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Recrutamento às cegas: o que é, vantagens e como funciona

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Já ouviu falar sobre recrutamento às cegas?

Saiba que esse é um processo que tem tudo a ver com a tecnologia.

Os avanços tem ajudado empresas em demandas de rotina e para otimizar processos.

Não é diferente na busca por novos talentos no mercado – e é aí que se encaixa o chamado recrutamento às cegas como uma das grandes novidades do segmento de recursos humanos.

Fora do Brasil, essa metodologia já faz parte do sistema admissional de muitas empresas.

Tudo isso é muito importante, mas existe algo fundamental para colocar em prática:
Você precisa de ter hábitos certos, que vão te colocar em ação.


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Em nosso país, no entanto, ainda são poucas as organizações que a utilizam, sobretudo as de maior porte.

O conservadorismo é uma das maiores barreiras, segundo especialistas.

Isso fica um tanto evidente a partir da última edição do “Perfil social racial e de gênero das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas”, uma pesquisa realizada pelo Instituto Ethos e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Conforme o levantamento, apenas 13,6% do quadro de executivos das empresas brasileiras são compostos por mulheres e 4,7% têm negros ocupando os cargos mais altos dentro da hierarquia organizacional.

Mas você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com o recrutamento às cegas?

Você já vai entender.

Para isso, não deixe de acompanhar este artigo até o final.

Boa leitura!

O que é recrutamento às cegas?

O recrutamento às cegas é uma modalidade de processo seletivo que tem como principal objetivo priorizar as competências técnicas e comportamentais dos candidatos.

Para isso, são contratados profissionais tomando como base somente aqueles atributos que realmente importam para o desempenho da função em questão.

Em outras palavras, é um modelo que busca diminuir a incidência de discriminação (consciente e inconsciente) dentro do sistema admissional das empresas.

Entendeu agora a relação entre os dados trazidos pela pesquisa e o recrutamento às cegas?

Países que utilizam esse tipo de processo seletivo já aumentaram, e muito, a diversidade em seus quadros de funcionários.

Na França, para se ter uma ideia, existe até lei que obriga empresas com mais de 50 funcionários a utilizarem o regime de contratação às cegas.

Por falar em legislação, o Brasil, em sua Constituição Federal, proíbe qualquer prática discriminatória e limitativa quanto ao acesso à relação de trabalho.

Ainda assim, a realidade mostra um cenário um pouco diferente.

Segundo uma recente pesquisa divulgada pela Oxfam, 72% dos brasileiros acreditam que a cor da pele faz diferença para as empresas ao contratar.

Como esse processo funciona?

recrutamento as cegas como esse processo funciona

O recrutamento às cegas costuma funcionar a partir de um software personalizado, que “esconde” no currículo dos candidatos informações que podem dar margem para a discriminação.

Os exemplos mais claros são: nome, idade, gênero, estado civil, endereço, número de filhos e foto.

Ou seja, todas informações de caráter mais pessoal.

Assim, a empresa e os recrutadores selecionam aqueles profissionais que têm o verdadeiro perfil (competências técnicas e comportamentais) para ocupar as vagas em questão.

Quais as vantagens do recrutamento às cegas?

O recrutamento às cegas traz diversas vantagens para o processo seletivo de uma empresa.

Nós separamos oito delas para você conferir.

Imparcialidade

A primeira vantagem é a já supracitada imparcialidade na avaliação dos currículos.

Os recrutadores vão analisar as informações do candidato que realmente importam e decidir se ele se encaixa ou não dentro do perfil da vaga.

Será que ele tem a experiência necessária para esse cargo?

E a habilidade técnica desejada, ele domina?

Aqui diz que o nível de inglês dele é intermediário, será que vai conseguir se comunicar com os fornecedores estrangeiros?

Esses são exemplos de questionamentos relevantes que os profissionais da área de recursos humanos devem se fazer ao olhar para um currículo.

