Demonstrações físicas de afeto: Como a falta dessas demonstrações pode prejudicar o seu bem-estar na pandemia

Nós brasileiros somos conhecidos ao redor do mundo pelo jeito carinhoso de tratar as pessoas. É de nossa cultura cumprimentar as pessoas com beijos e abraços, conversamos bem próximos das pessoas e temos muito contato físico quando estamos interagindo uns com os outros.

Com a chegada da Covid-19 e sua constante evolução até chegar ao estado de pandemia, já estamos há mais de um ano em isolamento social, que foi recomendado pelos órgãos sanitários para auxiliar na contingência do vírus.

Com o avanço da doença e as pesquisas relacionadas a ela, ficam claros os impactos causados por este período de distanciamento tão importante para a nossa saúde física, mas que causam problemas em nossa saúde mental.

Neste texto conversaremos a respeito de como as demonstrações físicas de afeto são importantes, o que elas causam em nosso corpo e em nossa mente e como podemos superar a falta deste afeto.

Vamos juntos?

Dia do Abraço

No dia 22 de maio é comemorado mundialmente o Dia do Abraço.

Esta data teria surgido a partir da iniciativa do australiano Juan Mann que criou a campanha Free Hugs Campaign, em 2004, com o simples objetivo de distribuir abraços “gratuitos” pelas ruas de Sydney.

E este dia é importante por um simples motivo: o abraço é uma demonstração de carinho, afeto ou amizade que está presente em todas as culturas.

Porém se você é uma pessoa preocupada com o próximo e consigo mesmo, já deve estar a um bom tempo sem abraço, sem beijo ou aperto de mão, e temos certeza que seu corpo está sentindo a falta dessa proximidade com a família e os amigos.

Falando no sentido biológico, o contato físico e principalmente o abraço é um traço que trazemos em nosso DNA, pois segundo historiadores, este tipo de contato é visto até mesmo nos antepassados dos seres humanos.

Segundo os estudos, naquela época a catação (uma forma primitiva de abraço visto até hoje nos primatas) era mais utilizada como comunicação entre nossos antepassados. Isto pode ser comprovado até nos dias de hoje: quando você sabe que alguém próximo a você está passando por um momento difícil, provavelmente a primeira reação que você tem é abraçar essa pessoa, às vezes até sem dizer nada. Isto porque esta demonstração física de afeto tem muito a dizer.

Além disso, o abraço está associado à produção de hormônios que nos causam sensação de bem-estar como a ocitocina, conhecido também como o hormônio do amor que melhora a confiança, a empatia e a generosidade.

O cérebro e a demonstração de afeto

O ser humano é um ser social. Diversos estudos ao longo dos tempos mostram que desde pequena, a criança depende do contato físico com os pais para que seu cérebro possa se desenvolver corretamente.

Quando adulto, é esperado que este indivíduo desenvolva um equilíbrio físico e mental, que é construído através das experiências e dos aprendizados adquiridos em cada uma delas. Em um cenário como o que vivemos, os indivíduos vão mobilizar seus recursos afetivos e cognitivos para se adaptar às dificuldades, do ponto de vista psicológico e fisiológico.

Essa adaptação é originada no córtex frontal e pré-frontal do cérebro, que nos faz ficar em constante estado de alerta com medo de nos contaminar e ficar doente. Este movimento gera gasto energético que se traduz em falta de sono, irritabilidade e ou outros sintomas de estresse.

Porém, com o convívio constante com este tipo de sentimento, é possível que quadros de depressão e outras doenças relacionadas ao cérebro se multipliquem à medida que o distanciamento social continue sendo necessário.

Como lidar com a falta de demonstrações físicas de afeto?

As mudanças sociais impostas pelo coronavírus, apesar de causarem tantos transtornos, são extremamente necessárias. Não adianta pensar na saúde física e mental como dois opostos, porque as duas coexistem e são extremamente necessárias para que você seja um indivíduo saudável.

Portanto, se é necessário evitar contato físico com outras pessoas para manter a saúde física, é preciso buscar mecanismos para ressignificar o afeto.

