O mal-estar e seus efeitos na carreira profissional

(Por Claudia Hölter)

A visão de mal-estar ou sofrimento no trabalho, segundo estudos de Dejours, pode servir de alerta aos gestores sobre a importância de se repensar as relações de trabalho, além de indicar formas de lidar com as demandas dos executivos da alta gestão, já que esse grupo, em especial, possui características inerentes à função, que conduzem a uma carga de estresse muito grande, afetando a si mesmos e, muitas vezes, os seus subordinados diretos também.

Certamente, os sintomas físicos de cansaço e sensação de esgotamento de energia, atribuídos às condições extenuantes de trabalho, também são fatores de desafios para as organizações. Segundo Dejours (2007), querem nos fazer acreditar, ou tendemos a acreditar espontaneamente, que o sofrimento no trabalho foi bastante atenuado ou mesmo completamente eliminado pela mecanização e a robotização, que teriam abolido as obrigações mecânicas:

Por trás das vitrines, há o sofrimento dos que trabalham. Dos que, aliás, pretensamente não mais existem, embora na verdade sejam legião, e que assumem inúmeras tarefas arriscadas para a saúde, em condições pouco diferentes daquelas de antigamente e, por vezes mesmo, agravadas por frequentes infrações das leis trabalhistas: (seja em indústrias ou em escritórios, hospitais, trens, aviões, etc. Os estudos clínicos e as sondagens que realizamos nos últimos anos, tanto na França quanto no exterior, revelam por trás das vitrines do progresso um mundo de sofrimento que às vezes nos deixam incrédulos. (Dejours: 2007, p.27).

Essas considerações de Dejours foram confirmadas em uma pesquisa no Brasil sobre sofrimento no trabalho dos executivos (MOTA; TANURE; NETO, 2008). Segundo a pesquisa, há uma insatisfação claramente colocada pela maioria dos executivos em relação a itens relacionados ao trabalho que são importantes para as organizações, como a carga excessiva de trabalho, os níveis exagerados de cobranças por resultados, as relações pessoais com pares, superiores e subordinados.

Profissionais acreditam que as empresas não têm feito o suficiente para minimizar a tensão .
Profissionais acreditam que as empresas não têm feito o suficiente para minimizar a tensão .

A pesquisa revelou ainda que 60% dos profissionais acreditam que as empresas não têm feito o suficiente para minimizar a tensão que eles sofrem. Esse número serve então de alerta para que governo brasileiro e os gestores corporativos possam rever as atuais  estratégias de gestão do capital psicológico das organizações, a fim de contribuir para o florescimento dos indivíduos e da sociedade.

E nós, coaches, como podemos ajudar? Para atenuar esse quadro de mal-estar, podemos sugerir  programas de coaching para incentivar os conceitos de responsabilidade e protagonismo  nas equipes, além de ajudar a implantar uma “agenda saudável” e comprometida em atingir os objetivos estabelecidos, a fim de melhorar a qualidade de vida de todos.

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Flora Victória

Flora Victoria é fundadora da Sociedade Brasileira de Coaching, presidente da SBCOACHING Training e Mestre em Psicologia Positiva Aplicada pela University of Pennsylvania. Diretora educacional das empresas do SBCOACHING Group e founding fellow do Institute of Coaching (IOC) – órgão afiliado à Harvard Medical School dedicado ao avanço do coaching, Flora é considerada a maior especialista em psicologia positiva aplicada ao coaching do país. Seu trabalho precursor resultou na criação do primeiro treinamento de positive coaching do Brasil. Pioneira na condução de projetos de pesquisa e comprovação científica do coaching no país, tem contribuído significativamente para consolidar a credibilidade desse processo e estimular seu desenvolvimento no Brasil e no mundo.

Como trainer e master coach, Flora já participou da formação de mais de 45 mil coaches no Brasil. Responsável pelas parcerias internacionais firmadas pela SBCOACHING com instituições globais, Flora tem trazido para o Brasil o que há de melhor e de mais atual no coaching internacional. Flora representa a Sociedade Brasileira de Coaching como membro da Graduate School Alliance for Executive Coaching (GSAEC), instituição especializada no ensino acadêmico do coaching, e da Association for Coaching (AC), credenciadora internacional presente em mais de 50 países.

Escritora de obras que são referência no coaching mundial, Flora é coautora dos livros Personal & Professional Coaching®, Executive & Business Coaching®, Positive Psychology Coaching® e Career Coaching®, entre outros. Em parceria com Brian Tracy e Villela da Matta, escreveu Estratégias Avançadas de Vendas e Engajamento Total. Como parte de sua contribuição para o coaching global, Flora foi convidada a integrar uma equipe internacional cujo objetivo foi discutir e compreender a diversidade do coaching no mundo. Esse trabalho resultou no livro Diversity in Coaching: Working with Gender, Culture, Race and Age, lançado pela Association for Coaching (AC). Como especialista em coaching, negócios, liderança e psicologia positiva, escreve artigos para a Revista SBCOACHING, para a Revista Científica Brasileira de Coaching e para diversos portais.

Com graduações acadêmicas e especializações nas áreas de Governança Corporativa pela Harvard Business School, MBA pela FGV, Marketing pela ESPM e Tecnologia pela USCS, a expert em ciências comportamentais, Flora, aplica seu sólido conhecimento teórico e prático para contribuir com diferentes públicos na conquista de resultados e aumento de realizações.

Com uma experiência organizacional consolidada ao longo de 30 anos, antes de fundar a SBCOACHING Flora foi executiva da Claro e atuou em grandes empresas como Volkswagen, Ford e Bell South, nas áreas de planejamento estratégico, gestão de mudanças, governança corporativa, tecnologia e finanças. À frente da SBCOACHING Training™, dedica-se continuamente a expandir o portfólio de serviços e a elevar cada vez mais a qualidade e a eficácia do coaching.