Maior produtividade

Aos desconsiderar as informações passíveis de discriminação de um candidato, a empresa vai analisar somente a capacidade e o talento do profissional.

Nada de se preocupar se ele é branco ou negro, homem ou mulher, mora no centro ou na periferia da cidade.

Com a escolha mais certeira, os níveis de produtividade tendem a aumentar.

Afinal, você tem a pessoa certa no lugar certo.

Mais diversidade

A diversidade também é uma consequência natural e positiva do recrutamento às cegas, uma vez que a modalidade rompe com preconceitos e estereótipos que defendem que só existe um tipo de trabalhador ideal.

Ninguém é melhor do que ninguém pela sua cor da pele, seu gênero ou sua orientação sexual, mas sim pela sua competência e seus predicados técnicos.

Employer branding

Para quem não conhece, o termo em inglês tem a ver com a boa imagem que a empresa tem sob a ótica dos próprios colaboradores.

Ou seja, é reconhecida como uma boa empregadora.

De maneira bastante simples, é aquele ideal de um belo lugar para se trabalhar.

Uma empresa que não discrimina ninguém e valoriza os seus colaboradores parece ter um bom ambiente profissional, não é mesmo?

E essa imagem positiva também acaba sendo vista pela sociedade em geral, que enxerga na organização um local justo, que defende a diversidade.

Assertividade

Quando o foco é encontrar um profissional para resolver às necessidades empresa e nada mais, a chance de essa contratação dar certo é muito maior.

Vai soar até um pouco repetitivo, mas o que importa mesmo em um processo seletivo são as competências comportamentais e os requisitos técnicos do candidato.

Ou seja, se ele tem ou não o perfil que a empresa está buscando para aquela vaga determinada.

Com o recrutamento às cegas, essa missão fica preservada.

Redução de custos

Ao acertar na contratação, a empresa automaticamente está reduzindo custos, evitando a realização de novos processo seletivos.

A economia é de tempo também, pois, provavelmente, o candidato vai se adaptar mais rapidamente à função, talvez até sem a necessidade de um treinamento específico.

Agora, imagine se, cada vez que um candidato não corresponder às expectativas ou não se adaptar a organização, tiver que passar por todas as etapas do recrutamento de novo.

Quanto tempo e capital a empresa não vai desperdiçar?

Agilidade

O processo seletivo tradicional costuma ser muito demorado.

São diversas etapas, que envolvem entrevista, provas de conhecimento específico, dinâmicas de grupo, entre outras.

O mesmo não acontece com o recrutamento às cegas, pois um software faz quase todo o serviço, cabendo aos recrutadores somentes realizar a triagem final

Valorização do profissional

Tanto empresa quanto o colaborador contratado saem ganhando quando há uma valorização do profissional acima de qualquer outra coisa.

A tendência é que, com essa abordagem positiva, os resultados entregues sejam muito mais satisfatórios para os dois lados.

O recrutamento às cegas e os impactos na cultura organizacional

recrutamento as cegas impactos cultura organizacional

Ainda que seja algo positivo, implementar o recrutamento às cegas em uma empresa não é algo que vai acontecer de uma hora para outra.

É preciso preparar muito bem a equipe diretiva, os recrutadores e até mesmo o time de colaboradores para essa mudança no processo seletivo.

Veja alguns pontos que merecem atenção.

Cultura organizacional x diversidade

A cultura organizacional, como um todo, é afetada.

Afinal, é preciso deixar de lado alguns ideais mais antigos e ultrapassados que o tradicional modelo de admissão costuma pregar.

A partir daí, valores como diversidade, sustentabilidade, gestão produtiva, entre outros, devem começar a ser priorizados, caso esse ainda não seja o caso.

Então, os recrutadores precisam estar capacitados para realizar esse tipo de recrutamento, o que pode exigir um treinamento específico e um alinhamento interno entre gestores e recursos humanos.

