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Responsabilidade Social Empresarial: O Guia Completo 2019

O que seria do planeta sem a responsabilidade social empresarial?
Se você ainda não pensou sobre esse conceito, está na hora de atualizar seu radar de tendências corporativas.
Em um país de empreendedores (o número chega a 50 milhões, segundo o relatório Empreendedorismo no Brasil, da Global Entrepreneurship Monitor), a influência das empresas é decisiva para os rumos da sociedade.
Com tanto poder em mãos, as organizações não podem se resumir a corporações ávidas por lucros que só agem em benefício próprio e de seus acionistas.
É por isso que a responsabilidade social empresarial se tornou assunto obrigatório no mundo dos negócios, levando empresas do mundo todo a buscarem modelos mais sustentáveis.
Para entender melhor esse cenário, vamos nos debruçar sobre os seguintes tópicos:

  • Conceito de responsabilidade social empresarial ou RSE
  • Norma ISO 26000 e seus principais temas
  • Sustentabilidade e RSE
  • Vantagens da responsabilidade social empresarial
  • Exemplos práticos de RSE em empresas
  • Como se tornar um coach renomado.

Quer se aprofundar no assunto?
Então, reserve alguns minutos para a leitura.

Conceito de responsabilidade social empresarial ou RSE

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O conceito de responsabilidade social empresarial ou RSE representa o compromisso das empresas com a sociedade, para além da geração de empregos, impostos e lucros.
Sob esse ponto de vista, as empresas têm o dever de compatibilizar seus objetivos com o desenvolvimento sustentável, preservando recursos ambientais, respeitando a diversidade e promovendo a redução da desigualdade social.
Ou seja, a empresa deixa de ser vista como uma entidade exclusivamente econômica e ganha uma dimensão social, uma vez que utiliza recursos que pertencem a toda a nação.
Assim, a RSE propõe um novo formato de gestão, que prioriza uma relação ética e transparente com todos os públicos.
Por isso, a empresa alinhada às tendências de RSE firma seu compromisso com a preservação ambiental, inclusão social e desenvolvimento humano.
No Brasil, a responsabilidade social empresarial começou a ganhar visibilidade nos anos 1990, quando o sociólogo Herbert de Souza (Betinho), criou a Campanha Nacional Ação da Cidadania contra a Miséria e Pela Vida.
Na época, o movimento ganhou adesão do PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais), aproximando o empresariado brasileiro dos movimentos sociais.
Um dos resultados foi a criação do Instituto Ethos de Responsabilidade Social, que tem como missão mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável.
De modo geral, a RSE surgiu da necessidade de dividir as responsabilidades do Estado com o setor privado, pois a cidadania empresarial é fundamental para promover o bem-estar social.
No fim das contas, o conceito também assume a forma de diferencial competitivo, pois as empresas reconhecidas como responsáveis e éticas ganham a preferência do consumidor e dos investidores.
Afinal, entre uma empresa que contribui com todo o ecossistema social e outra que só pensa em seus próprios lucros, não há dúvidas sobre a escolha.

O que é a norma ISO 26000

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A norma ISO 26000 ou Norma Internacional de Responsabilidade Social fornece orientações para a adequação das empresas à RSE.
O termo ISO corresponde à Organização Internacional de Normalização, que tem como objetivo criar normas que promovam boas práticas de gestão nas empresas.
A ISO 26000 não tem fins de certificação, servindo basicamente como um guia para que as organizações adotem a RSE.
Segundo a norma, a responsabilidade social empresarial depende dos seguintes critérios:

  • Contribuição com o desenvolvimento sustentável e promoção do bem-estar
  • Consideração de todas as partes interessadas
  • Conformidade com a legislação aplicável
  • Consistência com as normas internacionais de comportamento
  • Integração das práticas em toda a organização e suas relações.

Aqui, desenvolvimento sustentável é entendido como alta qualidade de vida, saúde e prosperidade, além de justiça social e manutenção das capacidades do planeta em sustentar sua diversidade.
Ainda de acordo com o texto oficial da norma publicado no site do INMETRO, estes são os sete princípios da responsabilidade social empresarial:

  1. Accountability: responsabilidade pelas consequências de suas ações
  2. Transparência: informações claras, acessíveis e compreensíveis a todos
  3. Comportamento ético: honestidade, integridade e equidade perante todos
  4. Respeito pelos interesses: ouvir, considerar e responder aos interessados
  5. Respeito pelo Estado de Direito: cumprimento integral da legislação vigente
  6. Respeito pelas Normas Internacionais: cumprir acordos e tratados mundiais
  7. Direito aos humanos: reconhecer a universalidade dos direitos humanos.

