Valuation: Guia Completo Para Calcular o Valor de Sua Empresa

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Se você é empreendedor, talvez já tenha ouvido falar sobre valuation.
Afinal, o mundo dos negócios está repleto de estrangeirismos. Eles dominam as reuniões empresariais e exigem que você esteja sempre atualizado.
Mas qual o significado de valuation?
Mais um exemplo da presença constante de termos vindos de outros idiomas, é sobre essa expressão que vamos falar ao longo do artigo.
O tema, acredite, vai muito além de uma tentativa de tradução para o português.
É preciso ir a fundo em seu conceito para compreender a importância que possui para qualquer negócio.
Pronto para saber tudo sobre valuation? Então, não perca nenhum tópico desta leitura.

O que é um Valuation?

valuation o que e um
Qual empresário nunca parou para se perguntar quanto vale o seu negócio?
Esse questionamento tem tudo a ver com o significado da palavra valuation.
Para muitos especialistas, a definição da expressão em inglês é um sinônimo de “valor”.
No entanto, nós vamos adotar outra designação muito usada, que é a de “avaliação de empresas”.
De maneira prática e tentando fugir dos termos rebuscados do universo corporativo, valuation aponta para um conjunto de métodos financeiros que ajudam a definir o preço justo de um negócio.
Mas por que você precisa ter essa informação? Não é difícil de entender.
Conhecer o valuation serve tanto para a venda da empresa quanto para a eventual entrada de um novo parceiro na sociedade.
Também é um conceito útil para determinar o retorno esperado de suas ações, indicando o valor que a empresa ganhou ou perdeu sob o seu comando.
Como dá para perceber, o valuation entra em cena em momentos bastante sensíveis, que exigem uma tomada de decisão assertiva e embasada em subsídios claros e relevantes.
Por mais que a base de cálculo para a definição desse valor seja algo um tanto complicado – logo mais vamos falar um pouco mais dessa operação matemática -, a sua premissa principal não é nada difícil.
E qual é ela?
Simples: o valor de mercado de um negócio é diretamente proporcional ao lucro que ele pode gerar no futuro.
Em outras palavras, quanto mais potencial de alcançar bons rendimentos ali na frente sua empresa tiver, mais alto é considerado o seu valor.
Mesmo após essas breves conceituações, imaginamos que você siga com inúmeras dúvidas sobre o assunto, certo?
Sem problemas, pois estamos apenas começando. Ainda há um caminho longo pela frente para desvendar tudo sobre o valuation.

Por que Valuation de uma Empresa é importante?

valuation por que importante
Ao conhecer o significado de valuation, já dá para ter uma primeira ideia sobre a importância desse conceito.
Mas, neste tópico, vamos deixar tudo isso mais claro.
Para começar, vamos a uma realidade: não importa o tamanho da sua empresa, seja ela uma grande multinacional ou uma cooperativa de bairro, realizar um valuation é fundamental para uma gestão mais profissional.
Ao calcular o valor real do seu negócio, é possível conhecer mais a fundo o todo.
É como uma autoanálise sobre os pontos fortes e fracos dele.
Isso significa explorar aqueles pontos que valorizam o seu ativo e procurar entender os aspectos que rendem resultados nem tão positivos assim.
Mas sabe qual é uma das maiores contribuições do valuation para a sua empresa? O fim de achismos e interpretações sem qualquer embasamento.
É a tal tomada de decisão assertiva, sobre a qual falamos antes, rapidamente.
Fica mais palpável estabelecer, por exemplo, os valores para a compra das porcentagens na busca de uma sociedade minoritária ou majoritária.
O mesmo vale para eventuais litígios judiciais, nos quais os bens precisam ser divididos.
É um momento nada agradável, é claro, mas que fica mais fácil de lidar quando há informações palpáveis sobre as quais trabalhar.
Mas nos momentos positivos o valuation também funciona bem.
Até para medir o crescimento da sua empresa ao longo do tempo é importante ter o registro de análises anteriores, como ferramenta de comparação.
A partir dos resultados obtidos, é possível montar planos futuros para programar um desenvolvimento mais controlado e sustentável, visando à longevidade do negócio..
Enfim, existem diversos benefícios em se adotar essa ferramenta de avaliação.
Mas, de forma resumida, listamos seis motivos que mostram a importância do valuation para a sua companhia. Confira:

  • Apontar os aspectos que valorizam a sua marca
  • Compreender os pontos negativos que fazem o seu valor diminuir
  • Definir, com precisão, o quanto pode ser investido no negócio
  • Negociar porcentagens da empresa com maior fundamentação
  • Analisar o crescimento do negócio ao longo dos anos
  • Programar o desenvolvimento controlado do empreendimento.