Enquanto vivemos esta fase de distanciamento social precisamos aprender a substituir o abraço por outros modos de comunicar afeto. Não importa se é uma visita no portão da casa do seu familiar (utilizando máscara e ficando distante dele), se é uma chamada de vídeo com seus amigos ou uma conversa por texto lembrando bons momentos com quem você ama: o importante é manifestar apoio, amizade e solidariedade.

Outra coisa que ajuda na falta do abraço e de outras demonstrações físicas de afeto é nos lembrarmos de que o distanciamento social é uma situação passageira. Pode estar sendo difícil agora, pode estar demorando mais do que esperávamos, mas vai passar e logo poderemos abraçar quem quisermos sem medo.

Por enquanto, na impossibilidade do toque físico, o que temos a fazer é sermos criativos e inventar outras formas de abraçar.

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Brian Tracy é uma das maiores autoridades em coaching e negócios do mundo: em mais de 30 anos de atuação, passaram por suas palestras e seminários mais de 5 milhões de pessoas. Já atuou como coach e consultor em mais de mil empresas. Autor de dezenas de best-sellers, foi homenageado em 2011 com o Lifetime Achievement Award, concedido pela National Academy of Best Selling Authors. É fundador e CEO da Brian Tracy International, tem uma carreira de sucesso, principalmente nos setores de vendas e marketing, investimentos, desenvolvimento imobiliário, importação, distribuição e consultoria de gestão.

Flora Victória

Flora Victoria é fundadora da Sociedade Brasileira de Coaching, presidente da SBCOACHING Training e Mestre em Psicologia Positiva Aplicada pela University of Pennsylvania. Diretora educacional das empresas do SBCOACHING Group e founding fellow do Institute of Coaching (IOC) – órgão afiliado à Harvard Medical School dedicado ao avanço do coaching, Flora é considerada a maior especialista em psicologia positiva aplicada ao coaching do país. Seu trabalho precursor resultou na criação do primeiro treinamento de positive coaching do Brasil. Pioneira na condução de projetos de pesquisa e comprovação científica do coaching no país, tem contribuído significativamente para consolidar a credibilidade desse processo e estimular seu desenvolvimento no Brasil e no mundo.

Como trainer e master coach, Flora já participou da formação de mais de 45 mil coaches no Brasil. Responsável pelas parcerias internacionais firmadas pela SBCOACHING com instituições globais, Flora tem trazido para o Brasil o que há de melhor e de mais atual no coaching internacional. Flora representa a Sociedade Brasileira de Coaching como membro da Graduate School Alliance for Executive Coaching (GSAEC), instituição especializada no ensino acadêmico do coaching, e da Association for Coaching (AC), credenciadora internacional presente em mais de 50 países.

Escritora de obras que são referência no coaching mundial, Flora é coautora dos livros Personal & Professional Coaching®, Executive & Business Coaching®, Positive Psychology Coaching® e Career Coaching®, entre outros. Em parceria com Brian Tracy e Villela da Matta, escreveu Estratégias Avançadas de Vendas e Engajamento Total. Como parte de sua contribuição para o coaching global, Flora foi convidada a integrar uma equipe internacional cujo objetivo foi discutir e compreender a diversidade do coaching no mundo. Esse trabalho resultou no livro Diversity in Coaching: Working with Gender, Culture, Race and Age, lançado pela Association for Coaching (AC). Como especialista em coaching, negócios, liderança e psicologia positiva, escreve artigos para a Revista SBCOACHING, para a Revista Científica Brasileira de Coaching e para diversos portais.

Com graduações acadêmicas e especializações nas áreas de Governança Corporativa pela Harvard Business School, MBA pela FGV, Marketing pela ESPM e Tecnologia pela USCS, a expert em ciências comportamentais, Flora, aplica seu sólido conhecimento teórico e prático para contribuir com diferentes públicos na conquista de resultados e aumento de realizações.

Com uma experiência organizacional consolidada ao longo de 30 anos, antes de fundar a SBCOACHING Flora foi executiva da Claro e atuou em grandes empresas como Volkswagen, Ford e Bell South, nas áreas de planejamento estratégico, gestão de mudanças, governança corporativa, tecnologia e finanças. À frente da SBCOACHING Training™, dedica-se continuamente a expandir o portfólio de serviços e a elevar cada vez mais a qualidade e a eficácia do coaching.