim de contribuir com uma grande rede de desenvolvimento e apreciação dos afetos. A longo prazo, isso significa o fortalecimento da consciência institucional de um País – da ideia de que é possível construir uma cultura de melhoria contínua das emoções, uma melhoria que transcende as desigualdades, em vez de remanescer no, já reconhecidamente restrito e insuficiente, nível individual.

Consagrada Embaixadora da Felicidade no Brasil, Flora Victoria esteve no H20, fórum do World Happiness Summit que debate os principais desafios do aumento da felicidade cívica

O OTIMISMO BRASILEIRO E A ESPERANÇA PELA FELICIDADE

Por outro lado, isso não significa que não exista uma percepção de felicidade no nosso País. Foi constatado, em um estudo linguístico (Dodds et al., 2015) que, por aqui, as pessoas utilizam mais palavras relacionadas à felicidade do que outros oito idiomas analisados (empatando apenas com o espanhol utilizado no México). Essa análise reflete um espectro emocional voltado à positividade, o que denuncia um otimismo inerente ao eu social coletivo, uma filosofia comum ao brasileiro na qual “tudo o que está ruim pode melhorar”.

Os resultados linguísticos foram confirmados pela Gallup World Poll (2006-2016), segundo a qual as emoções positivas são extraordinariamente altas na América Latina. Essa opção evidencia que, se a população brasileira está decaindo quanto ao nível de felicidade, ela também conserva latente o imenso potencial para interpretar acontecimentos por um viés construtivo. Neste panorama, cabe a cada um de nós e às organizações que movem o Brasil desenvolver sua parcela de consciência social e transformar esse viés construtivo em mais que positividade – em engajamento para produzir uma sociedade com mais valores, mais sustentabilidade e mais cidadania.

Apesar do cenário negativo, o brasileiro continua com imenso potencial para interpretar acontecimentos por um viés construtivo, positivo.

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