Diferentes Tipos de Valuation

valuation diferentes tipos
Como é possível ver até aqui, motivos não faltam para você realizar o valuation na sua empresa.
Mas por onde começar, então?
O primeiro passo é saber que não existe uma forma única de desenvolver o processo.
Para entender qual é o melhor modelo para se escolher, vamos apresentar alguns exemplos para você.
Separamos quatro dos tipos mais comuns de avaliação utilizados para encontrar o valuation.
Observe cada um deles com atenção para ficar mais fácil na hora de você escolher qual deles se adequa melhor à realidade da sua empresa.

Método de Valuation DFC (Discounted Cash Flow) – Fluxo de Caixa Descontado

O Fluxo de Caixa Descontado é o método mais utilizado nas empresas mundo afora.
Ele consiste em projetar os lucros de uma empresa, aplicando um desconto.
Esse desconto representa o risco associado ao investimento, para trazer o fluxo de caixa para um valor presente.
Em resumo, oferece uma projeção do que a empresa é capaz de produzir no futuro.
Se você receber uma proposta de compra do negócio, vai poder calcular se o valor oferecido vale a pena, considerando não só o momento atual.
Não entendeu nada? A gente tenta explicar de uma forma diferente.
O DFC se baseia em um dos princípios mais clássicos da matemática financeira: o de que o dinheiro de hoje vale mais que o de amanhã.
Trazendo para um jargão popular, é a tal história de que mais vale um pássaro na mão que dois voando.
O que você prefere: resgatar dez mil reais agora ou esse mesmo valor daqui a 15 anos?
Com o dinheiro da empresa, funciona da mesma forma.
A tendência é que o fluxo de caixa positivo diminua ao longo do tempo.
O DFC, então, calcula uma taxa que abate esse superávit cada vez mais, a medida em que o tempo passa.
Ao longo dos anos, realizar uma previsão de lucro passa a ser uma tarefa cada vez mais complicada, pois a precisão vai sendo perdida.
Não é necessário ser nenhum especialista para entender que é muito mais difícil dar um prognóstico do fluxo de caixa do ano 2030 do que estimar a receita do ano que vem.
Até por isso, a base de cálculo do DFC usa cinco anos como mínimo e dez anos como máximo em suas projeções.
A principal vantagem do modelo é a apresentação dos riscos à companhia e a capacidade de mostrar uma avaliação de caixa no médio prazo.
Como você deve estar pensando agora, o método é eficaz, mas talvez seja difícil para o administrador, sozinho, colocar os cálculos em prática.
Exceto se você dominar a matemática financeira, uma dica sempre útil é ter um contador ao seu lado.

Método de Valuation Múltiplos de Mercado

O chamado Método de Valuation Múltiplos de Mercado leva em questão os indicadores de empresas de segmentos iguais, usando esse parâmetro como base para calcular o seu valor de mercado.
As referências mais comumente utilizadas são faturamento e assinantes, usuários ativos.
Estes dois últimos muito comuns em negócios online.
Além deles, temos o Lajida, sigla para a expressão lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Para facilitar a sua compreensão, vamos simular um exemplo.
Vamos supor que você tenha uma lancheria que possui um lucro de 50 mil reais por ano, ok?
Entao, considere que a maior empresa de fast food do país tenha um valor de mercado na bolsa de valores que chega a 100 milhões de reais e que a sua receita líquida anual seja de dez milhões de reais.
Logo, seguindo nesse exemplo, o múltiplo de valor de mercado para a receita líquida dessa rede de fast food gira em torno de dez, uma vez que dez milhões multiplicado por dez dá os 100 milhões totais.
Aplicando essa mesma lógica, o cálculo para descobrir o valor de mercado da sua lanchonete seria 50 mil reais x 10 = 500 mil reais.
Apesar de simples, os múltiplos de mercado apresentam alguns problemas.
A marca, por exemplo, não é levada em conta, assim como outros elementos, também chamado de ativos intangíveis.
É impossível comparar a realidade de uma empresa como o McDonald’s com a sua lancheira, com todo o respeito que o seu negócio merece.
Outro defeito do método é que ele não analisa o momento da empresa, mas sim o todo.
Isso sem falar que é bastante complicado encontrar estabelecimentos que atuem exatamente na mesma área, com um modelo de negócio praticamente idêntico.
Então, fica difícil identificar um parâmetro ideal de comparação.
Não que esse método de valuation deva ser descartado, pois pode servir também como um parâmetro interessante.