Por último, mas não menos importante, os trabalhadores admitidos sob o regime de contratação antigo também precisam ser informados dessa alteração e que, de agora em diante, novos princípios devem pautar as suas condutas profissionais.

Essa é medida fundamental para que os próximos funcionários, empregados pelo recrutamento às cegas, sejam bem recebidos pelos demais e que não haja nenhum tipo de atrito nesse sentido.

Na prática, a cultura organizacional e todo o ambiente corporativo – do presidente da empresa ao estagiário – precisam estar engajados com essa mudança.

A transformação precisa ser encarada como algo positivo, que venha padronizar o processo seletivo, ao deixar de lado aspectos pessoais e focando no que realmente importa: o perfil profissional dos candidatos.

Exemplos de empresas que adotam o recrutamento às cegas

recrutamento as cegas exemplos de empresas adotam

Apesar de ainda não serem numerosas, algumas empresas perceberam os benefícios e já começaram a adotar o recrutamento às cegas no Brasil.

O caso mais emblemático é o do Nubank, empresa de tecnologia financeira que emite cartões de crédito, que adota esse tipo de processo seletivo desde 2016.

Em um primeiro momento, ele estava restrito apenas a cargos específicos de alguns setores da organização, como a tecnologia da informação, por exemplo.

No entanto, a meta é que todos os departamentos da companhia implementem esse modelo de contratações em breve.

Outra companhia que escolheu o recrutamento às cegas como política de admissão foi a GE Brasil, considerada a maior empresa digital industrial do mundo.

A multinacional conta com soluções voltadas para a área médica, transporte aéreo e matriz energética.

Apesar de ter aderido à modalidade apenas em 2017 no Brasil, a companhia conta com uma iniciativa muito interesse chamada Women’s Network, que existe há mais de 20 anos.

Com intuito de promover a igualdade de gênero dentro da empresa, oferecendo suporte às milhares de mulheres que trabalham na GE no mundo todo, o programa, que hoje conta com aproximadamente 70 mil apoiadoras, tem cumprido com o seu objetivo.

A retenção de talentos femininos tem se dado através do desenvolvimento de competências como capacidade de liderança, práticas de negócios, contatos pessoais e oportunidades de carreira.

Foi também em 2017 que a Cargill, companhia do ramo alimentício, começou a implementar o recrutamento às cegas na sua filial brasileira.

No início, apenas o regime de contratação de estagiários foi afetado. Os gestores não tinham acesso aos locais onde os candidatos estudavam.

O resultado foi uma diversidade muito maior no número de faculdades favorecidas.

O próximo desafio é ampliar o regime de contratação para os cargos de liderança, para que mais pessoas de diferentes gêneros, orientações sexuais, raças e idades possam ser contempladas.

Algo semelhante aconteceu com a Votorantim Cimentos, empresa do ramo da construção civil.

A companhia optou por iniciar a medida nos cargos mais baixos dentro da sua hierarquia.

No ano passado, a iniciativa foi utilizada pela primeira no processo seletivo de dez trainees.

Como você pode ver, os exemplos disponíveis ainda são muito recentes, de iniciativas que estão em pleno desenvolvimento.

Mas, aos poucos, essa realidade começa a mudar e as empresas vão se conscientizando da importância de adotar um critério mais profissional e menos discriminatório na hora de contratar os seus colaboradores.

Como implantar o recrutamento às cegas?

recrutamento as cegas como implantar

Se você quer que o seu negócio faça parte desse ainda seleto grupo que utiliza o recrutamento às cegas no Brasil, precisa ficar atento no passo a passo que vem a seguir.

Antes, porém, vale ressaltar que nem todo o recrutamento às cegas funciona da mesma maneira.

O da Votorantim Cimentos é bem diferente do usado pela Nubank, por exemplo.

Enquanto a primeira fez uma parceria com um site que realiza processos seletivos e que vai omitir os dados pessoais dos candidatos ao mandar os currículos, a segunda utiliza duas equipes durante o sistema de admissão.

