(Re)visitando o GROW – 2ª Parte

GROW é um acrônimo da língua inglesa formado pelas palavras Goal (meta), Reality (realidade), Options (opções) e Will (vontade).
GROW é um acrônimo da língua inglesa formado pelas palavras Goal (meta), Reality (realidade), Options (opções) e Will (vontade).

(Por Fernando Colella)

Na primeira parte deste artigo começamos a tratar do bom e velho GROW, um do mais antigos e conhecidos modelos de coaching, que ganhou fama com John Whitmore em seu livro “Coaching para Performance”, um clássico da literatura empresarial. E como velho não é sinônimo de ultrapassado, vale a pena recapitular ou conhecer um pouco melhor esse modelo cuja grande força é a simplicidade aliada à praticidade, seja você um coach que pretende utilizá-lo com seus clientes ou simplesmente alguém interessado em desenvolver-se mais, incorporando a técnica ao seu repertório pessoal.


Nesta segunda parte vamos abordar individualmente cada uma das fases do GROW, que é um acrônimo da língua inglesa formado pelas palavras Goal (meta), Reality (realidade), Options (opções) e Will (vontade). Se você não leu o artigo anterior, em que introduzimos o modelo, vale a pena dar uma olhada antes de seguir adiante. Depois volte aqui e confira todas as etapas do GROW, que seguem explanadas abaixo:

GOAL (META)

É o objetivo a ser atingido. Segundo Whitmore, objetivos devem ser tratados antes da verificação da realidade porque objetivos baseados na realidade tendem a ser resposta a um problema. Isso limitaria a criatividade e poderia levar à formulação de objetivos limitados pelo desempenho do passado, ainda segundo o autor.

Muitas vezes um objetivo final não está em nosso controle total, como, por exemplo, uma promoção profissional, que dependeria também do reconhecimento de superiores hierárquicos. Mas o importante aqui é assumir a responsabilidade e o comprometimento total pelo aumento de performance necessário para atingir a meta. Ainda que para atingir o sucesso em alguma meta seja necessário o envolvimento de outras pessoas, lembre-se que este também não poderá ocorrer sem que façamos a nossa parte.

Por fim, é sempre importante pontuar que bons objetivos devem ser específicos e muito bem elaborados. Metas nebulosas dificilmente podem ser atingidas pela simples falta de clareza em sua formulação. O bom é velho SMART sempre nos ajudará na tarefa de clarificar as metas. Para quem não conhece, trata-se de um filtro que é sempre de grande auxílio na especificação de objetivos. Uma meta, para ser bem formulada, deve ser:

eSpecífica (Qual é exatamente a meta?)

Mensurável (Como posso medir o quanto estou me aproximando de sua realização?)

Atingível (Trata-se de uma meta realista?)

Relevante (É uma meta importante para mim?)

Tangível (Quando exatamente pretendo atingir meu objetivo?)

Whitmore sugere ainda que façamos algumas perguntas, a nós mesmos ou a nossos clientes, para ajudar nesta etapa do GROW:

  • Que tipo de resultado você está esperando?
  • Quão longe e quão detalhadamente você espera ir?
  • No longo prazo, qual é o seu objetivo relacionado a este assunto? Qual o tempo para isso?
  • Quais os passos intermediários e quando eles irão acontecer?

REALITY (REALIDADE)

Se entendermos o coaching como um caminho que parte do estado atual e conduz (a nós mesmos ou a nosso cliente) a um estado desejado, é fundamental, então, reconhecer esse ponto de partida para que percebamos com exatidão o que precisa ser mudado na realidade atual e que impactará decisivamente na escolha de uma melhor via rumo à concretização da meta.

Uma percepção franca da realidade é central no modelo. Trata-se de um entendimento da situação atual e de como se chegou a este ponto. Segundo Whitmore, o critério para o exame da realidade é a consciência, ou seja, a percepção das coisas como realmente são, bem como a autoconsciência, o reconhecimento dos fatos internos que distorcem nossa percepção da realidade.