Desse modo, a ISO 26000 é um instrumento importante para promover a RSE em empresas de todos os portes e segmentos.

Temas básicos indicados pela ISO 26000

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Para incentivar a responsabilidade social empresarial, a norma ISO 26000 trata de diversos temas cruciais à gestão ética e transparente.
Vamos acompanhar alguns dos principais pontos abordados:

Práticas Trabalhistas

As práticas trabalhistas correspondem a todas as políticas referentes ao trabalho realizado na empresa, inclusive o terceirizado.
Segundo a norma, o emprego pleno e seguro é a base da qualidade de vida e bem-estar social.
Por isso, o papel da empresa é essencial na sociedade.
Para manter relações de trabalho justas e dentro da lei, a empresa deve:

  • Cumprir rigorosamente a legislação trabalhista vigente
  • Não utilizar manobras legais para deslegitimar vínculos empregatícios
  • Eliminar qualquer prática arbitrária ou discriminatória de demissão
  • Garantir a igualdade de oportunidades para todos os trabalhadores
  • Supervisionar as condições do trabalho terceirizado
  • Jamais obter benefícios de práticas de trabalho exploratórias e abusivas
  • Proteger os dados pessoas e privacidade dos trabalhadores.

Meio Ambiente

As empresas são as principais responsáveis pelos impactos no meio ambiente, que vão desde o uso de recursos naturais até a geração de poluição e resíduos.
Não é novidade que o mundo enfrenta desafios ambientais seríssimos, com inúmeras espécies extintas e ameaçadas, recursos escassos e mudanças climáticas em curso.
Para reverter esse quadro alarmante, a empresa deve se comprometer com os seguintes princípios:

  • Responsabilidade ambiental: obediência à lei e responsabilidade pelo impacto
  • Princípio da precaução: suspender qualquer ação com chances de danos
  • Gestão de risco: implementar programas específicos para sustentabilidade
  • Poluidor pagador: arcar com os custos de qualquer poluição causada.

Direitos Humanos

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Os direitos humanos são fundamentais e inalienáveis para qualquer ser humano do planeta, e preservam a própria essência da humanidade.
Entre eles, estão o direito à vida, à liberdade, igualdade, trabalho, saúde, educação e demais necessidades básicas.
Na ISO 26000, os direitos humanos são abordados em 8 questões centrais:

  • Due diligence: criação de políticas de direitos humanos na organização
  • Situações de risco: assegurar os direitos humanos em situações extremas
  • Evitar cumplicidade: não ter relação com entidades que violem os direitos
  • Resolução de queixas: garantir o atendimento a queixas relacionadas
  • Discriminação: garantir tratamento igualitário a grupos vulneráveis
  • Direitos civis e políticos: respeitar o direito à opinião, reunião e propriedade
  • Direitos sociais: facilitar o acesso à educação, lazer, cultura, saúde e cidadania
  • Direitos no trabalho: respeitar as leis trabalhistas e igualdade de oportunidades.

Práticas de funcionamento justas

As práticas de funcionamento justas dizem respeito à conduta ética nos negócios da organização, seja com clientes, fornecedores, parceiros ou concorrentes.
Afinal, a responsabilidade social empresarial passa pelo combate à corrupção e adoção da transparência.
As principais recomendações da norma para esse critério são:

  • Identificar riscos de corrupção e implementar políticas de combate efetivas
  • Incentivar as denúncias a qualquer violação ou irregularidade
  • Assegurar que a liderança dê o exemplo anticorrupção
  • Ter um comportamento responsável no envolvimento em atividades políticas
  • Praticar a transparência em relação aos lobbys, doações e contribuições
  • Cumprir rigorosamente as leis de concorrência leal
  • Promover a responsabilidade social empresarial em toda a cadeia de valor
  • Respeitar o direito à propriedade intelectual e física.

Participação e desenvolvimento da comunidade

O envolvimento das empresas no desenvolvimento da comunidade fortalece a sociedade civil e reforça os valores democráticos e cívicos.
Por essa razão, a norma ressalta o papel das organizações na melhoria da qualidade de vida da população, desde a geração de empregos até a criação de programas de capacitação, cultura, educação e saúde.
Algumas das principais práticas sugeridas são:

  • Consultar grupos da comunidade para determinar prioridades de investimento
  • Participação nas associações locais para contribuir com o bem comum
  • Promover a capacitação de grupos vulneráveis ou discriminados
  • Promover atividades culturais, educacionais e profissionalizantes
  • Considerar o impacto da terceirização na geração de empregos
  • Dar preferência a fornecedores locais de produtos e serviços
  • Eliminar impactos negativos à saúde causados pelos processos produtivos
  • Considerar a promoção da boa saúde com acesso a medicamentos e vacinas
  • Evitar ações que perpetuem a dependência da comunidade.