Método de Valuation Contábil

valuation metodo contabil
Lembra o que falamos há pouco sobre a importância de ter um contador ao seu lado.
Aqui, no Método de Valuation Contábil, ele novamente é peça-chave.
Esse é um modelo que considera única e exclusivamente a contabilidade da empresa, os chamados ativos tangíveis – ou ainda, se você preferir, o patrimônio líquido da companhia analisada.
Ou seja, para o seu cálculo, só são consideradas informações obtidas e registradas no balanço patrimonial da empresa.
É claro, há descontos sobre as depreciações ou amortizações do período.
Ainda assim, costuma ser uma análise insuficiente para quem busca estabelecer um valor de mercado mais fiel à realidade.
Isso porque os chamados ativos intangíveis, como marca, reputação, patentes, franquias, entre outros, não são levados em conta.
Para uma startup, por exemplo, que busca fortalecer seu nome no mercado, esse modelo de valuation não é nem um pouco indicado.
Mas como toda regra tem exceção, agora que adquiriu as primeiras informações sobre o método, converse com o seu contador sobre ele.

Método de Valuation de Liquidação

Vamos à matemática?
O Método de Valuation de Liquidação é uma operação básica de adição e subtração.
Nela, todos os ativos são somados e os passivos são subtraídos.
A fórmula da liquidação seria mais ou menos essa:

  • (Bens + direitos) – (deveres + obrigações).

Esse método é bastante utilizado quando as empresas já estão fechando suas portas e encerrando suas atividades, por isso o termo liquidação.
Para alguns, pode soar como uma situação de desespero da parte vendedora, que tem esse recurso como a sua última carta na manga.
Aquela solução que se busca aos 45 minutos do segundo tempo, quando não há mais alternativas.
Ainda assim, vale fazer o cálculo e comparar com os resultados de outros modelos de valuation.
Outro elemento que é usado na base de cálculo para determinar o valuation é o tempo.
Procura-se estimar um prazo curto para ver por quanto os proprietários conseguiriam vender o que sobrou de seu patrimônio.
O recado que fica é claro: ainda que o momento não seja o mais agradável, até na hora da morte da empresa é preciso ter planejamento para reduzir as perdas.
Então, na boa ou na ruim, não deixe de conferir no próximo tópico mais exemplos e dicas que vão facilitar a tarefa de encontrar o valuation do seu negócio.

Como Calcular o Valuation de uma Empresa? Valuation Fórmulas

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Como vimos, o modelo mais utilizado para o cálculo do valor de uma empresa é o DFC.
Mais completo, ele é considerado como o ideal para quem deseja levar em conta todos os detalhes que fazem a diferença.
Para facilitar a sua compreensão sobre a aferimento do valuation, vamos mostrar agora uma passo a passo resumido da utilização do método de Fluxo de Caixa Descontado.

Estimar o fluxo de caixa para os próximos anos

O primeiro passo é projetar o fluxo de caixa (montante recebido – valor total gasto) em um período pré-determinado.
O ideal é que esse prazo seja de cinco a dez anos, mas o que vai determinar isso é a estabilidade da sua empresa.
Alguns segmentos ligados à energia, construção e petróleo, por exemplo, costumam apresentar cenários mais estáveis e, portanto, de uma previsão mais fácil.
Com isso, conseguem fazer estimativas com um período de tempo ainda maior sem perder a credibilidade dos dados.
Já empresas menores, startups e de áreas mais dinâmicas, como tecnologia, oferecem uma baixa confiabilidade em suas projeções.
Assim, para ter um resultado mais seguro, é recomendado diminuir a estimativa de tempo e colocar taxas de crescimento nas contas do fluxo de caixa para os próximo anos.