O exame da realidade é o momento de questionar, refletir, desafiar e reformular velhas crenças que, muitas vezes, assumimos sem pensar a respeito. É importante suspender qualquer julgamento ou autojulgamento, para que possamos obter respostas honestas e precisas a esses questionamentos. Algumas perguntas sugeridas pelo autor para essa avaliação são:

  • Qual é o detalhamento da situação atual?
  • Qual e quão grande é sua preocupação sobre isso?
  • A quem mais este assunto afeta, além de você?
  • Quem conhece seu desejo de fazer alguma coisa sobre isso?
  • Qual é o grau de controle que você pessoalmente tem sobre esse resultado?
  • Quem mais tem controle e em que grau?
  • Que ações você já tomou a respeito até agora?
  • O que lhe impediu de fazer mais?
  • Que obstáculos você terá que enfrentar pelo caminho?
  • Existe algum obstáculo interno ou resistência pessoal sua para tomar essas ações?
  • Que recursos você já tem? Habilidades, tempo, entusiasmo, dinheiro, apoio, etc?
  • Que outros recursos você necessita? De onde eles virão?
  • Qual é realmente o problema aqui, o ponto central?
O propósito deste aspecto do GROW não é encontrar uma única resposta ideal, mas formular uma lista de alternativas.
O propósito deste aspecto do GROW não é encontrar uma única resposta ideal, mas formular uma lista de alternativas.

OPTIONS (OPÇÕES)

Gerard Egan é professor emérito de Organização de Desenvolvimento e Psicologia da Universidade Loyola de Chicago e um dos maiores especialistas mundiais em aconselhamento e modelos de ajuda. Segundo ele, “uma razão para as pessoas falharem para alcançar seus objetivos é que elas não exploram as diferentes formas no qual o objetivo pode ser alcançado; elas escolhem uma forma ou estratégia sem uma grande quantidade de pesquisa ou reflexão, tentam, e quando falham, concluem que eles apenas não podem alcançar o objetivo particular”. Por isso, o propósito deste aspecto do GROW não é encontrar uma única resposta ideal, mas formular uma lista de alternativas, que seja o mais ampla possível.

John Whitmore chega a afirmar que “neste momento, quantidade é mais importante que qualidade e viabilidade”. Não cabe aqui a utilização de filtros limitantes ou levantar obstáculos possíveis. A ideia é produzir um brainstorming que permita o pleno desenvolvimento do potencial criativo. Normalmente, as soluções mais originais surgem apenas depois do esgotamento das opções que já temos no horizonte, por isso certifique-se de que pode dedicar tempo e energia suficiente para a execução desta etapa.

Após a lista pronta, podemos ainda reexaminar cada um dos itens levantados, reconhecendo prós e contras em se colocar em prática cada uma das opções. Isso pode ajudar na escolha da melhor estratégia antes de seguir para o último estágio do modelo. Perguntas indicadas para esta etapa são:

  • Quais são as diferentes maneiras pelas quais você poderia lidar com esse assunto?
  • Faça uma lista de todas as alternativas, pequenas ou grandes, completas ou parciais.
  • O que mais você poderia fazer?
  • O que você faria se tivesse mais tempo, orçamento maior ou se você fosse o chefe?
  • O que você faria se você pudesse começar do zero?
  • Quais são as vantagens e as desvantagens de cada uma dessas alternativas?
  • Qual a levaria ao melhor resultado?
  • Quais destas soluções lhe atraem mais, ou você sente que seria melhor para você?
  • O que lhe daria maior satisfação?

WHAT, WHEN, WHOM, WILL (O QUE, QUANDO, POR QUEM E VONTADE)

Coaching é essencialmente orientado à mudança, e nada pode ser mudado sem que algo seja feito a respeito. Portanto, a etapa final do GROW trata das ações que serão desenvolvidas a partir das opções anteriormente levantadas, bem como a construção de um plano de ação que possa descrever de forma assertiva o que será feito, em que momento e de que forma.

Esta não é apenas a hora de escolher a melhor solução e desenvolver uma boa estratégia para colocá-la em prática, mas também de confirmar o desejo e a disponibilidade para que sejam executadas todas as tarefas assumidas. Um bom plano de nada serve sem que seja posto em ação, e, por isso, a palavra de ordem aqui deve ser comprometimento. Algumas das perguntas indicadas por Whitmore para o último estágio do modelo são:

  • Qual opção, ou opções, você escolhe?
  • Em que medida ela atende a todos os seus objetivos?
  • Qual seu critério ou medida de sucesso?
  • Quando precisamente você vai começar e terminar cada estágio de ação?
  • O que poderá impedi-lo de seguir esses passos ou atingir a sua meta?
  • Que resistência pessoal, se há alguma, você tem para seguir os passos fixados?
  • O que você vai fazer para eliminar estes fatores externos e internos?
  • Quem necessitará saber de seu plano?
  • Que apoio você necessita e de quem?
  • O que você vai fazer para obter esse apoio e quando?
  • Numa escala de 1 a 10, qual é o seu comprometimento em seguir as ações combinadas?
  • O que lhe impede que seja 10?

