LÍDERES DO AMANHÃ - Os líderes do amanhã

Para a geração Z, a exposição é uma realidade. Assim, questões como privacidade acabam não sendo tão relevantes quanto seriam para os mais velhos.

LÍDERES

Aos 22 anos, ela está no ponto alto da vida. A faculdade está ainda pela metade, mas a jovem já sonha com um mercado de trabalho que abra os braços para que ela se insira confortavelmente na vida adulta. Ansiosa e sonhadora, imagina uma vida inteira ao lado do namorado, ao mesmo tempo em que quer ir a festas todos os finais de semana.

Os convites não param, assim como as notificações no celular. A vida é completamente ativa, animada, alegre. E ela conta com um mundo receptivo, no qual possa agir, criar e escolher, sem ser obrigada a assumir uma postura passiva diante do trabalho, do consumo, da vida pessoal.

Natália Gomes é estudante de arquitetura da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Por isso, aos finais de semana, passa a maior parte do tempo focada em trabalhos de faculdade, datas e entregas. Mas, quando o tempo permite, aproveita as mais diversas opções de lazer. Cinema (com o namorado) e teatro (com os pais) são as principais opções. As festas da faculdade, é claro, raramente são deixadas de lado.

Além disso, ela faz aulas de dança de salão uma vez por semana — e sai para praticar em alguns sábados, com os amigos do curso. Mesmo assim, ela quer mais. “Gostaria de sair mais para comer fora. Caminhar, andar de bicicleta no parque”, conta.

MUNDO IDEAL
No estágio atual do curso que escolheu fazer, Natália ainda não pode trabalhar. Mas já tem altas expectativas em relação ao que deseja para o futuro. “Se eu pudesse escolher a empresa ideal para trabalhar, gostaria de um lugar com poucos funcionários, em um ambiente mais informal e despojado”, diz.

Assim, ela deseja atuar, por exemplo, em um escritório que tenha um espaço que faça lembrar uma casa, um lar. Além disso, cita a flexibilidade de horário como um ponto fundamental e a necessidade de participar de uma empresa em que o trabalho permita a criação e a criatividade. Ela quer ter ideias, que essa geração não coloca limites no próprio consumo de mídia e entretenimento. Ele destaca, por isso, que a influência desse público não pode ser limitada pelo número de consumidores da geração Z, pois eles participam fortemente da decisão de compra dos pais, por exemplo.

O NOVO SEM PRÉ VEM
Esses jovens são influenciados por ídolos que há alguns anos não seriam imaginados. “Os chamados influenciadores, que são, por exemplo, um público que faz sucesso no YouTube, são muito mais importantes para a geração Z do que os famosos da televisão ou mídia tradicional”, afirma Bia Granja, fundadora do youPIX.

Por mais que isso seja criticado por muitas pessoas de gerações anteriores, Bia destaca que os ídolos da atualidade, que fazem parte da vida desse público, criam uma relação muito mais opinativa com os fãs. Como exemplo, ela cita que, recentemente, um dos rapazes fez um vídeo comentando problemas políticos atuais do Brasil. “Essas pessoas não trazem só entretenimento, mas também traduzem informações para esse público. São grandes agentes de transformação”, diz.

PODER EM REDE
Além de serem influenciados pelos ídolos da internet, os jovens da geração Z fazem parte de um momento histórico em que a liberdade e capacidade de agir por conta própria são muito maiores — principalmente por causa da rede. “O mundo de hoje é o do ‘faça você mesmo’. Os jovens saem em busca do que querem. Não há uma lógica passiva de conteúdo”, defende.

Ela explica que o mundo agora é on, demandas informações, os dados e até programas de TV precisam estar disponíveis no momento em que o consumidor estiver interessado neles.

JUVENTUDE MÓVEL

James Italiano, consultor em tecnologia móvel, destaca o uso de smartphone, tablet ou qualquer mobile como uma característica fundamental desse público. Como cie lembra, os jovens nascidos após 1990 ainda usam notebooks e desktops em situações pontuais, mas navegam por pequenas telas durante a maior parte do tempo.

“Isso acontece justamente porque essa c uma geração que não para. Vai para todos os lugares e leva o celular junto”, explica. Ele detalha que c com o smartphone que o indivíduo tem a primeira e última intenção do dia – na hora em que desliga o alarme, ao acordar, e no momento em que desliga o aparelho ao dormir.

Para a geração Z, a exposição é uma realidade. Assim, questões como privacidade acabam não sendo tão relevantes quanto seriam para os mais velhos. “Não sei se isso é uma questão de idade. Pode ser uma soma de imaturidade e disponibilidade de ferramentas que permitem publicações imediatas”, comenta o consultor.