Problemas do consumidor

A responsabilidade social empresarial está diretamente ligada aos direitos do consumidor, uma vez que a empresa tem a obrigação de respeitar e atender prontamente seus clientes.
As Diretrizes das Nações Unidas para a Proteção do Consumidor determinam que as empresas devem garantir a segurança, informação de qualidade, liberdade de escolha, indenização e outros direitos fundamentais.
Nesse contexto, as principais medidas que a organização pode tomar são:

  • Não perpetuar estereótipos ofensivos na publicidade e propaganda
  • Fornecer informações completas, precisas e compreensíveis a todos
  • Instruir os consumidores sobre o uso adequado dos produtos
  • Garantir a segurança dos produtos e serviços em primeiro lugar
  • Oferecer produtos e serviços ecologicamente corretos e sustentáveis
  • Promover ações educacionais para um consumo consciente.

Responsabilidade social empresarial vs. Sustentabilidade

responsabilidade social empresarial sustentabilidade
A responsabilidade social empresarial está alicerçada na sustentabilidade, pois são dois conceitos complementares.
Apesar de sua utilização no contexto ambiental, o termo sustentabilidade diz respeito a qualquer processo ou sistema que seja capaz de manter sua permanência em longo prazo.
No caso, estamos falando da permanência e sobrevivência da própria humanidade, que envolve questões sociais, ambientais, políticas e culturais.
Logo, as empresas comprometidas com a RSE utilizam os recursos para satisfazer as necessidades presentes de modo a não comprometer as gerações futuras, como determina o desenvolvimento sustentável.
Para que um empreendimento seja sustentável, ele deve ser:

  • Ecologicamente correto
  • Economicamente viável
  • Socialmente justo
  • Culturalmente diverso.

Ou seja, a empresa comprometida com o planeta não enxerga separação entre comunidade e meio ambiente, fazendo da RSE um sistema de gestão que favorece o capital financeiro, humano e natural.
É por isso que a sustentabilidade permeia todas as ações e políticas da responsabilidade social empresarial.
Um bom exemplo são os critérios da Corporate Knights para selecionar as 100 empresas mais sustentáveis do mundo em 2018, conforme publicado na revista Exame.
A seleção levou em conta indicadores como emissões de carbono, consumo de água, capacidade de inovação, pagamento de impostos e relação entre salário do trabalhador e do CEO.
Afinal, ações como preservar a natureza e combater a pobreza partem de questões diferentes, mas visam um objetivo comum: a construção de um futuro sustentável.

RSE na teoria e na prática

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Até a década de 1950, a responsabilidade social empresarial só existia no cumprimento das obrigações legais, pagamento de impostos e geração de empregos.
Com o surgimento das sociedades industriais, o Estado passou a intervir na economia e elevar o nível de bem-estar social, aumentando a demanda por qualidade de vida e condições mais justas.
Então, a partir dos anos 1970, a sociedade civil se mobilizou e começou a cobrar o envolvimento das empresas, que responderam com novas concepções sobre negócios e responsabilidade social.
Inicialmente, a RSE se tratava apenas de projetos sociais, ao passo que hoje o conceito se estende a todas as atividades da empresa e relações com acionistas, governo, consumidor, trabalhadores e sociedade.
Assim, as empresas abandonaram a antiga ideia filantrópica e paternalista para assumirem a real responsabilidade pelos seus impactos sociais e ambientais.
Hoje, a RSE vai muito além do obrigatório por lei, compreendendo ações que reverberam por toda a cadeia de valor.
A pesquisa 2018 Global Human Capital Trends da consultoria Deloitte retrata esse momento, anunciando a chegada da “era das empresas sociais”.
De acordo com o levantamento, as empresas serão avaliadas com base em seu impacto social, ao invés de critérios como desempenho financeiro ou qualidade dos produtos e serviços.
Logo, a responsabilidade social empresarial não é mais um mero protocolo, mas uma exigência para a validação da empresa e crescimento dos negócios.