Por fim, não se esqueça de revisar todos os pontos levantados e perguntar-se sobre os aprendizados que teve, as descobertas sobre si mesmo e as ideias resultantes dessa reflexão. GROW não visa apenas orientar um planejamento, mas também aumentar a consciência, que é a habilidade de determinar o que é realmente relevante, e assumir a responsabilidade sobre pensamentos e ações, o que resultará em aumento de comprometimento e performance.

E que tal compartilhar a sua experiência de uso do GROW?

Bons insights!

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Brian Tracy é uma das maiores autoridades em coaching e negócios do mundo: em mais de 30 anos de atuação, passaram por suas palestras e seminários mais de 5 milhões de pessoas. Já atuou como coach e consultor em mais de mil empresas. Autor de dezenas de best-sellers, foi homenageado em 2011 com o Lifetime Achievement Award, concedido pela National Academy of Best Selling Authors. É fundador e CEO da Brian Tracy International, tem uma carreira de sucesso, principalmente nos setores de vendas e marketing, investimentos, desenvolvimento imobiliário, importação, distribuição e consultoria de gestão.

Flora Victória

Flora Victoria é fundadora da Sociedade Brasileira de Coaching, presidente da SBCOACHING Training e Mestre em Psicologia Positiva Aplicada pela University of Pennsylvania. Diretora educacional das empresas do SBCOACHING Group e founding fellow do Institute of Coaching (IOC) – órgão afiliado à Harvard Medical School dedicado ao avanço do coaching, Flora é considerada a maior especialista em psicologia positiva aplicada ao coaching do país. Seu trabalho precursor resultou na criação do primeiro treinamento de positive coaching do Brasil. Pioneira na condução de projetos de pesquisa e comprovação científica do coaching no país, tem contribuído significativamente para consolidar a credibilidade desse processo e estimular seu desenvolvimento no Brasil e no mundo.

Como trainer e master coach, Flora já participou da formação de mais de 45 mil coaches no Brasil. Responsável pelas parcerias internacionais firmadas pela SBCOACHING com instituições globais, Flora tem trazido para o Brasil o que há de melhor e de mais atual no coaching internacional. Flora representa a Sociedade Brasileira de Coaching como membro da Graduate School Alliance for Executive Coaching (GSAEC), instituição especializada no ensino acadêmico do coaching, e da Association for Coaching (AC), credenciadora internacional presente em mais de 50 países.

Escritora de obras que são referência no coaching mundial, Flora é coautora dos livros Personal & Professional Coaching®, Executive & Business Coaching®, Positive Psychology Coaching® e Career Coaching®, entre outros. Em parceria com Brian Tracy e Villela da Matta, escreveu Estratégias Avançadas de Vendas e Engajamento Total. Como parte de sua contribuição para o coaching global, Flora foi convidada a integrar uma equipe internacional cujo objetivo foi discutir e compreender a diversidade do coaching no mundo. Esse trabalho resultou no livro Diversity in Coaching: Working with Gender, Culture, Race and Age, lançado pela Association for Coaching (AC). Como especialista em coaching, negócios, liderança e psicologia positiva, escreve artigos para a Revista SBCOACHING, para a Revista Científica Brasileira de Coaching e para diversos portais.

Com graduações acadêmicas e especializações nas áreas de Governança Corporativa pela Harvard Business School, MBA pela FGV, Marketing pela ESPM e Tecnologia pela USCS, a expert em ciências comportamentais, Flora, aplica seu sólido conhecimento teórico e prático para contribuir com diferentes públicos na conquista de resultados e aumento de realizações.

Com uma experiência organizacional consolidada ao longo de 30 anos, antes de fundar a SBCOACHING Flora foi executiva da Claro e atuou em grandes empresas como Volkswagen, Ford e Bell South, nas áreas de planejamento estratégico, gestão de mudanças, governança corporativa, tecnologia e finanças. À frente da SBCOACHING Training™, dedica-se continuamente a expandir o portfólio de serviços e a elevar cada vez mais a qualidade e a eficácia do coaching.