Planejamento Vertical

nossas metas objetivos
Que tal nos desafiarmos desde já para sair do imobilismo e agir proativamente para que 2014 seja lembrado como um ponto de virada em nossa vida produtiva?

(Por Fernando Colella)

E finalmente 2014 chegou. Um novo ano que desponta com velhas questões a serem enfrentadas, mas, como todo início de ciclo, com as esperanças renovadas. E por isso mesmo vivemos um excelente período para planejar os próximos doze meses, afinal os dias de 2014 já estão correndo. Este é o momento certo para começar a fazer deste ano o mais fecundo e satisfatório de todos. Que tal nos desafiarmos desde já para sair do imobilismo e agir proativamente para que 2014 seja lembrado como um ponto de virada em nossa vida produtiva?

Para isso vamos recorrer a um dos mais importantes autores especializados em produtividade pessoal, o norte-americano David Allen. Allen foi o criador do método GTD (Getting Things Done), que se tornou muito popular a partir do lançamento de seu primeiro livro em 2001: “Getting Things Done: The Art of Stress-Free Productivity” (no Brasil, “A Arte de Fazer Acontecer”, publicado pela Editora Campus Elsevier). O grande mérito do GTD frente a tantas outras técnicas de organização pessoal é que ele se pretende completo o suficiente para englobar todas as áreas da vida, possibilitando uma gestão mais integrada entre vida pessoal, trabalho e outras dimensões do ser.

Para isso Allen lança mão de dois eixos em sua metodologia: o horizontal e o vertical. O eixo horizontal é mais conhecido e está relacionado ao aspecto do controle, já que aborda o dia a dia de nossa vida produtiva: compromissos, agenda, arquivamento, ações rotineiras, etc. A maior parte do material que encontramos sobre GTD em blogs e sites pela web abordam unicamente o aspecto horizontal como se a técnica se resumisse a isso. O fato é que o eixo vertical, embora ignorado por alguns praticantes, também é essencial ao método, uma vez que ele está relacionado ao planejamento de objetivos e perspectiva.

O objetivo deste artigo não é tratar do GTD em toda a sua abrangência, mas discutir uma visão de planejamento para o ano recém começado, a partir do eixo vertical proposto por David Allen, também conhecido como Horizontes de Foco. Trata-se de um guia para tomadas de decisão, ações a serem priorizadas e gestão pessoal baseada em uma visão sistêmica da própria vida. Em um momento oportuno abordarei também o eixo horizontal e suas particularidades voltadas à prática da gestão produtiva.

O termo “Horizontes de Foco” está relacionando à ideia de um avião levantando voo. Quando estamos dentro de uma aeronave ainda na pista de decolagem, o que vemos pela janela ainda é muito restrito: a pista, detalhes do aeroporto, etc. Quando o veículo começa a ganhar altura, temos uma visão mais abrangente e de mais elementos, como casas, prédios, ruas. E quanto maior a altitude, mais amplo se torna o nosso horizonte: percebemos bairros ou cidades inteiras em uma única perspectiva. Assim funciona o planejamento vertical proposto por Allen.

São seis fases a serem consideradas, que representam diferentes altitudes de um voo imaginário para orientar a amplitude de nosso foco no planejamento vertical. Para facilitar a explanação, neste artigo abordaremos os três primeiros estágios dos Horizontes de Foco, que tratam dos níveis mais elevados de atenção: propósito de vida, visão de longo prazo e metas. No próximo artigo prosseguiremos com o tema falando dos três estágios finais: áreas de responsabilidade, projetos para o ano e finalmente as ações que os compõem. Portanto, não deixe de ler a segunda parte do texto aqui no blog para concluir o seu planejamento de 2014. Preparado para levantar voo?

Horizontes Foco
São seis fases a serem consideradas, que representam diferentes altitudes de um voo imaginário para orientar a amplitude de nosso foco no planejamento vertical. Preparado para levantar voo?

