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Congresso Mundial apresentou as novas tendências da Psicologia Positiva

A evolução da ciência do bem-estar foi o principal tema do 5º Congresso Mundial da Associação Internacional de Psicologia Positiva, que aconteceu em Montreal, no Canadá, em julho deste ano.

O evento reuniu mais de 1.300 participantes de 60 países, entre os quais o pai da Psicologia Positiva, Martin Seligman, que esteve no Brasil recentemente em um evento exclusivo, promovido pela Sociedade Brasileira de Coaching.

A Psicologia Positiva surgiu há quase duas décadas como um movimento liderado por Seligman, que oferecia um contraponto à psicologia tradicional e seu foco nas doenças e distúrbios mentais.

A proposta era estudar o que faz o ser humano florescer e, nesse contexto, vários conceitos passaram a ser investigados à luz da ciência, como as forças de caráter e as emoções positivas.

Confira as principais novidades do 5º Congresso Mundial de Psicologia Positiva

1.      A teoria da felicidade não funciona da mesma forma em culturas ou contextos diferentes

Segundo a psicologia positiva, expressar gratidão é um fator importante para aumentar o nível de felicidade dos indivíduos, mas, de acordo com as novas descobertas da professora Sonja Lybomirsky da Universidade da Califórnia Riverside, há diferentes aspectos a serem considerados.

Para os coreanos, a gratidão nem sempre é uma expressão positiva, por exemplo, um filho dizer aos pais que sente gratidão por o terem criado pode ser ofensivo. É como se ele dissesse que os pais tinham a opção de não fazer isso.

Em outra pesquisa de Lybomirsky, ela diz que presenciar atos de bondade nem sempre é inspirador e replicável,  pois pode fazer com que alguns indivíduos sintam inveja, desejando receber também a boa ação.

Os caminhos das pesquisas agora seguem o rumo da descoberta de quando, onde e para quem determinadas intervenções da psicologia positiva melhor se aplicam.

2.      Nem toda meditação oferece resultados iguais

À medida que a meditação se popularizou, uma variedade de práticas começou a ser recomendada. No entanto, segundo o projeto de pesquisa liderado pela professora do Instituto Max Planck ,Tania Singer, dependendo da pessoa e do objetivo, algumas técnicas podem ser mais eficientes que outras.

Em sua pesquisa, ela testou 3 modalidades de meditação:

  • De presença: visa respiração e consciência corporal.
  • Afetiva: busca estimular e trazer à tona o amor.
  • De perspectiva: trata de observar os pensamentos para que eles se tornem menos reativos.

As pesquisas de Singer mostraram que, embora a meditação de presença pareça aumentar a atenção e a matéria cinzenta do cérebro, apenas a meditação afetiva parece estimular a compaixão e o altruísmo, e somente a afetiva e a de perspectiva ajudam a reduzir o estresse.

3.      A paixão manifesta-se em cada ser de uma forma diferente

Robert Vallerand, professor da Universidade de Quebec em Montreal, separou as paixões em dois tipos:

  • Paixão harmoniosa: é um sentimento saudável e flexível em relação a algo que amamos. Quem nutre esse tipo de paixão é persistente, mas disposto a perseguir outras atividades que lhe tragam satisfação, além de demonstrar mais resiliência, autoeficácia e otimismo.
  • Paixão obsessiva: acontece, geralmente, quando não estamos satisfeitos com algo e acaba assumindo o controle das nossas vidas. Pessoas com este sentimento, ao invés de buscar a superação, tendem a se tornar melhores do que os outras para evitar o fracasso.

Para Vallerand, o segredo para viver uma paixão harmoniosa é “levar a atividade a sério sem se levar muito a sério”. Isso significa que pessoas com paixão obsessiva não precisam necessariamente desistir daquilo que amam, mas passar mais tempo fazendo outras coisas que gostam ou se relacionando com outras pessoas.

4.      Grit não é tudo!

Grit é um conceito desenvolvido por Angela Duckworth, professora da Universidade da Pensilvânia, que na edição brasileira de seu livro homônimo foi traduzido como “garra”. A professora o apresenta como uma força “de vontade” (enquanto outras forças seriam “do coração” e “da mente”).

A conceituação de Duckworth tem sido alvo de críticas pela ênfase que coloca no grit como fator essencial para o sucesso – críticos salientam que, quando se trata de educação, por exemplo, o desempenho dos alunos não é determinado apenas por sua garra, mas também pela desigualdade no ensino e outros problemas sistêmicos.

No congresso, Duckworth reconheceu que as críticas têm fundamento, mas ressaltou que, dada a oportunidade, o grit está entre os fatores que farão a diferença no que diz respeito ao sucesso acadêmico.

Todas as pesquisas apontadas no congresso mostram que os novos insights nos levam a acreditar em uma nova visão sobre uma psicologia positiva mais prática e personalizada, reconhecendo as diferenças individuais entre pessoas e culturas, investigando as influências do meio ambiente dentro desse contexto e contribuindo para que as pessoas possam florescer e serem mais prósperas em suas vidas.

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Fonte: https://greatergood.berkeley.edu/article/item/how_the_science_of_well_being_is_evolving

 

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