Definir a taxa de desconto

A segunda e mais difícil etapa do cálculo de valuation pelo método DFC é, sem dúvidas, encontrar um parâmetro para definir a chamada taxa de desconto.
Apesar de a sua lógica não ser complexa, ela ainda gera bastante discussão.
Como vimos, esse valor serve para representar a desvalorização do dinheiro com o passar dos anos, devido às incertezas que toda a projeção apresenta – por mais segura que pareça.
O percentual de desconto, que deve estar acima da taxa básica de juros – a chamada Selic -, também precisa se basear no risco da empresa conforme outras oportunidades de investimento, como a bolsa de valores, por exemplo.
Até aí, tudo bem.
O problema começa aqui: enquanto muitos especialistas sugerem que, para calcular a taxa de abatimento, deve ser utilizado o rendimento médio de empresas na Bovespa (renda variável), outros defendem a utilização da média de rendimentos em renda fixa.
Existe ainda outra corrente que acredita em uma composição mais complexa, que levaria em conta o custo de capital da empresa e os riscos médios do segmento em que o negócio ocupa.
Tudo isso comparado à economia brasileira, de maneira geral.
Agora, imagine você o tamanho dessa equação matemática com tamanhas variáveis.
O que a gente sugere é a solução mais usada pela maioria: base dos rendimentos médios da Bovespa.
Além, é claro, de contar com um profissional que tenha experiência no assunto – o bom e velho contador.

Somar tudo

valuation somar tudo
Chegado até aqui, é hora de trazer os resultados para o valor presente e somar tudo.
O resultado encontrado na adição de todos os fluxos de caixa, abatidas as taxas de desconto, é o valuation atual da sua empresa.
Agora que você já tem uma base para fazer o cálculo principal, vamos falar sobre outras possibilidades, mais específicas.

Valuation Pré-Investimento

O valuation pré-investimento, como o próprio nome já sugere, está ligado ao valor de mercado da empresa antes do recebimento de um aporte financeiro.
Digamos que, antes de receber uma quantia de cinco milhões de reais, o patrimônio da sua empresa era estimado em dez milhões de reais.
Este último valor é o seu valuation pré-investimento.

Valuation Pós-Investimento

Já o valuation pós-investimento leva em conta o montante total.
Ou seja, as cifras atingidas após essa quantia extra de dinheiro injetada.
Para usarmos o mesmo exemplo, o valuation pós-investimento, nesse caso, seria de 15 milhões de reais.
E é em cima desse montante total que entra a porcentagem do investidor – e nunca do valor da empresa antes do aporte.
Na ponta do lápis, a participação do investidor fica assim:

  • 5 partes de 15 milhões = ⅓ = 33,33%

Com o valuation pré e pós-investimento, é possível também fazer cálculos sobre o crescimento da empresa.

Valuation de Startups e Pequenas Empresas

valuation startups pequenas empresas
Como já explicamos, definir o valuation de uma startup ou de uma pequena empresa é um pouco mais difícil do que lidar com negócios com um tempo maior de mercado.
Como dissemos anteriormente, investimentos como esses são mais difíceis de projetar, pois oferecem uma baixa confiabilidade.
Além disso, outro fator complicante é que não há histórico para se basear.
Por isso, o valuation requer muito mais interpretação do que matemática.
Não que grandes corporações não tenham suas subjetividades – elas têm, é claro.
Mas em uma startup, os chamados ativos intangíveis – como a visão do empreendedor, a equipe, a estratégia definida para o negócio e o produto em si – refletem mais sobre o valuation do que os números obtidos em suas análises financeiras.
Mas nem por isso deixam de existir métodos eficientes para medir o valor de uma startup ou de pequenas empresas.
Separamos a seguir quatro dos modelos mais usados no mercado para você se familiarizar.