A primeira fase a considerarmos do eixo vertical é quando nosso avião está na altitude mais elevada de seu voo, a 50 mil pés. Nessa perspectiva conseguimos ver a vida como um todo, já que temos uma visão bem vasta de todos os aspectos que envolvem nossos objetivos, e não apenas os seus detalhes. É neste momento que devemos considerar os porquês, ao invés dos quês do planejamento. Aqui devemos levantar e reconhecer nossos propósitos e princípios, não apenas para o ano todo, mas para a vida. Os propósitos são nossa fonte motivadora dos resultados, aquilo que confere um sentido maior e mais profundo a tudo que desejamos realizar.  Princípios são critérios profundos que representam nossos valores fundamentais.

Nem sempre esses critérios são expressos em termos formais, mas quanto mais esse nível puder ser clarificado, melhor poderemos priorizar projetos e ações que pretendemos tomar de acordo com a relevância que possuem para nossa vida. Ter uma definição dos 50 mil pés pode nos ajudar especialmente nos momentos em que precisamos fazer escolhas difíceis, gerenciar crises ou iniciar novos empreendimentos. Uma boa forma de começar é pegar papel e lápis e responder a algumas dessas perguntas:

  • Quais são os seus valores mais fundamentais? Liste todos os que parecerem relevantes para você e depois reduza-os a no máximo 5.
  • Qual é a sua grande missão para 2014? E para a vida?
  • O que faria 2014 ser o ano mais importante da sua vida? Por quê?
  • O que você tem a oferecer a seus amigos, sua comunidade ou ao mundo neste ano? E nos próximos?
  • Do que você mais gostaria de se orgulhar ao final de 2014?

Na segunda fase dos Horizontes de Foco, nosso avião já voa a uma altitude um pouco mais baixa, a 40 mil pés. Aqui o que temos é a nossa visão de longo prazo. É o momento de refletir sobre o que separa “quem eu sou” de “quem eu quero ser”, e perceber quais são as decisões a serem tomadas e os projetos a serem empreendidos, que nos permitirão alcançar nosso ideal de vida em 3, 5 ou 10 anos. E se você não vê relação entre os objetivos de longo prazo e o planejamento de 2014, lembre-se que o grande segredo sobre metas vindouras não é o que elas descrevem no futuro, mas a mudança que provocam hoje. Para esta fase do planejamento, considere responder algumas das perguntas abaixo:

  • O que imagina de melhor para a sua vida? Em quanto tempo pode chegar lá?
  • O que separa “quem você é” de “quem você quer ser”?
  • O que você quer ter, ser ou fazer em 5 anos?
  • O que precisará concluir até o final de 2014 para chegar a esse ideal em 5 anos? Qual é o primeiro passo a ser dado desde já?

A terceira fase do planejamento vertical é representada pelos 30 mil pés de altitude. Neste estágio consideramos nossas metas e objetivos para qualquer projeto que leve mais de um ano, ou que pretendemos realizar nos próximos dois anos. Agora estamos bem mais perto do panorama de 2014, e precisamos considerar que os passos a serem dados neste ano tornam-se fundamentais para a realização dos objetivos de médio prazo. Esse nível do planejamento vertical ajuda a estimular o alinhamento. Se não nos envolvermos nós próximos 12 meses com atividades relacionadas aos 30 mil pés, dificilmente realizaremos as metas que programamos para 2015 ou 2016. Algumas perguntas que nos ajudarão nesta fase são:

  • O que não é possível ou prioritário executar neste ano, mas que você gostaria de realizar em 2015 ou 2016? Por que isso é importante?
  • O que precisará conquistar já em 2014 que o fará sentir-se preparado para realizar as metas dos próximos anos?
  • O que você poderá empreender neste ano que significará um passo decisivo para a realização de seus sonhos nos seguintes?
  • Que competências ou habilidades precisará trabalhar ou adquirir em 2014 para que seus projetos futuros se tornem viáveis?