BOM OU RUIM?
A privacidade é apenas unia das questões polêmicas que envolvem o excesso do uso dos smartphones, tablets e redes sociais. “A dependência talvez seja o ponto mais preocupante, porque se você depende de uma ferramenta, acaba ficando refém dela”, explica. E esse não é o propósito do aparelho. “A ferramenta funciona como uma extensão de quem a usa, assim como o martelo funciona como potencializador da forca. Mas nunca uma tecnologia se tornou uma extensão tão intensa”, afirma Italiano.

Nesse cenário, para o consultor, talvez a grande invenção a ser disponibilizada c aproveitada seja um filtro que limite cada informação ao momento mais adequado. “Talvez consigamos aprimorar nosso acesso aos dados, recebendo informações sobre aquilo que preciso no momento”, diz.

A própria tecnologia, então, encontraria uma forma de não ser tão utilizada. Assim, ele fala sobre o conceito de calm technology. Por meio dela, tudo o que é importante para o momento fica no centro das atenções, enquanto o que é secundário não gera interferência.

“Numa reunião, aplicativos de gravação e anotações de informações são necessários. São ferramentas que auxiliam no momento criado pelo contexto”, explica. “O princípio da calm technology é contextuai. Ele organiza prioridades através de sensores e as prioridades e ferramentas mudam de acordo com o contexto.”

DIVERSÃO MULTIPLICADA
Francisco Simon, que está habituado a lidar com clientes da geração Z na Microsoft Brasil, defende que as companhias que não estiverem atentas ao consumidor não poderão sobreviver. Ele lembra que, no futuro, os jovens de hoje serão chefes de família e donos de empresas.

A Microsoft já está pensando nesse consumidor. O executivo cita que a plataforma Xbox da empresa, voltada para o mundo dos games, é a mais icônica no sentido de atender a geração Z. Além disso, Simon destaca também a plataforma de mobilidade.

Como exemplo, ele conta que o novo Windows 10 trará a possibilidade de conexão com o videogame Xbox. “Existe um caminho natural dos videogames, que inclui o desenvolvimento de jogos cada vez mais envolventes, com mais qualidade de imagem, histórias e possibilidade de envolvimento de jogadores. Uma tendência muito clara é cada vez mais o envolvimento e imersão dos usuários nos jogos a partir do ambiente”.

JOGOS DE HISTÓRIA
Guilherme Camargo, sócio da desenvolvedora de jogos Sioux, afirma que a geração que cresceu nos anos 1980 enfrentou dificuldades para usar o videogame livremente, pois, para os pais. os jogos atrapalhavam os estudos. Para os filhos desses jovens, entretanto, os games já são parte da realidade.

“A geração que tem hoje entre 15 e 20 anos entrou no mundo digital em um momento em que os games já faziam parte do dia a dia, até com novas funcionalidades”, conta. Ou seja, como afirma Simon, os jovens que nasceram a partir de 1990 chegaram a experimentar – e ainda aproveitam – jogos que possuem mais realismo.

Troca da informação, do entretenimento e do conhecimento, já não têm. Nesse sentido, as empresas não possuem mais controle sobre as marcas. “A única forma de navegar bem nesse novo universo é ser verdadeiro e relevante na vida dessas pessoas”, afirma. “Para quem atende o consumidor, o segredo é ter bons serviços e produtos. Além disso, entregar um atendimento real, sem tentar evitar qualquer situação.”

Nesse sentido, Cominho destaca que os meios tecnológicos são uma fonte a mais de informações para esse consumidor. Mas ele, na verdade, demanda conveniência e se ela está na loja física, é para lá que ele vai.

DESEJOS GERACIONAIS
Para Coutinho, a geração atua] não c muito mais engajada do que as anteriores. Foram as causas, na verdade, que mudaram. “Se você olhar para o passado, vai ver que a juventude estava preocupada com política e redemocratização. Os jovens de hoje, entretanto, pensam em questões ambientais e de cultura, por exemplo”, diz. Por isso, cobram atitudes conscientes das empresas.

“O que acontece é que essa geração talvez seja mais sensível a mudanças no ambiente social. Se o ambiente social está preocupado com causas ambientais, políticas ou de igualdade social, ela segue esse caminho”, defende o professor.

Marcio Manincor, partner da SBCoaching, destaca também que a principal característica dessa geração é que as pessoas que fazem parte dela nasceram em um mundo em que a troca de informações é constante. Por isso, possuem uma expectativa muito grande e se sentem ansiosas para atender a objetivos pessoais e progredir na carreira.

“Isso também é uma característica cio jovem de uma maneira geral, mas foi intensificado porque o mundo anda mais rápido”, argumenta. Assim, como cliente, ele quer soluções e resultados que tragam satisfação. Cabe às empresas, então, mostrarem ao consumidor formas de evolução por meio delas.

FORA DE CASA
As características presentes na geração Z também se refletem na atuação no mercado de trabalho: esses jovens são mais exigentes com as empregadoras. “Eles demandam, têm uma expectativa maior em relação ao que a empresa pode trazer em termos de oportunidade de crescimento na carreira”, explica Coutinho.