Valor de mercado dos ativos + resultados

Essa análise, feita pela abordagem financeira, lembra um pouco o valuation contábil que apresentamos anteriormente.
Nesse caso, é feito o cálculo do valor do negócio somando todos os ativos da empresa e o resultado apurado no balanço fiscal mais recente.
Vamos a um exemplo?
Digamos que você seja o dono de um negócio que comercializa produtos sem agrotóxicos.
Nele, você é um faz tudo. Cuida do fornecimento, da distribuição e layout da empresa.
Enfim, realiza toda a gestão sozinho.
Para realizar o valuation do seu negócio, olhamos o valor total dos ativos escriturados com o inventário e chegamos ao número de 200 mil reais.
Somando essa quantia ao lucro líquido do último balanço feito, que foi de 60 mil reais, o valuation da sua empresa é de 260 mil reais.
Vale ressaltar que esse método é um tanto quanto conservador e funciona melhor quando a empresa pequena possui apenas um dono.

Base zero

A metodologia de abordagem de mercado denominada base zero é de conceituação bastante simples e o seu nome já entrega parte da sua aplicação.
Ela procura analisar o quanto seria necessário dispor de capital para que um empreendedor levantasse, do zero, um estabelecimento com as mesmas características e de atuação em segmento igual ou similar ao seu.
O valor encontrado nessa avaliação vai determinar o seu valuation.
Levando conta os ativos tangíveis que você possui no seu armazém, como caminhões para transporte, balanças de alta precisão, câmaras refrigeradas e outros maquinários e bens, calculou-se que, para construir uma mercearia especializada em produtos livres de transgênicos, o investimento inicial seria de 650 mil reais, aproximadamente.
Este é o valor de mercado do seu negócio.

Venture Capital

valuation venture capital
Criado na Universidade de Harvard, esse método de avaliação de startups, também conhecido como Capital de Risco, é mais usado para se investir em empresas emergentes, que já estão mais estabelecidas no mercado.
Portanto, já possuem faturamento bem definido em um produto ou serviço em comercialização
Sua metodologia, de certa forma, lembra a do fluxo de caixa descontado, tanto pelo prazo usado para projetar os dados quanto pela existência da taxa de desconto, necessária para trazer os valor à realidade atual.
Com esse modelo, é possível saber quanto de lucro um investidor vai ter daqui a alguns anos, caso invista na startup hoje.
Em outras palavras, o Venture Capital avalia se é rentável injetar dinheiro na empresa ou se o risco é tão alto que esse aporte não compensa.
Antes de aplicar o método de Capital de Risco, é necessário ter três informações em mãos:

  • Quanto você pretende investir na empresa
  • A receita projetada para o ano de resgate dessa quantia
  • A margem líquida estimada nesse mesmo período.

O prazo mais comum para a retirada de dinheiro, nesses casos, é de cinco anos.
Ao investir uma quantia X, qual vai ser o retorno no período determinado? Essa é uma das perguntas que o modelo se propõe a responder.
Para realizar esse cálculo, a primeira etapa é estimar a margem líquida após os cinco anos pré-determinados.
Depois, vai ser projetada a receita para o ano de retirada do dinheiro.
Então, a partir dela, é possível saber qual vai ser o lucro líquido.
Como todos esses valores na mão, já é possível definir o valuation da empresa após o encerramento do prazo estipulado inicialmente.
Para tal, basta multiplicar o lucro líquido obtido na operação anterior pelo indicador P/L – que é o preço sobre lucro do mercado para startups do mesmo setor.
Pronto! A primeira parte está feita.
No entanto, você quer determinar o valor presente da startup e não daqui a cinco anos.
Então, é preciso usar a taxa de desconto já estabelecida pelo investidor para trazer ao valuation presente.
O resultado encontrado será o chamado valuation pós-investimento que, como vimos anteriormente, é a soma do valor da empresa antes do aporte financeiro mais a quantia investida.
Como se quer saber o valuation pré-investimento, basta diminuir a quantia aplicada pelo empresário ao valor encontrado a partir da metodologia do Venture Capital.
Para trazer isso em números, digamos que o investidor esteja disposto a aplicar cinco milhões de reais na sua startup, ok?
Após realizar o método do Capital de Risco, que leva em conta todas variáveis que já citamos, você chega ao valor de 20 milhões de reais. Este valor é o valuation total.
Mas para saber o valor da startup antes do aporte financeiro, é necessário subtrair o total do valor investido.
Nesse caso o valuation pré-investimento é de 15 milhões de reais.