Se você chegou até aqui, parabéns! Já deve ter uma boa ideia do que não pode ficar de fora no planejamento do ano tendo em vista seus grandes objetivos de vida e o que é mais importante. Não deixe de ler o próximo artigo, “Planejamento Vertical para 2014 – 2ª Parte“, para concluir a sua programação com as três fases finais dos Horizontes de Foco, incluindo a lista de projetos para o ano e as etapas necessárias para realizá-los. Até breve!



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Brian Tracy é uma das maiores autoridades em coaching e negócios do mundo: em mais de 30 anos de atuação, passaram por suas palestras e seminários mais de 5 milhões de pessoas. Já atuou como coach e consultor em mais de mil empresas. Autor de dezenas de best-sellers, foi homenageado em 2011 com o Lifetime Achievement Award, concedido pela National Academy of Best Selling Authors. É fundador e CEO da Brian Tracy International, tem uma carreira de sucesso, principalmente nos setores de vendas e marketing, investimentos, desenvolvimento imobiliário, importação, distribuição e consultoria de gestão.

Flora Victória

Flora Victoria é fundadora da Sociedade Brasileira de Coaching, presidente da SBCOACHING Training e Mestre em Psicologia Positiva Aplicada pela University of Pennsylvania. Diretora educacional das empresas do SBCOACHING Group e founding fellow do Institute of Coaching (IOC) – órgão afiliado à Harvard Medical School dedicado ao avanço do coaching, Flora é considerada a maior especialista em psicologia positiva aplicada ao coaching do país. Seu trabalho precursor resultou na criação do primeiro treinamento de positive coaching do Brasil. Pioneira na condução de projetos de pesquisa e comprovação científica do coaching no país, tem contribuído significativamente para consolidar a credibilidade desse processo e estimular seu desenvolvimento no Brasil e no mundo.

Como trainer e master coach, Flora já participou da formação de mais de 45 mil coaches no Brasil. Responsável pelas parcerias internacionais firmadas pela SBCOACHING com instituições globais, Flora tem trazido para o Brasil o que há de melhor e de mais atual no coaching internacional. Flora representa a Sociedade Brasileira de Coaching como membro da Graduate School Alliance for Executive Coaching (GSAEC), instituição especializada no ensino acadêmico do coaching, e da Association for Coaching (AC), credenciadora internacional presente em mais de 50 países.

Escritora de obras que são referência no coaching mundial, Flora é coautora dos livros Personal & Professional Coaching®, Executive & Business Coaching®, Positive Psychology Coaching® e Career Coaching®, entre outros. Em parceria com Brian Tracy e Villela da Matta, escreveu Estratégias Avançadas de Vendas e Engajamento Total. Como parte de sua contribuição para o coaching global, Flora foi convidada a integrar uma equipe internacional cujo objetivo foi discutir e compreender a diversidade do coaching no mundo. Esse trabalho resultou no livro Diversity in Coaching: Working with Gender, Culture, Race and Age, lançado pela Association for Coaching (AC). Como especialista em coaching, negócios, liderança e psicologia positiva, escreve artigos para a Revista SBCOACHING, para a Revista Científica Brasileira de Coaching e para diversos portais.

Com graduações acadêmicas e especializações nas áreas de Governança Corporativa pela Harvard Business School, MBA pela FGV, Marketing pela ESPM e Tecnologia pela USCS, a expert em ciências comportamentais, Flora, aplica seu sólido conhecimento teórico e prático para contribuir com diferentes públicos na conquista de resultados e aumento de realizações.

Com uma experiência organizacional consolidada ao longo de 30 anos, antes de fundar a SBCOACHING Flora foi executiva da Claro e atuou em grandes empresas como Volkswagen, Ford e Bell South, nas áreas de planejamento estratégico, gestão de mudanças, governança corporativa, tecnologia e finanças. À frente da SBCOACHING Training™, dedica-se continuamente a expandir o portfólio de serviços e a elevar cada vez mais a qualidade e a eficácia do coaching.