Vantagens da responsabilidade social empresarial

responsabilidade social empresarial vantagens
A responsabilidade social empresarial é vantajosa para todos, desde os trabalhadores e comunidade local até investidores do outro lado do mundo.
Mas é claro que esse tipo de gestão também representa uma grande vantagem competitiva para a empresa, que fortalece sua imagem corporativa e aumenta sua participação no mercado.
Além disso, a empresa que adota a RSE tem mais chances de fidelizar seus consumidores e conseguir opiniões favoráveis da imprensa.
Internamente, as empresas ganham em motivação dos colaboradores, produtividade, gestão de talentos, credibilidade e relacionamento com stakeholders.
Desse modo, muitas empresas têm adotado a gestão RSE para superar a concorrência, realocando a prática no campo das estratégias de marketing.
Aliás, o brasileiro é um dos povos que mais desconfia das práticas de RSE.
Uma pesquisa do Ibope de 2016 revelou que apenas 18% das pessoas avaliam as ações de RES como parte da missão da empresa, e impressionantes 46% acreditam que não passam de marketing.
Por outro lado, uma análise do pesquisador Afonso Fleury apresentada na conferência Ethos 360º revelou que quase todas as empresas brasileiras são classificadas como proativas em relação à responsabilidade social empresarial.
No limite, ainda que muitas empresas adotem a RSE por interesse próprio, os resultados continuam válidos e urgentes para o planeta.

3 exemplos práticos

Para entender a RSE na prática, podemos reunir empresas que se dedicaram a implementar uma gestão ética e sustentável.
Vamos a alguns exemplos de sucesso em responsabilidade social empresarial:

1. Philips

A Philips é uma empresa que se destaca pelas iniciativas sustentáveis focadas em eficiência energética.
Em 2016, a empresa destinava 7,7% de seu faturamento ao desenvolvimento de produtos “verdes”.
Seu programa de RES mais recente tem como meta melhorar a vida de 3 bilhões de pessoas até 2025, sob o lema “Pessoas saudáveis, planeta sustentável”.

2. Santander

O Santander é um exemplo de empresa que levou a sério a RSE em toda a cadeia produtiva, pois lançou um programa para encorajar a escolha de fornecedores ecologicamente corretos.
O banco criou até um curso específico para ensinar empresas a usar critérios ambientais na seleção de seus parceiros.

3. Natura

A Natura é uma empresa reconhecida pelo comprometimento com a responsabilidade social empresarial, sempre em sintonia com as tendências do desenvolvimento sustentável.
A empresa já desenvolveu projetos sociais com ribeirinhos da Amazônia, criou aplicativos para conectar voluntários a projetos e fundou o Instituto Natura para contribuir com a educação.
O programa atual da Natura tem como pilares o incentivo ao consumo consciente, responsabilidade pela cadeia de valor e geração de impacto social.

Como se tornar um coach

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Se você acredita na importância da RSE e de um mundo sustentável, tornar-se um coach pode ser uma opção de carreira promissora.
Isso porque o coaching é a metodologia avançada que auxilia profissionais, executivos e empreendedores a alcançarem o desempenho máximo, inclusive em critérios como a ética nos negócios.
Já imaginou trabalhar transformando a vida das pessoas e guiando seu caminho para o sucesso?
Com a formação em coaching, você pode acompanhar as tendências de RSE e ajudar empresas a implementá-las, além de atuar em diversos outros campos de mentorias executiva, de vida e de liderança.

Formação em coaching SBCoaching

O atalho mais garantido para o sucesso é a formação em coaching SBCoaching, que oferece conteúdos diferenciados e certificação internacional na área.
A Sociedade Brasileira de Coaching já formou mais de 35 mil coaches e se orgulha da posição de referência mundial em treinamentos de alta performance.
Se você quer se tornar um especialista em desenvolvimento humano, pode escolher entre as formações em coaching executivo, coaching de carreira, MBA em coaching e ainda cursos rápidos.
Mesmo que seu objetivo não seja seguir a carreira de coach, a elevação de competências vale para a vida toda e pode ser aplicada também na esfera pessoal.

Conclusão

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Se ainda restavam dúvidas sobre a importância da responsabilidade social empresarial, o impacto do conceito já deve estar bem claro.
Afinal, em certa medida, o futuro de todos nós depende da adoção de um novo modelo de gestão de negócios, que respeite a capacidade do planeta em suportar o ritmo dos nossos avanços.
Precisamos de empresas que assumam seu papel decisivo na preservação do meio ambiente, combate às desigualdades sociais e promoção da diversidade cultural.
Para além dos lucros imediatos, a iniciativa privada deve se comprometer com a sustentabilidade em longo prazo, garantindo a sobrevivência da sociedade e sua própria.
Se você se considera comprometido(a) com as diretrizes da RSE, está no caminho certo para o sucesso.
Mas, se precisar de ajuda para compreender melhor o cenário e tomar decisões certeiras, você pode contar com a expertise de um coach.
O importante é alinhar seus objetivos com as necessidades do planeta e da comunidade, em prol de um futuro melhor para as próximas gerações.
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