Scorecard

Se o método anterior tem suas similaridades com o modelo DFC, o Scorecard tem suas semelhanças com o Múltiplos de Mercado, no qual são analisadas empresas de segmentos parecidos com o seu.
Ao contrário do Venture Capital, o Scorecard é muito mais interpretativo e depende bastante da visão analítica do avaliador.
Nesse método de valuation para startups, é determinado um parâmetro inicial, que é feito a partir da média dos valores de mercado de empresas emergentes do mesmo setor da sua.
Na sequência, o analisador elenca alguns elementos que ele julga fundamentais para o crescimento do negócio e, então, oferece diferentes pesos para esses fatores.
Esses aspectos podem ser equipe, público, patentes desenvolvidas, entre outros.
Após já ter em mente os elementos e seus respectivos pesos, cabe ao avaliador medir a pontuação da startup em cada quesito.
Essa nota não deve ser em percentual e sim em linguagem binária, zero ou um.
Para chegar ao valuation final, são somadas todas as pontuações, conforme o peso definido preliminarmente, e multiplica-se por aquela média dos valores de mercado das empresas de mesmo segmento.
Antes de passarmos para o próximo tópico, vale ressaltar que definir o valor de uma startup é muito mais complicado do que aferir o valuation de uma empresa grande e já consolidada.
Um dos motivos para isso está na necessidade de tomar como base uma série de dados interpretativos, uma vez que, em muitos casos, os negócios ainda nem possuem sequer receitas para serem usadas a título de comparação.

Volume de Investimento em Startups

valuation volume investimento startups
As startups merecem comentários à parte.
Apesar da dificuldade em realizar o valuation desse tipo de empresa, cada vez mais e mais empresários começam a investir generosas quantias em negócios assim.
Pesquisa recente realizada pela Associação Latino Americana de fundos de capital de risco (LAVCA) revelou que o valor aplicado no segmento cresceu 207% no Brasil em 2017.
O volume de investimento bateu a casa dos 2,86 bilhões de reais, um recorde.
Para se ter uma ideia, no ano anterior, o montante não havia chegado sequer à marca de um bilhão de reais e o valor estimado ficou em 926,3 milhões de reais.
Os principais responsáveis por esse crescimento no setor foram os aplicativos de transporte de passageiros e os que oferecem delivery de comida.
Somados os aportes, chegou-se ao total de 335 milhões de dólares investidos.
Um dos principais motivos para o aumento do volume de investimento em startups é a entrada de mais capital estrangeiro na América Latina.
Em dois anos, o número passou de 52 para 80 fundos ativos registrados.
Apesar desse cenário favorável para se investir em startups, vale um alerta, caso você pense em seu aventurar nesse ramo: trata-se de um modelo de negócio arriscado, por conta do alto nível de incerteza nos resultados.
Afinal, elas se baseiam em soluções inovadoras, então, é difícil prever a reação do consumidor
Mas se você faz parte daquele time que acredita que quem não arrisca não petisca, procure tomar alguns cuidados antes de sair investindo seu dinheiro por aí.
Primeiro, considere taxas de desconto elevadas para proteger o seu patrimônio das imprecisões desse mercado.
E, segundo, procure investir apenas em startups que ofereçam um alto potencial de retorno.
Assim, você consegue compensar com alguma margem de lucro as perdas com as empresas que não tiveram sucesso.

Dicas de como Negociar com Investidores Para Avaliar Sua Empresa Corretamente

valuation dicas negociar investidores para avaliar empresa corretamente
Depois de passar por toda a parte econômica e financeira do valuation, chegou a hora de fazer uma análise fria dos números que as avaliações mostraram.
Se você quer aprender como negociar com investidores para não ter o seu negócio desvalorizado, este tópico será bastante útil.
Confira agora algumas dicas para avaliar a empresa da forma mais correta possível.

Questione-se sobre os resultados

Um análise profunda sobre o panorama geral da sua empresa é fundamental.
Sabe aqueles fatores essenciais para o sucesso de qualquer negócio que tanto falamos ao longo do artigo?
Será que esses elementos estão realmente apresentando um viés favorável?
Cabe sempre lembrar que esses aspectos podem não ter somente a ver com situações que estão sob o seu controle.
Para ajudar a realizar essa avaliação, procure responder aos seguintes questionamentos:

  • O mercado no qual o seu negócio se insere está crescendo?
  • Quais são os seus principais concorrentes e o que eles estão fazendo?
  • Você já consegue ter lucro com a sua empresa? Ela tem potencial para ir além?
  • Como está a sua equipe de trabalho? Ela tem dado conta do recado?
  • Tem previsão de surgimento de novas tecnologias que favoreçam a sua lucratividade?
  • Como é a legislação que rege o seu segmento?