A primeira é composta por engenheiros que analisam as informações do profissional, sem omissão de dados, enquanto a segunda aplica testes práticos aos postulantes à vaga, essa sim focando apenas nos resultados da avaliação.

No final, são contratados aqueles que tiveram melhor desempenho no exame experimental.

Feita essa ressalva, vamos as dicas.

Passo a passo da seleção às cegas

Primeiro, você precisa implementar em sua cultura organizacional valores que convirjam com a missão do recrutamento às cegas.

Como já falamos bastante sobre esse tópico, não vamos nos alongar muito. Mas o mais importante é enaltecer a diversidade.

Na sequência, é importante definir qual vai ser a metodologia usada no processo seletivo.

Trouxemos os exemplos distintos de aplicação do modelo em duas grandes empresas. Eles podem servir como uma sugestão.

Outra alternativa é utilizar softwares que ofereçam o serviço de omissão de dados. A Empregare é um exemplo nesse sentido.

Na plataforma, toda e qualquer informação que possa ser alvo de preconceito é bloqueada automaticamente.

Caso a empresa queira ter acesso a algum dado pessoal, ele só é disponibilizado após as primeiras etapas de seleção.

Ainda assim, o candidato vai poder acompanhar essa solicitação em tempo real, bem como todo o processo seletivo.

A organização deve preencher uma espécie de perfil para a vaga, com os requisitos que ela acredita serem mais relevantes para o cargo em aberto.

Então, o software vai fazer uma varredura nos profissionais cadastrados e indicar aqueles que possuem mais proximidade com a descrição.

Após definir a metodologia adotada pela empresa, é hora de colocá-la em prática.

A partir do modelo escolhido, vão ser pré-selecionados os primeiros candidatos, com base exclusivamente em critérios técnicos

Com esses nomes em mãos, cabe a empresa decidir quais vão ser as etapas finais. Nada impede que o processo seletivo se encerre aqui, com o último filtro de currículos realizado pelos próprios recrutadores.

Mas até uma entrevista presencial não está descartada como um último recurso, se você preferir ter um contato mais próximo e cara a cara antes de tomar uma decisão.

Recrutamento às cegas x entrevistas presenciais

Você pode pensar que de nada adianta utilizar o recrutamento às cegas se, no final, o que vai decidir quem vai ser contratado é uma entrevista presencial.

Mas a verdade é que não há nenhuma contradição nisso.

Com uma cultura organizacional que valoriza os princípios profissionais, o processo seletivo vai ser imparcial de ponta a ponta.

Inclusive, é indicado ter um contato cara a cara com os candidatos antes da admissão, desde que os recrutadores deixem suas crenças limitantes de lado, é claro.

Essa interação é positiva até como uma maneira de repassar os valores defendidos pela empresa – isso já pode causar uma boa impressão logo de início.

O coaching de carreira como ferramenta para atingir objetivos

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Quando aspectos pessoais ficam de fora de uma avaliação profissional, os candidatos podem se preocupar com o que realmente importa: buscar capacitação para alcançar o máximo de produtividade no dia a dia.

Para isso, é possível contar com o coaching de carreira, metodologia voltada para dar todo o suporte na hora de tomar as decisões mais importantes no mercado de trabalho.

Você mesmo tem a possibilidade de se tornar um coach e ajudar outras pessoas a alcançarem a realização profissional.

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Conclusão

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Quem deseja que seu negócio atinja a alta performance não pode se importar com informações pessoais.

É preciso focar em critérios técnicos e comportamentais, que vão impactar da produtividade da sua equipe.

Como vimos, uma forma segura de garantir que isso aconteça é através de um processo seletivo imparcial, como o recrutamento às cegas.

Aos poucos, as empresas brasileiras estão se dando conta da importância de investir em um sistema de contratação assim.

Se você possui uma organização, mesmo que de pequeno porte, avalie também essa possibilidade.

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