Por outro lado, como lembra o professor, esses indivíduos estão se inserindo em um mundo em que a competição por trabalho é muito mais intensa. “Se pensarmos de forma um pouco mais geral, a abertura econômica da China e a inserção da índia no mercado global colocaram mais de um bilhão de pessoas na força de trabalho mundial. Então, a competição por emprego também aumentou brutalmente”, diz.

Como ressalta Bia, a questão da entrada da geração Z no mercado de trabalho envolve até mesmo a formação e a base curricular – que ainda são obrigatórios. “A lógica das faculdades vem da revolução industrial, ao mesmo tempo em que o mundo digital traz demandas de oportunidade aceleradíssimas. Além disso, há a formalidade do mundo corporativo. Muitas pessoas já não se encaixam nesse cenário, porque a hierarquia não faz mais sentido na cabeça delas”, diz.

CRESCIMENTO ACELERADO
Como afirma Manincor: a pressa do jovem da geração Z por obter resultados em suas experiências de vida pode transformar também sua atuação no mercado de trabalho. Ele destaca a importância de mostrara esse colaborador a estratégia de crescimento na carreira.

“Além disso, é necessário definir um propósito maior, que seja mais amplo do que a empresa e traga um significado para vida”, explica. Para os jovens, essa geração de propósito é fundamental. Nesse sentido, ele sugere que a empresa tenha valores — mesmo quando não está focada na juventude.

REALIDADES EM CHOQUE
Em grande parte das empresas, existem algumas gerações que convivem. “Entre elas, há expectativas muito distintas com relação ao que a empresa tem para oferecer, oportunidades de carreira etc. O maior desafio do ponto de vista de uma organização hoje é extrair o máximo de cada uma das gerações”, afirma Coutinho.

Ele defende que a geração Z demanda mais velocidade e transparência das relações de trabalho e dos planos e estratégias de RH das empresas. “O imperativo hoje é ser relevante para o consumidor c ser percebida como uma empresa que oferece oportunidades para o seu funcionário”, aponta. Se for incapaz de realizar isso, a companhia certamente não terá o melhor resultado possível.

ÚTIL E AGRADÁVEL
Para as empresas, o prazer pode ser o caminho para uma boa estratégia. Ou seja, como destaca Guilherme Camargo, da Sioux, há muitas companhias interessadas em inserir a gamificação nas técnicas de negócio. A ideia é usar os jogos em treinamentos de funcionários, além de criar rankings e reconhecer méritos.

“O fato de gamificar faz com que o colaborador queira atingir objetivos e gera uma competição mais saudável, fazendo com que ele deseje atingir metas próprias ou concorrer com amigos”, argumenta.

Nesse sentido, questionado sobre a possibilidade do nascimento de uni novo perfil de colaborador, Camargo comentou que o cenário faz com que surja um novo tipo de funcionário, porque a participação na empresa se torna mais agradável. “Até anos atrás, sem a gamificação, não era tão divertido cumprir metas”, diz.

MUNDO (IM)PERFEITO
Ainda assim, mesmo que esteja se construindo um cenário em que será mais divertido fazer aquilo que é necessário, Camargo destaca que a maioria das empresas não está preparada para atender as demandas da geração Z. Ao mesmo tempo, os jovens precisam lidar com “os trancos do mundo corporativo”.

“É necessário cumprir metas e há uma hierarquia tradicional que ainda vai demorar um pouco para ser quebrada”, argumenta. “Em grandes empresas, o poder de decisão do colaborador é muito pequeno. Então, uma das tendências é cada vez mais esse mundo empreendedor absorver esse tipo de pessoas”.

Camargo lembra, entretanto, que nem todos os empreendimentos funcionarão. Assim, imagina um choque entre grandes corporações que precisam se adaptar para se adequar a esse tipo de funcionário e um mundo empreendedor. ‘”Muitas empresas vão surgir, muitas vão quebrar, mas ainda existe muita coisa para ser criada por essa geração com espírito empreendedor”, detende.

COM QUEM VAMOS LIDAR?
Os jovens da geração Z serão, amanhã, os líderes das empresas e das famílias. É necessário abrir os olhos para eles. Evidentemente, as mudanças vistas por esses jovens — tecnológicas e econômicas – são sinais de que, com os próximos anos, virão grandes transformações.

Como clientes, exigirão mais transparência, sinceridade e rapidez. Enquanto funcionários, poderão ter dificuldade para lidar com hierarquias, ao mesmo tempo em que demandarão muito das contratantes, esperando também transparência, oportunidades e dinamismo. Os desafios são variados, mas os resultados podem ser bastante amplos.

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Fonte: Revista Consumidor Moderno, publicação 01/03/2015.