Projete o melhor e o pior cenário possíveis

Indo na mesma linha da primeira dica, diante de todas as informações levantadas, procure traçar realidades que coloquem em dúvida os resultados levantados pelo valuation.
Não é uma questão de pessimismo e sim de estar preparado para todas as situações que podem surgir.
Lembre-se do planejamento estratégico da empresa, que sempre considera todos os cenários possíveis para projetar o futuro dela.
Então, coloque na ponta do lápis um cenário no qual quase tudo dá errado e outro ideal, em que tudo o que foi planejado acontece.
Tente ainda uma versão mais otimista, na qual todos os fatores analisados na avaliação feita acima estejam além das expectativas.

Conte com apoio profissional

Tudo o que passamos até aqui são noções de valuation.
Elas ajudam a entender o contexto e a importância da ferramenta.
Mas não se preocupe se ainda há dúvidas: ninguém espera que você se transforme em um expert da noite para o dia.
Aliás, é natural que não se sinta extremamente confiante em sair aplicando todos os métodos de avaliação e calculando o valor da sua empresa sozinho, com equações cheias de variáveis.
Por isso, nosso conselho final é contar com uma consultoria profissional independente, que pode realizar todo esse trabalho e ainda oferecer a transparência necessária.
Assim, você vai ter a segurança de que não está colocando dinheiro fora e que o valuation realizado corresponda à realidade.
Algumas empresas especialistas no ramo oferecem um serviço completo, ao estabelecer uma base de preços que pode ser utilizada tanto para aquisição, venda, fusão e dissolução de sócios e acionistas.
Pesquise no mercado por consultorias que fornecem o melhor custo-benefício de acordo com a sua realidade e solicite orçamentos e avaliações de valuation antes de decidir.

Exemplos de Valuations

valuation exemplos
Para tornar tudo mais palpável e mostrar a importância que o valuation possui, separamos alguns exemplos de grandes corporações.
São cases reais, que ajudam você a também entender mais do mercado.
Não deixe de conferir!

Hering

Depois de muitos anos tendo rendimentos anuais que não passavam dos 20 milhões de reais, a Hering passou por um processo chamado no mundo dos negócios de turnaround, que pode ser definido como “dar uma volta por cima”.
Graças a essa reviravolta em sua gestão estratégica, a empresa de vestuário viu seus lucros saltaram para mais de 300 milhões de reais – um avanço muito significativo.
Esse crescimento fez com que muitos investidores aceitassem pagar valores cada vez maiores por suas ações.
No entanto, com o passar do tempo, os resultados da Hering ficaram praticamente estagnados, devido ao encerramento dos benefícios do turnaround, como a multiplicação de lojas próprias e franqueadas, além da crise econômica instaurada no país.
O cenário apontava para um decréscimo das receitas da empresa e é o que vem acontecendo até então.
Assim, quem comprou as ações em alta, esperando crescimentos significativos, acabou frustado e viu seu investimento indo para o ralo.
Esse é um exemplo claro de um caso de má avaliação do valuation da empresa, que não projetou os anos seguintes como deveria.
O erro básico aqui está na falta de avaliação de uma margem de segurança mais consistente, levando em conta que o crescimento não era sustentável, ou seja, não conseguiria ser mantido.

Multiplus S.A.

Para quem não conhece a Multiplus, ela é uma companhia do segmento de programas de fidelidade.
É um ótimo exemplo de empresa que hoje entrega uma ótima margem de segurança e está sendo negociada com um valuation atrativo.
A Multiplus possui um fluxo de caixa atrativo, pois não apresenta dívidas significantes e conta com um bom Retorno Sobre Patrimônio Líquido (ROE).
Por estar em um dos patamares mais baixos dos últimos anos, ela acaba se tornando um investimento barato e com um retorno bastante seguro.

Conclusão

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Na conclusão deste artigo, vamos retomar uma questão feita lá no início do texto: quanto vale a sua empresa?
Acredita estar mais bem preparado para encontrar essa resposta depois de tudo o que aprendeu?
Mesmo que o cálculo não seja feito de imediato, o importante é que você entenda como o valuation pode ser uma ferramenta poderosa para o futuro do seu negócio.
É somente assim que você vai conseguir precisar o real valor do seu empreendimento.
Ter essa informação dá mais transparência e fundamentação na hora de negociar com investidores.
Não importa se você é dono de uma grande corporação ou se possui uma startup que está dando seu primeiros passos, existe um modelo de valuation ideal para cada tamanho de empresa.
Já definiu qual método vai usar? Para tomar essa decisão, é muito importante saber quais variáveis podem valorizar ainda mais o preço final do seu negócio.
Aproveite para deixar seu comentário e compartilhar este artigo em suas redes sociais.

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Brian Tracy é uma das maiores autoridades em coaching e negócios do mundo: em mais de 30 anos de atuação, passaram por suas palestras e seminários mais de 5 milhões de pessoas. Já atuou como coach e consultor em mais de mil empresas. Autor de dezenas de best-sellers, foi homenageado em 2011 com o Lifetime Achievement Award, concedido pela National Academy of Best Selling Authors. É fundador e CEO da Brian Tracy International, tem uma carreira de sucesso, principalmente nos setores de vendas e marketing, investimentos, desenvolvimento imobiliário, importação, distribuição e consultoria de gestão.

Flora Victória

Flora Victoria é fundadora da Sociedade Brasileira de Coaching, presidente da SBCOACHING Training e Mestre em Psicologia Positiva Aplicada pela University of Pennsylvania. Diretora educacional das empresas do SBCOACHING Group e founding fellow do Institute of Coaching (IOC) – órgão afiliado à Harvard Medical School dedicado ao avanço do coaching, Flora é considerada a maior especialista em psicologia positiva aplicada ao coaching do país. Seu trabalho precursor resultou na criação do primeiro treinamento de positive coaching do Brasil. Pioneira na condução de projetos de pesquisa e comprovação científica do coaching no país, tem contribuído significativamente para consolidar a credibilidade desse processo e estimular seu desenvolvimento no Brasil e no mundo.

Como trainer e master coach, Flora já participou da formação de mais de 45 mil coaches no Brasil. Responsável pelas parcerias internacionais firmadas pela SBCOACHING com instituições globais, Flora tem trazido para o Brasil o que há de melhor e de mais atual no coaching internacional. Flora representa a Sociedade Brasileira de Coaching como membro da Graduate School Alliance for Executive Coaching (GSAEC), instituição especializada no ensino acadêmico do coaching, e da Association for Coaching (AC), credenciadora internacional presente em mais de 50 países.

Escritora de obras que são referência no coaching mundial, Flora é coautora dos livros Personal & Professional Coaching®, Executive & Business Coaching®, Positive Psychology Coaching® e Career Coaching®, entre outros. Em parceria com Brian Tracy e Villela da Matta, escreveu Estratégias Avançadas de Vendas e Engajamento Total. Como parte de sua contribuição para o coaching global, Flora foi convidada a integrar uma equipe internacional cujo objetivo foi discutir e compreender a diversidade do coaching no mundo. Esse trabalho resultou no livro Diversity in Coaching: Working with Gender, Culture, Race and Age, lançado pela Association for Coaching (AC). Como especialista em coaching, negócios, liderança e psicologia positiva, escreve artigos para a Revista SBCOACHING, para a Revista Científica Brasileira de Coaching e para diversos portais.

Com graduações acadêmicas e especializações nas áreas de Governança Corporativa pela Harvard Business School, MBA pela FGV, Marketing pela ESPM e Tecnologia pela USCS, a expert em ciências comportamentais, Flora, aplica seu sólido conhecimento teórico e prático para contribuir com diferentes públicos na conquista de resultados e aumento de realizações.

Com uma experiência organizacional consolidada ao longo de 30 anos, antes de fundar a SBCOACHING Flora foi executiva da Claro e atuou em grandes empresas como Volkswagen, Ford e Bell South, nas áreas de planejamento estratégico, gestão de mudanças, governança corporativa, tecnologia e finanças. À frente da SBCOACHING Training™, dedica-se continuamente a expandir o portfólio de serviços e a elevar cada vez mais a qualidade e a eficácia do coaching.